Bebendo com etiqueta

Tem o patrulhador de bebida alheia, o que não respeita o limite do outro, o que deita conhecimento sobre vinhos e cervejas que já provou. Reconheça os chatos e brinde elegantemente

Por Sergio Crusco

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“Ouvi dizer que esse dringue tá na moda, é sério?”


Não patrulhe o gosto alheio 
— Quer coisa mais irritante do que alguém dizendo que sua cerveja é fraquinha, que o vinho escolhido não é de alta gama, que caipirinha de saquê é moda do século passado? Quem age assim só nos leva à única e triste conclusão: é um chato. Comentários do gênero “isso é bebida de mocinha” ou “puxa, ela bebe feito homem” são perfeitamente dispensáveis. Cada um bebe o que gosta e o que pode.

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“De taça cheia, ela é um perigo”

Não encha a taça de alguém sem permissão  A dica veio de um enólogo e é preciosa. Tudo bem que você queira demonstrar gratidão e alegria de estar junto ao verter mais uma dose. Mas vai saber se a pessoa quer, se ela já não está no limite. Só sirva se ela pedir. Ou pergunte. Seja responsável apenas pela própria bebedeira.

Não insista para que alguém beba — “Ah, que mal vai fazer um copinho de cerveja? Ah, só uma, vai! Ai, que fracote…” O terror! Você não sabe por que razão a pessoa não bebe e ela pode estar nem um pouco interessada em explicar. Pode simplesmente não gostar, não querer beber aquilo que está sendo servido, estar tomando antibiótico, ter dentista no dia seguinte, estar amargando uma ressaca brava, ter feito promessa ou haver problemas bem mais sérios e íntimos por trás da recusa. Nem mais um pio. No means no, dizem sabiamente os americanos.

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“Já provou as trapistas austríacas, doçura?”

Não banque o expert — Você pode ter lido, degustado e viajado um bocado: conhece metade das cervejarias belgas, um quarto das vinícolas de Bordeaux, os bares mais descolados de Tóquio. Mas há um método muito simples para saber se o interlocutor está a fim de absorver todo o seu conhecimento: quem está interessado pergunta, quem não está nem aí boceja. Guarde sua erudição para quando estiver entre connoisseurs. Deixe em paz quem apenas quer tomar uns traçados e falar bobagem.

Não quebre o orçamento alheio — OK, você tem gostos refinados e sabe fazer ótimas escolhas. Mas banque o próprio chiquê. Num jantar em que a conta será dividida, ao escolher um big de um vinho, pague a rodada. Ou adeque-se ao orçamento dos seus amigos.

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“Não disse? Mildred aprontou de novo”

Não seja fominha — Manja o encontro em que fica combinado de cada um levar uma bebida? Você chega lá e percebe que sua cerveja ou seu vinho são bem superiores à média. Compartilhe, sem a mínima menção de que aquela é uma bebida especial. Nada de esconder a garrafa num cantinho para bebericar sorrateiramente. É feio, todo mundo percebe e essa estará na lista das fofocas da semana, pode apostar.

Não ultrapasse os limites — Festinha da firma? Se puder inventar gastrite supurativa, trabalho de parto ou matar a mesma tia pela décima vez, muito melhor. Se for inevitável comparecer, nem pense em afogar o tédio na bebida. Aos primeiros sinais de que a coisa pode desembestar, vá de táxi. O final dessa história, quando não são tomadas as devidas precauções, todo mundo já sabe.

Nunca peça mais uma — Sobre isso já conversamos. Você lê aqui.

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Mais algumas noções de bom convívio etílico você lê aqui, no texto de Cristina Ramalho.

Isaurinha dá um show de finesse.

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Créditos das fotos: Reprodução

4 comentários sobre “Bebendo com etiqueta

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