0

O bourbon do caubói vira ingrediente chique nos bares do mundo

A bebida americana à base de milho já foi a preferida dos caubóis que não se importavam muito com o que estivessem bebendo, contanto que subisse. Hoje é queridinha nos bares descolados do planeta e se presta ao preparo de drinques clássicos e charmosos

Por Sergio Crusco

cowboy-whiskey

John Wayne bebe um trago de seu bourbon antes de topar a próxima aventura

Nos filmes de caubói ou nos de detetives, é comum ver o intrépido herói mandando ver de um gole só uma dose pura de uísque, para logo em seguida apertar os olhos e franzir a boca numa expressão que sinaliza algo parecido com um ouriço do mar descendo pelo esôfago. Quantas vezes você não viu John Wayne e Clint Eastwood fazendo cara de quem bebeu, não gostou, mas está pronto e de cabeça feita para a próxima parada?

A qualidade duvidosa dos uísques americanos não é lenda de Hollywood, nem a cara azeda do caubói é um recurso meramente dramático. Nos tempos da Lei Seca (1919-1933) produziu-se muita bebida clandestina nos Estados Unidos e quem quisesse ficar alegrinho a qualquer custo, na base do “se não tem tu, vai tu mesmo”, apelava para qualquer coisa.

Continuar lendo

1

Um dringue com Ivan Bornes

Ivan Schiappacasse Bornes, dono do Pastifício Primo, lembra da infância em Porto Alegre, quando ajudava o pai a fazer vinho em casa. Dos tequilas da juventude ao consumo moderado nos dias de hoje, fala de suas preferências e rebate a frescura enogastronômica: “O vinho do dia a dia não pode ser carregado de simbolismo, tem de ser algo perto da gente”

Por Sergio Crusco

ivan_bornes_1

Ivan Bornes e sua geladeira pop

Como é a sua relação com o vinho? Imagino que venha da infância, já que você nasceu no Uruguai.

Meu pai fez vinho em casa durante mais de 30 anos, até 1983, no Uruguai e depois em Porto Alegre, para onde nos mudamos. Pisávamos as uvas com os pés, como nos tempos ancestrais. Outro dia dei muita risada com ele, que disse que os vinhos pisados têm outro sabor, as bactérias dos pés é que dão o terroir da família. Ha ha ha ha ha! Um amigo dele também tinha uma vinícola caseira, mas mecanizada, com prensa para as uvas. O vinho do amigo estragava e o do meu pai não. Por isso ele dizia que o segredo eram as bactérias da família. Produzíamos de 400 a 500 litros por ano. Um ano era bom, outros nem tanto. Cresci bebendo vinho com água e açúcar, era nosso refrigerante. Não se comprava Coca-Cola em casa.

Continuar lendo

3

Vedett Extra Ordinary IPA: para quem quer pular para o galho de cima

IPA_Display_EDIT

Vedett IPA em noite de gala

Há um papo curioso sobre transição no mundo cervejeiro (para mim, pelo menos). Mais ou menos assim: o paladar vai apurando, você deixa de achar graça nos estilos leves à medida que aprende a saborear os mais encorpados, lupulados, complexos.

Entendo o raciocínio, não vejo graça é na postura de quem ergue uma taça de India Pale Ale com o ar superior de quem já transitou pelas cervejas bobas e agora está num patamar mais nobre, olha para o resto da humanidade com cara above the clouds. Ouvi na noite de lançamento da Vedett Extra Ordinary IPA, em São Paulo, na Barbearia Corleone: “Fulano abandonou as cervejas de trigo (como se houvesse saído do rehab) e agora bebe IPA”. Outra: “IPA tá na moda porque é a cerveja dos hipsters”. Ha ha ha!

Continuar lendo

0

Mulher sozinha em férias

Uma cantada regada a um bom Pisco Sauer – e muita história para contar para os amigos

Por Cristina Ramalho

La Main au Collet TO CATCH A THIEF d'AlfredHitchcock avec Cary Grant, Grace Kelly, 1955

Cary Grant, bom de lábia, passa uma cantada em Grace Kelly em Ladrão de Casaca (1955)

Sempre me lembro da história de uma amiga carioca que aproveitou a folga para passar uns dias na Bahia enquanto o marido, com trabalho acumulado, teve de ficar no Rio. Muito bonitinha, ela caminhava pelas areias baianas quando um sujeito do pedaço, malemolente, sem camisa, foi chegando, o olhar pidão, aquele papinho-gentileza-com-a-turista. Ofereceu-se para ser um guia, falou das maravilhas locais, a natureza,” já viu o pôr do sol daqui?” e coisa e tal, até que abriu o sorriso alvo e tascou a cantada: “Moça tão bonita, sozinha, não pode. Com você eu caso!”

Ela agradeceu, explicou que já era casada. “Ôxi, cadê o marido?” “Não pôde vir”. Ele examinou a carioca de alto a baixo e não conteve a frase, o sotaque arrastado: “Mas é muuuita confiança”.

Continuar lendo

0

Martini de balsâmico com queijo parmesão: existe e é surpreendente

No Ô-Restaurante, novidade da Vila Madalena, o sommelier e bartender Gustavo Abreu cria alquimias inesperadas. Se nunca imaginou que um coquetel pudesse levar queijo, taí a prova em contrário. E também tem drinques para quem quer doçura…

Por Sergio Crusco

o_balsamic

Balsâmico Martini: gim, vinagre e lascas de parmesão

A ideia não é tão maluca assim: coquetéis com aceto balsâmico são comuns e sensacionais, especialmente os que levam purê ou suco de morango na receita. Novidade são as duas lascas de parmesão com que o sommelier e mixologista Gustavo Abreu resolveu guarnecer o Balsâmico Martini (R$ 33) criado para a carta do Ô-Restaurante, endereço que há pouco fez sua estreia na Vila Madalena com cardápio multicultural.

O drinque escuro à base de gim, vinagre e grana padano faz um par alucinante com a morcilla grelhada com cachapa rústica (panqueca de milho venezuelana), creme de nata e salsa criolla preparada por seu xará, o chef Gustavo Eiji. Manja uma explosão de sabores? Essa é uma delas, sem exagero. A berinjela queimada, grelhada com coalhada seca, pimenta dedo-de-moça, limão siciliano e salsa verde, outra opção de entrada, também casa bem com o drinque diferentão.

Continuar lendo

0

Doce nostalgia em Londres

Na loja A.Gold, no leste londrino, o brasileiro Paulinho Garcia vende delícias inglesas e comidas caseiras. E uma bebida tradicional dos recém-casados britânicos: English Mead, feita de mel

Por Cristina Ramalho

agold-deli-spitalfields

Fachada da A.Gold – Traditional Foods of Britain, em Spitalfields, Londres

Amelia Gold, húngara, judia, boa de vendas e com mãos leves para a moda, chegou no East End londrino em 1880 na leva de imigrantes fugidos da Rússia e países vizinhos. Era uma moça esperta: mal saiu e, no ano seguinte, o czar Alexandre foi assassinado e teve início uma perseguição aos judeus e às minorias do Leste europeu. Logo ela abriu em Londres sua pequena loja, pertinho da igreja de Spitalfields, 42 Brushfield Street. A placa está lá até hoje: A.Gold (em letras grandes, imponentes), seguido de French Millinery escrito em letra cursiva, feminina, que parece dançar no letreiro. Millinery é a arte de produzir chapéus, e não qualquer chapéu. Os melhores.

Continuar lendo

1

Drinques, jazz e doces são a receita do Paribar para o mês de junho

O estilo francês manouche invade a hora do brunch no bar da Praça Dom José Gaspar, com novidade na carta de drinques e doçuras de Danielle Noce no cardápio

Por Sergio Crusco

drink paribar

Gyspy Brunch: suingue e sabor na receita criada por Luiz Campiglia com Ginger Ale caseiro, cachaça, limão e geleias para celebrar o Festival de Jazz Manouche do Paribar

Mais uma vez o jazz invade a Praça Dom José Gaspar e faz a festa no Paribar. Começa no dia 7 de junho um festival dedicado ao estilo manouche, aquele dos violões acústicos, muito virtuosismo e suingue. O violonista belga de alma cigana Django Reinhardt (1905-1953) é o rei do gênero. Ao lado do violinista francês Stéphane Grapelli, gravou clássicos e inspira gerações de músicos para toda a eternidade. O manouche continua vivo na voz de artistas modernos como Sanseverino, Cyrille Aimée e tem bons representantes no Brasil – justamente o que o festival vai mostrar nos domingos de brunch (veja a programação abaixo).

Continuar lendo