Empório Balica é opção bacana para vinhos, queijos e outras gostosuras em São Miguel do Gostoso, RN

Na pequenina São Miguel do Gostoso, litoral do Rio Grande do Norte, entre um mergulho mar, o kitesurf com o cabelo ao vento e a caminhada na areia, tem o Empório Balica, que vende vinhos ótimos. E serve queijos, ao som de jazz ao vivo

Por Cristina Ramalho / Fotos: Ana Ottoni

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Gilson Machado e seu trumpete: solos improvisados nas noites do Empório Balica

Quase todas as melhores coisas da vida vêm em dupla, né? Mar e sol, alguém de braços dados com outro alguém, frutas & vodca, Ella & Louis, queijo e vinho.  E igualzinho acontece num dia na praia, no futebol, nas pequenas e grandes ternuras da vida, o que é bom fica mais bacana quando surge o tal elemento surpresa. Taí a graça de São Miguel do Gostoso, cidadezinha a uma hora e meia de Natal, Rio Grande do Norte, bem na esquina do Brasil. Tem todos aqueles elementos clássicos: o marzão, a areia a perder de vista, o sol o ano inteiro, a calmaria na conversa à la Caymmi. Lugar de tomar caipiroscas (as da Rosana, no bar Madame Chita, que já citamos no Dringue, são imperdíveis porque vem também em dupla: com vodca e charme), ou cerveja gelada em pas-de-deux com peixinho estalando de frito, o maiô pingando depois da praia.

Eis que você dá uns passos a mais fazendo suish suish na areia de talco e dá de cara com uma lojinha colorida, mesas na calçada, gente papeando sem pressa, a cara de um Brasil pacato, como é se de esperar num vilarejo de praia do Nordeste ainda não lotado de turistas. Só que ali vende vinhos – na maioria, tintos argentinos e espanhois – e queijos finíssimos – mais bruschetas saborosas. Se você quiser também compra por lá shitake, um azeite trufado, o arroz arbóreo para o risoto. É o Empório Balica, de Gilson Machado, que fica na esquina da Praia da Xepa, no final da rua onde estão vários dos restaurantes coloridos e charmosos de Gostoso.

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A placa do Balica: queijos, vinhos e papo

Gilson juntou o melhor dos mundos nesse pequenino bar/loja. Tem um quê artesanal, rústico – ele mesmo pintou cadeiras, customizou lustres com rolhas, inventou outros jeitos de pendurar copos, guardar objetos – e tem vinhos, taças, temperos, queijos, como se estivéssemos num empório de uma capital. “Eu fui aprendendo, comprei vários livros de vinhos, tô cada dia procurando saber mais”, diz ele, que nasceu e foi criado em Gostoso, cresceu entre o mar e as prateleiras de comidinhas: sua família é proprietária de um dos supermercados da cidade. Só foi se interessar por negócios de comes e bebes nos últimos tempos, mas – o trocadilho é irresistível – achou sua praia: além do Emporio, que só funciona das 18h30 em diante, ele toca durante o dia o restaurante Pimenta Rosa e o bar Manga Rosa, ambos na Pousada dos Ponteiros.

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Gran Legado, um dos bons espumantes brasileiros servidos no local

O que se bebe ali? Um Malbec saboroso, como AltoSur, produzido na Argentina pela Finca Sophenia. Um chileno Carmenére da vinícola orgânica Emiliana. Rótulos da região francesa Costières de Nîmes. O Mina Velho, português saboroso da região de Lisboa, elaborado com as uvas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Castelão. Ou o espumante brasileiro brut Gran Legado, da Serra Gaúcha… “Não temos vinhos caríssimos, raros, porque não é o perfil do nosso público. Temos bons vinhos para quem quer tomar uma garrafa com os amigos, ou uma taça, comer uma coisinha antes do jantar, ouvindo música boa”, fala Gilson. O Balica é um lugar de sentar e ver quem passa, versão tropical de um café parisiense. Quem sabe encontrar quem você viu na praia de manhã, marcar um passeio até Tourinhos, e de repente pensar que pode mudar de vida. Lá em Gostoso tem um vento que refresca a cuca e ventila com mais força o eterno desejo de dar uma banana para o patrão e montar seu negocinho à beira mar.

Até o próprio nome da cidade surgiu espontâneo  de uma história dupla, de dois dos seus moradores. Um comerciante que se curou depois de uma promessa a São Miguel Arcanjo e construiu a igreja onde quase todo mundo se encontra, e um sujeito boa praça que ria gostoso contando anedotas, o que mais tarde daria duplo sentido ao slogan da cidade: Aqui se faz Gostoso. Deus e a malícia, a dupla de amores de tantos  brasileiros.

E falávamos em surpresas, não é? O som, aqui no Balica, é quase sempre jazz ou bossa nova. Muito Frank Sinatra, que Gilson adora, muito Tom Jobim, Elis Regina, Tony Bennett. A surpresa é que vira e mexe o Gilson dá uma canja ao trompete, ele adora tocar.

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Charme caseiro logo na chegada

Frank, Tony, Elis & Tom: um pouco da trilha sonora do Empório Balica

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