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Perdido na ExpoVinis

Na maior feira de vinhos da América Latina, ficamos indecisos com quase o mundo inteiro servido em taças. Impossível provar tudo – mas alguns dos bons rótulos que conseguimos sorver está apresentado aqui

Por Sergio Crusco


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Um parque de diversão para adultos. É o que me ocorre para tentar explicar a ExpoVinis, maior feira de vinhos da América Latina, que aconteceu em São Paulo de 22 a 24 de abril. No começo a gente fica meio perdido, zanzando sem ter muita noção de por onde ir. Continua perdido ao longo do tempo, pois são tantas emoções e sabores, impossível ver e provar tudo. Uma dica aqui dos amigos jornalistas e especialistas, uma fuçada curiosa acolá, um estande vistoso mais adiante, um rótulo sedutor… E assim vamos indo, ao sabor da descoberta.

Para facilitar a vida de quem vai à feira para fazer negócios ou simplesmente conhecer as novidades, a ExpoVinis faz anualmente um concurso que elege os dez melhores vinhos inscritos (veja a lista no final do post). Mas preferi traçar um roteiro intuitivo (pra não dizer desorganizado), uma vez que aquele mundo todo não caberia em dois dias de visita à feira. Como não sou especialista, fui seguindo o meu faro – talvez não certeiro. A preferência pelos brancos quem sabe incomode os fãs de tintos. Mas vamos lá. A seleção é bem pessoal, de alguém que gosta de beber e de compartilhar o que prova por aí.

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Rum, limão e gelo: o jeito cubano de turbinar seu caldo de cana

Além do Mojito e do Daiquiri, Cuba tem um segredinho quase desconhecido, mas muito fácil de reproduzir por aqui. É o Guarapo con Ron – ou seja, garapa com alguma safadeza

Por Sergio Crusco

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Ernest Hemingway e sua turma da pesada no balcão do Floridita, em Havana, nos anos 50 – na esquina da barra, Spencer Tracy

Quem vai a Cuba quer dringue. Impossível não lembrar da frase de Ernest Hemingway e não querer fazer exatamente o que ele propunha: “Mi Mojito en La Bodeguita, mi Daiquiri en El Floridita”. Foi o que fiz, ora essa. A patetice turística causou a primeira grande decepção: o Mojito da Bodeguita é um asco – aguado, chocho, sem sabor, pouco gelo, hortelã murcha, uma turminha de maus bofes preparando seu coquetel como quem assina o ponto. Tomei melhores em qualquer outro lugar. Deve ter sido bom nos tempos em que Hemingway pintava o caneco em Havana. Hoje ele teria trocado de bar, aposto.

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Estás bor-ra-cho!

A narrativa de amor de uma paraguaia com um caubói americano temperada por um Old Fashioned

Por Cristina Ramalho

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“Vai um dringue?”, pergunta JR Ewing, o patriarca de Dallas

Foi no Paraguai. Eu estava em um cassino dentro do resort de um americano, figurão do tipo caubói. Ele andava pelos corredores, entre as máquinas de caça-níqueis e umas loiras em todos os tons da química, um JR Ewing com chapelão e tudo, saído direto do seriado Dallas. Alto, muito alto. Alguém me soprou no ouvido que a baixinha lá atrás, uma versão mignon de Joan Collins (eu sei, eu sei, Joan era do Dinastia, mas um casal desses ocupa dois seriados) equilibrada sobre plataformas de Carmen Miranda, é a sua esposa. Ela cintila: cílios imensos, roupa de paetês, a cintura apertada. As mãos têm pedras faiscando em todos os dedos, unhas vermelhas de dar medo. Somos apresentadas.

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Nunca peça mais uma

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Jack Lemmon pede mais algumas numa véspera de Natal solitária em Se Meu Apartamento Falasse (1960), de Billy Wilder

Há algum tempo, em Barcelona, parei no balcão de um lindo e espaçoso bar (do qual não vou lembrar o nome) e pedi a primeira cerveja. Ainda não havia me acostumado com o espírito notívago da cidade, em que o agito só começa a acontecer lá pelas tantas. À espera de uma noite sacudida, enquanto o lugar não esquentasse de gente (o que de fato aconteceu), restou-me uma opção. Pedir mais uma.

Una cerveza más, por favor!

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Um dringue com Seu Jorge

Seu Jorge veio a São Paulo para conversar sobre Músicas Para Churrasco II, novo disco de sua série de canções sacudidas para festas. O encontro aconteceu na cervejaria Karavelle, da qual é sócio. Entre um papo e outro, falamos sobre sobre a bebida que ele mais curte: cerveja

Por Sergio Crusco 

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Seu Jorge durante o lançamento de Músicas para Churrasco II, cervejinha sempre por perto

Como foi a transição de apreciador de cerveja para empresário do ramo?

Fui à casa de um dos meus sócios e eles já faziam o chope Karavelle. Quando provei, disse na hora: “Vamos engarrafar essa porra, right now”!

Tem um estilo predileto de cerveja?

Gosto da cerveja de todo o dia, a Pilsen, é a cerveja do estilo brasileiro. Agora, com a chegada da cerveja artesanal no Brasil, a gente descobre outros sabores, eles proporcionam harmonização com as comidas. Mas gosto mesmo de cerveja porque é uma bebida fácil, boa para se refrescar. Você não se refresca com uísque ou caipirinha, toma pelo paladar. A cerveja é mais tranquila, é diurética, o corpo metaboliza melhor.

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