Estás bor-ra-cho!

A narrativa de amor de uma paraguaia com um caubói americano temperada por um Old Fashioned

Por Cristina Ramalho

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“Vai um dringue?”, pergunta JR Ewing, o patriarca de Dallas

Foi no Paraguai. Eu estava em um cassino dentro do resort de um americano, figurão do tipo caubói. Ele andava pelos corredores, entre as máquinas de caça-níqueis e umas loiras em todos os tons da química, um JR Ewing com chapelão e tudo, saído direto do seriado Dallas. Alto, muito alto. Alguém me soprou no ouvido que a baixinha lá atrás, uma versão mignon de Joan Collins (eu sei, eu sei, Joan era do Dinastia, mas um casal desses ocupa dois seriados) equilibrada sobre plataformas de Carmen Miranda, é a sua esposa. Ela cintila: cílios imensos, roupa de paetês, a cintura apertada. As mãos têm pedras faiscando em todos os dedos, unhas vermelhas de dar medo. Somos apresentadas.

Ela é paraguaia. Como conheceu o JR? Ela sorri, se contorce, faz dengo em espanhol: “Realmente quieres saber?”

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Alexis Carrington em Dynasty, sempre às voltas com guerras de ambição e bebidas das mais finas

Ele era dono de toda a propriedade e de muitos poços de petróleo além fronteiras. Um dia sobrevoava suas terras e viu, lá do avião, a mocinha de saia rodada, um bijuzinho, no meio da pista de pouso. Ela. Estava se despedindo do noivo, que trabalhava como piloto da companhia dele. Lá nas nuvens JR se aprumou na hora, falcão pronto para agarrar a presa. “Desce que vou falar com ela”. O piloto tenta defender a honra do colega de trabalho, que a essa altura decolava em outro aviãozinho. “Senhor, ela é a noiva do Juan, nosso outro piloto”. “Não quero nem saber”. Enquanto o pobre Juan levanta voo sem saber de nada, o avião do patrão pousa. JR desce, tira o chapéu, se abre em sorriso e anuncia: “Vou me casar com você!”

Ela para a narrativa. Olha para mim, sacode mais um pouco a cabeça, dá uma gargalhada de vilã: “Há! Yo dise a él: Estás bor-ra-cho!”, fala, dona de si, caprichando nos erres, sílabas divididas para a ênfase. E então ela levanta o anular da mão esquerda, balança o diamante de tamanho Liz Taylor, morde o dedinho e diz, marota, o sotaque acentuando o drama: “Ses meses después estávamos casados”. O garçom traz um Old Fashioned. Joan Collins bebe de uma vez. JR, de longe, acena tocando o chapéu.

RECEITA DE OLD FASHIONED Oldfashioned-cocktail

É um dos drinques mais clássicos da história. Diz o autor Robert Simonson, no livro The Old Fashioned: The History of the World’s First Classic Cocktail, que o coquetel nasceu em 1806 e é o mais antigo que se tem notícia. Leva bourbon e Angostura.

Ingredientes

60 ml de bourbon

6 gotas de Angostura

1 colher (chá) de açúcar

Casca de limão siciliano

Gelo a gosto

Modo de preparo

Num copo de misturas ou numa coqueteleira previamente gelada, adicione os ingredientes e coloque gelo até a altura do líquido. Misture bem e rapidamente, por alguns segundos, usando uma colher. Coe para um copo de uísque com gelo, previamente perfumado com a casca de limão (esprema a casca no interior do copo e passe-a nas bordas, se quiser caprichar no toque cítrico). Coloque gelo no copo e coe o drinque. Decore com a casca de limão ou também com uma cereja ao maraschino, se preferir.

*

Créditos das fotos: Larry Hagman e Joan Collins (Reprodução), Old Fashioned (Edcross/Wikimedia Commons)

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