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O dia em que a Porradinha me fez virar na Linda Blair

O primeiro porre, quem não esquece? Basta um jerico vir com a ideia — e outro asno acatar. Se a pedida for Porradinha, as chances de precisar chamar um exorcista são grandes. Mas há um jeito mais fino de saboreá-la, como ensina o chefe de bar do restaurante paulistano Tuju

Por Sergio Crusco

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Virei na Linda Blair, jurei que aquilo não mais me pegava, mas quem nunca descumpriu a promessa?

— É. Esse tapete vamos ter de jogar fora.

Foi a primeira frase que ouvi pela manhã, a voz de Zuleica, dona da pensão, dando ordens à empregada de como colocar tudo em ordem depois do vexame da noite anterior. Uma dor de cabeça miserável, a sensação de atropelo por uma jamanta, a vergonha de ter sido responsável pela perda total do tapetinho que guarnecia a entrada do banheiro comunitário e pelo trabalho quintuplicado e infame causado à pobre faxineira.

Foi a primeira ressaca e pela primeira vez a promessa de nunca mais chegar àquele ponto. Devidamente não cumprida. Quem nunca fez a promessa?

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Vinho azul: ai, que loucura!

Gïk Live é o vinho criado por jovens empreendedores espanhóis que acreditam na Estratégia do Oceano Azul – faça o que ninguém fez ainda. E eles fizeram: vinho azul

Por Sergio Crusco

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Não adianta fazer cara de cão: o Gïk Live é azul mesmo

A história é clássica. O compositor Roberto Menescal, ao visitar o parceiro Ronaldo Bôscoli em seus últimos dias, ouviu do amigo, que recebia soro em uma veia e transfusão de sangue na outra, uma de suas últimas piadas cortantes:

– Vai de branco ou de tinto, Menescal?

É de se imaginar o que Bôscoli – que, entre tantas frases impagáveis, mandou mais esta: “Não bebo porque gosto do sabor, bebo para melhorar as pessoas” – diria ao topar por aí com uma garrafa de vinho azul. Não, não estamos falando das garrafas azuis famosas sobretudo entre os produtores alemães de Riesling. É vinho azul no duro, na batata.

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Mulher, Futebol, Boteco e Rabo de Galo

Boteco/ homem/ futebol combinam com rabo de galo, a bebida tradicional dos balcões de fórmica, que hoje tá virando chique. Aqui ela acompanha a narrativa de jogo com final romântico

Por Cristina Ramalho

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Futebol e amor no traço de Ziraldo

O sujeito sentado no banco alto arregaça as mangas da camisa, puxa um pouquinho as calças para cima, dá uma geral no bar. Batuca de leve a mão no balcão de fórmica vermelha.

– Ô campeão, vê aí dois rabos de galo! Ao lado dele, no balcão, o amigo sorridente, bonachão, uma cara de gordinho da escola, é o ouvinte. O primeiro se apruma no banco, copo na mão, dá um trago na bebida – ahhh – arranha a garganta e começa.

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Cerveja Dádiva se inspira no voo da libélula para criar receitas sutis

A jovem Cervejaria Dádiva, comandada por Luiza Tolosa, aposta na leveza e lança novo rótulo: uma amber ale com toque de lúpulo na medida certa para quem gosta de bebidas tranquilonas

Por Sergio Crusco

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A libélula é símbolo de mau agouro para uns e de sorte para outros: fazemos parte do segundo time

Diz uma fábula que a libélula já foi dragão. Tapeada pelo coiote, quis provar que tinha o poder de se transformar. Virou inseto e nunca voltou a ser o que era, vítima da própria vaidade. Há outras lendas, sobretudo europeias, que contam contos terríveis sobre esses bichinhos: trariam má sorte se sobrevoassem a cabeça de alguém, teriam sido cavalos no inferno e enviados pelo próprio demo para atazanar a paz na terra (cavalinho-do-diabo é um de seus nomes populares no Brasil). Um mundo de crendices medonhas, barra-pesada.

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Degusta Beer & Food é a grande festa da cerveja em São Paulo

Cervejarias brasileiras e importadoras levam cerca de 400 rótulos ao evento, que acontece de 15 a 18 de julho, com palestras, degustações e harmonizações comandadas por profissionais do mundo cervejeiro

Por Sergio Crusco

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Cerveja e sabedoria transbordam no Degusta Beer & Food

Um pavilhão cheio de cerveja, comidinhas, música e amigos. Que cervejeiro não sonha com isso? Poi essa é a hora: dia 15 de julho começa a segunda edição paulistana do Degusta Beer & Food, que vai até dia 28 no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center.

São cerca de 400 rótulos de cervejarias nacionais e importadas. Você para e prova uma witbier aqui, uma IPA acolá, uma stout no outro canto. E assim vai a vida. Algumas das cervejarias confirmadas para o evento são Saint Bier e Lohn (Santa Catarina), Coruja (Porto Alegre), Mistura Clássica (Rio de Janeiro) e as paulistas Mea Culpa, Nacional, Suméria, Dama Bier, Colorado, Burgman e Baden Baden. Garatindo as cores internacionais do evento, há estandes de importadoras como Bier & Wein, Meara, Lorch e Casa Flora.

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Nova carta do SubAstor traz quase o mundo todo em forma de drinques

O mixologista Fabio La Pietra mudou toda a carta do SubAstor, na Vila Madalena. São 24 drinques com influências latinas, clássicas, caribenhas… Festa para o paladar

Por Sergio Crusco

Carta de drinks - Sub Astor - foto Leo Feltran - 22/05/2015

My Hops Don’t Lie: martini muito seco e amargo, com lúpulo

Bar é como passarela, de moda ou de escola de samba. Tem de ter novidade, cor, alegria, alegoria, surpresas para os olhos e o paladar. A nova carta do paulistano SubAstor, comandado pelo bartender Fabio La Pietra é assim: num enredo multicultural, ele vem com destilados de sotaque latino, muito rum caribenho, matizes das praias da Indonésia, pitadas de brasilidade em coquetéis com cachaça e base na coquetelaria clássica. Dá para saracotear com gosto – e com responsabilidade, para não cair da plataforma de Carmen Miranda – nessa mistura de suingues e temperos. Dringue esteve por lá para provar alguns dos novos coquetéis – 24 ao todo – e conta um pouquinho dessa aventura.

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O jeito francês de beber licor de cassis

Licores franceses da Merlet chegam ao Brasil para seduzir mixologistas e bebedores. Há várias maneiras de criar coquetéis com eles, mas a mais simples é fazer um Mêlé-Cass, jeito francês de dizer que tudo pode dar certo se você tem os ingredientes ideais

Por Sergio Crusco

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Esse drinque é de framboesa, tá? Não é de cassis

Na França de outros tempos era assim, nos conta o produtor de licores Gilles Merlet: aos homens era concedida a honra de beber um conhaque depois da refeição. Para as mulheres, licor de cassis, a groselha negra. Imagino que o direito feminino ao conhaque tenha feito parte da luta pelo avanço das moças na era de conquistas por igualdade por aquelas bandas. Tipo chegar num café, dar um tapa no balcão e não ter vergonha de pedir uma dose, e das bem servidas, enquanto senhoras e senhores cochichavam: “Quanta petulância! Pedir um conhaque em público”. Como não tenho em mãos nenhum tratado a respeito do papel do álcool na pauta feminista francesa, sobra imaginação.

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