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Sua cerveja agora vem de bicicleta

Empresa lança bicicletas e motos que podem rodar por aí vendendo chope. Dá saudade do sorveteiro da infância

Por Sergio Crusco

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Bike Beer: bicicleta que vende cerveja. Quero uma aqui no pedaço

O som era alto e inconfundível. Três sinos unidos a uma haste de madeira faziam um barulhão pelas ruas da Ponta da Praia, em Santos. Bleng-bleng-bleng-bleng-bleng! A garotada gritava em faniquito: “Seu Elói! Seu Elói!”

Negro, gorducho, óculos escuros estilosos, sorriso alvo com dente de ouro, Seu Elói, o sorveteiro, era a gentileza em pessoa. A paciência também: nunca se irritava com a indecisão infantil na escolha dos sabores: “Quero limão. Não, chocolate! Não, morango!” E nem eram tantos sabores assim naqueles tempos.

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Bebendo com Humphrey Bogart

O herói de Casablanca sempre viveu três doses de uísque à frente da humanidade. Podia ser puro, com gelo ou num drinque que ninguém sabe de onde veio: o Scotch Mist, que lembra as brumas londrinas 

Por Walterson Sardenberg Sº

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Bogart bebia bem – quer dizer, muito – e às vezes aprontava travessuras como empurrar seus convidados na piscina. Mas Hollywood achava que ele ficava ótimo com copo na mão. Nós também

Segundo muita gente boa, um dono de bar de respeito não instala aparelho de TV no ambiente. Além disso, nunca mistura uísque com energético. Jamais. Se algum insensato freguês — sim, bar tem freguês; quem tem cliente é dentista — quiser fazê-lo, que o faça por própria conta. Veja bem, ninguém está afirmando que não se deva misturar o uísque a outros líquidos. Em casos extremos, isso pode ser até recomendável.

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O tango, o vinho e uma carreira amorosa

Uma taça de vinho, o sujeito enlaça a moça e começa a deslizar – um tango é uma aula de relacionamento. E para você entrar no clima, trazemos uma seleção de vinhos argentinos que estão com tudo na temporada

Por Cristina Ramalho

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Depois de algumas taças, desajeitados também podem dançar tango, ao menos nas comédias de Billy Wilder. Em Quanto Mais Quente Melhor (1959), Jack Lemmon é a garota sortuda.

A mão do sujeito se estendeu à minha frente. Ele estava me chamando para dançar. Engulo a taça de vinho e me aprumo. Ele, um braço esticado, o outro dando a volta na minha cintura, a perna já em movimento. Cintilei. Olha só, eu na pista de uma legítima milonga em Buenos Aires. Nos braços de um legítimo portenho.

— Não sei bem os passos, você me ensina?

— No sabes bailar el tango?

— Sou brasileira, mas adoro dançar, aprendo rápido. Me ensina uns passos básicos que eu pego – falei toda sorridente, aquele clichê tropical de achar que uma boa lábia é capaz de quebrar o gelo.

— No. Así no se puede.

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O tiki tá com tudo

Os coquetéis tiki, inspirados nas ilhas do Pacífico na década de 1930, voltam à cena: coloridos, saborosos e – por que não dizer? – graciosamente cafonas. Em São Paulo você pode fazer um roteiro tropical e prová-los em bares como Frank, Barê, SubAstor e Brasserie des Arts

Por Sergio Crusco

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Imagem do livro Tiki Pop, de Sven A. Kirsten, que conta a história da moda tropical na coquetelaria

Numa dessas aventuras que a vida proporciona, lá fui eu viajar de navio pelo Mediterrâneo, com uma turma boa de copo e de piada. Trabalho pesado, não pensem que era só diversão. Mas uma das diversões, entre uma reportagem e outra para certa revista de celebridades, era ver quem pedia o drinque mais cafona, aqueles decorados com flores, mini guarda-sóis, cerejinhas artificialíssimas – e uma boa dose de doçura.

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No post anterior falamos sobre a chatice de quem entende de vinhos, esnoba com a grana alheia ou insiste em encher a taça do amigo. Aqui vamos ao dia seguinte – em especial para as moças que depois do pilequinho costumam declarar seu amor ou exagerar na sinceridade

Por Cristina Ramalho

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“Tenho a impressão de que esses meninos estão cheios de más intenções”

Tem aquele conto da Dorothy Parker, “Você esteve ótimo”, que é a definição da amnésia alcóolica. A clássica: você acorda sem saber onde está e quem é, e um simples telefonema de uma testemunha ocular dos escorregões aciona sua memória e a vontade de sair correndo para sempre. Dorothy descreve a moça que liga para o sujeito que pintou os canecos na noite anterior e vai contando, na base do “isso acontece, não esquenta” que o moço jogou lulas em su tinta no decote da esposa de outro. “Mas isso passa, mande flores para ela no hospital e tudo bem”. E conta que ele cantou. E que brigou com o garçom. E que chamaram a polícia. E a cada frase ele vai se horrorizando mais e mais.

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Bebendo com etiqueta

Tem o patrulhador de bebida alheia, o que não respeita o limite do outro, o que deita conhecimento sobre vinhos e cervejas que já provou. Reconheça os chatos e brinde elegantemente

Por Sergio Crusco

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“Ouvi dizer que esse dringue tá na moda, é sério?”


Não patrulhe o gosto alheio 
— Quer coisa mais irritante do que alguém dizendo que sua cerveja é fraquinha, que o vinho escolhido não é de alta gama, que caipirinha de saquê é moda do século passado? Quem age assim só nos leva à única e triste conclusão: é um chato. Comentários do gênero “isso é bebida de mocinha” ou “puxa, ela bebe feito homem” são perfeitamente dispensáveis. Cada um bebe o que gosta e o que pode.

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Chegou Primavera, a primeira cerveja do Eataly de São Paulo

Uma Witbier com alcaçuz, genciana e limão siciliano é a primeira a ser produzida no complexo gastronômico — colaboração da Academia Barbante de Cerveja com a Birra Baladin, marca italiana de respeito

Por Sergio Crusco

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Primavera, Sandro Botticelli, c. 1482

Quem vive numa cidade como São Paulo não consegue entender muito bem o que é primavera. É mais estado de espírito do que estação. Se o tempo não enlouquecer, esperamos dias de temperatura amena, tirar a bermuda do armário, o vestidinho esvoaçante, calçar o sapato arejado. Faltam uns jardins multicor por aqui, para celebrarmos a delícia de ver o mundo florir.

Sem eles ou praças crivadas de tulipas (quem mandou não nascer em Amsterdã?), vamos imaginando a primavera com ajuda de Botticelli: um bosque onde ninfas dançam, Vênus ao centro comanda a festa, Mercúrio protege a cena tentando afastar nuvens cinzentas, Cupido lança flechas às cegas – se colar, colou (opa, tem uma ninfa de olho no Mercúrio, repare). Zéfiro tenta possuir a ninfa Clóris  o que de fato acontece: encanta-se e a transforma em Flora, deusa da primavera, que aparece no quadro transmutada, toda colorida, com o vestido em bojo recheado de flores.

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