Vinho azul: ai, que loucura!

Gïk Live é o vinho criado por jovens empreendedores espanhóis que acreditam na Estratégia do Oceano Azul – faça o que ninguém fez ainda. E eles fizeram: vinho azul

Por Sergio Crusco

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Não adianta fazer cara de cão: o Gïk Live é azul mesmo

A história é clássica. O compositor Roberto Menescal, ao visitar o parceiro Ronaldo Bôscoli em seus últimos dias, ouviu do amigo, que recebia soro em uma veia e transfusão de sangue na outra, uma de suas últimas piadas cortantes:

– Vai de branco ou de tinto, Menescal?

É de se imaginar o que Bôscoli – que, entre tantas frases impagáveis, mandou mais esta: “Não bebo porque gosto do sabor, bebo para melhorar as pessoas” – diria ao topar por aí com uma garrafa de vinho azul. Não, não estamos falando das garrafas azuis famosas sobretudo entre os produtores alemães de Riesling. É vinho azul no duro, na batata.

Os criadores espanhóis do Gïk Live, jovens entre 20 e 30 anos, escolheram a cor porque acreditam que inspire “movimento, inovação, fluidez, mudança, infinitude”. Andaram lendo alguns manuais de teorias mercadológicas e gostam bastante da Estratégia do Oceano Azul, do coreano W. Chan Kim, que consiste, muito resumidamente, em abandonar a ideia de concorrência e criar novos espaços de consumo. Taí, sacaram, vinho azul nunca ninguém fez.

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Azul inspira movimento, fluidez e outras mumunhas mais

Mas que vinho é esse? Segundo os produtores, as uvas vêm de várias regiões da Espanha, o que, no explicar da turma, quer dizer: “Escolhemos as vinícolas em função das pessoas que trabalham nelas. Não trabalhamos com uvas, trabalhamos com pessoas, por isso Gïk não tem denominação de origem, mas sim garantia de qualidade e de sabor único”.

O sabor? Doce, incrementado pelo uso de adoçantes (não, você não leu errado), segundo os produtores “uma alternativa mais saudável ao açúcar, que gera sobrepreso”. (Quero minha parte em quindim!)

O azul, de onde vem? “De processos tecnológicos de coloração da uva”, desenvolvidos pelos criadores em parceria com a Universidade do País Basco e outras empresas de tecnologia alimentar.

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Grande Antropofagia Azul (1960), de Yves Klein

Para dar charme poético à empreitada, o vinho azul vem com epígrafe de Wassily Kandinsky: “Quanto mais profundo o azul, maior sua capacidade de atração sobre o homem; um chamado infinito que nasce do desejo de espiritualidade e pureza”. Mas desconfio que o Gïk esteja mais para Yves Klein, aquele que lambrecava seus modelos com tinta azul e os fazia deitar e rolar sobre a tela.

Para saber mais sobre o Gïk e para comprá-lo (10 euros a garrafa), visite o site da marca aqui. Ou a página no Facebook.

Enquanto o Gïk não aparece por essas bandas, ficamos com o barquinho de Bôscoli e Menescal – e outros azuis musicais…

*

Créditos das fotos: Gïl Live (Divulgação), Yves Klein (Reprodução)

2 comentários sobre “Vinho azul: ai, que loucura!

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