Nunca peça mais uma

Jacklemmon-editado
Jack Lemmon pede mais algumas numa véspera de Natal solitária em Se Meu Apartamento Falasse (1960), de Billy Wilder

Há algum tempo, em Barcelona, parei no balcão de um lindo e espaçoso bar (do qual não vou lembrar o nome) e pedi a primeira cerveja. Ainda não havia me acostumado com o espírito notívago da cidade, em que o agito só começa a acontecer lá pelas tantas. À espera de uma noite sacudida, enquanto o lugar não esquentasse de gente (o que de fato aconteceu), restou-me uma opção. Pedir mais uma.

Una cerveza más, por favor!

– Não, não diga isso! – devolveu o bartender, como que espantado.

Olhei para os lados e me perguntei o que poderia ter dito de errado ou que gafe teria cometido com uma frase tão simples.

– Por que não posso dizer isso?

Ele abriu um sorriso maroto:

– Você nunca deve pedir mais uma. Deve sempre pedir uma, seja a segunda ou a décima. Quem está ao seu lado não precisa saber quantas cervejas já bebeu. Deve achar que está sempre na primeira. De outra forma, vão pensar que você é um borracho.

Entendi perfeitamente a lição de etiqueta etílica daquele barman espanhol, nunca mais pedi mais uma. Ou mais um.

Até hoje me arrepio quando é o garçom quem se adianta na indiscreta contagem alheia de doses, perguntando:

– Mais uma?

Por Sergio Crusco

Com o espanhol Joaquin Sabina, porém, não há esse problema. Nessa canção ele consegue contar, pelo menos, até a sexta dose.

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