Os drinques tropicais do Saldosa Maloca, na Ilha do Combu, Belém

A quinze minutos de barco da capital do Pará, a Ilha do Combu é um paraíso onde Dorothy Lamour faria bela figura, dançando um carimbó ou inebriando-se com caipirinhas de frutas nativas

Por Sergio Crusco

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Visual do Saldosa Maloca, na Ilha do Combu, à beira do Rio Guamá, 15 minutos de Belém

É assim mesmo, Saldosa com “l”. Quiseram fazer homenagem a Adoniran Barbosa, paulistaníssimo, no meio da paisagem luxuriante do norte. O moço que pintou a placa errou a grafia, nunca arrumaram, ficou por isso mesmo e virou marca registrada. O restaurante Saldosa Maloca é ponto turistésimo de quem está em Belém, fica na Ilha do Combu, a 15 minutinhos de barco, a partir do porto Princesa Isabel.

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Caipirinha da Dinda, delícia de taperebá

É tudo o que o visitante típico imagina: paraíso verde de onde se espera ver sair Dorothy Lamour dançando um carimbó e servindo tacacá quentinho, peixes amazônicos em fartas porções, passeios por igarapés, frondosas árvores de açaí, muito cacau, ambiance com direito a um mergulho no Rio Guamá e frutas tropicais, muitas. Os drinques do Saldosa Maloca trazem todo esse sabor, em combinações que na maioria das vezes têm exatamente o princípio da caipirinha (mas não levam o nome), assinadas pelo mixologista Alexandre Abreu, como informa Prazeres Quaresma, hostess do lugar e cheia de mimos com seus clientes.

Provamos a Caipirinha da Dinda (R$ 13,90), com cachaça Leblon, taperebá (conhecido no nordeste como cajá) e um mix especial. A Delícia Pai D’Égua (R$ 13,50) vem com rum Bacardi Big Apple, mix cítrico, muito maracujá e folhas de manjericão. Para um mergulho ainda mais radical na produção da ilha, prove o Saldoso Cacau (R$ 13,90), outra caipira com cachaça Leblon, mix agridoce e cacau, naturalmente, colhido nos arredores. O Néctar dos Deuses (R$ 15,60), drinque criado em homenagem aos 400 anos de Belém, leva sumo de cacau, licor artesanal de flores e vem com a borda crustada de chocolate 100% cacau (amarguíssimo) produzido por Dona Nena, a Filha do Combu, outra figura mítica da ilha.

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Saldoso Cacau. Com cacau, ora essa

Apenas um aviso a quem gosta de acidez: os drinques do Saldosa Maloca pecam um tiquinho pela quantidade de açúcar, que às vezes atrapalha a percepção das frutas. Nada que se resolva com um pedido ao bartender. Ou com um truque que costumo usar e funciona, em lugares onde não tenho certeza da mão adoçada do barman: peça a caipirinha sem açúcar e prove. Se é do azedume ou se a doçura da fruta já cumpre seu papel, às vezes nem é preciso pedir o açucareiro para temperar o coquetel à sua moda (o que algumas vezes gera olhares pouco amistosos de garçons, não no Saldosa, onde são sempre sorridentes). Agora, se você é mesmo do dulçor, vale provar o Égua de Ti (R$ 10,90), que mistura o licor Amarula com o tal chocolate do Combu.

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Bolinhos de pescada amarela com jambu

Para os comilões, um mundo de opções como tambaqui na brasa, camarões pescados na ilha, carne de charque com açaí (no Pará, o açaí não é lanche de marombeiro, é acompanhamento para pratos salgados), pirarucu ao leite de coco, caranguejos do mangue, bolinho de pescada amarela com jambu e tantos outros delírios paraenses. De sobremesa, o creme de cupuaçu ou os brigadeiros de Dona Nena, com nibs de cacau no lugar do granulado, são irresistíveis. Mas há quem prefira um simples pudim de leite, outro hit da casa que não tem nada de exótico – é pudim de leite tradicional mesmo. Adoniran, tenho certeza, não ligaria para o erro ortográfico e lamberia os beiços.

Vai lá: O Saldosa Maloca (Margem Esquerda do Rio Guamá, esquina do Igarapé Combu) funciona aos sábados e domingos. Durante a semana, só atende com reserva, para grupos de pelo menos 15 pessoas. De qualquer maneira, nos finais de semana, é bom reservar mesa para não dar de cara com a placa “Estamos Lotados”.  Ligue (91) 9.8148-8396 ou acesse o site do restaurante.

Leia mais sobre os drinques de Remanso do Bosque, em Belém, aqui

Músicas frutíferas e Saudosa Maloca com “u”

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Dorothy Lamour já catou o coco e outras frutinhas mais

Crédito das fotos: Sergio Crusco / Dorthy Lamour (Reprodução internet)

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