Guilhotina Bar une descontração e drinques surpreendentes em Pinheiros

O novo empreendimento do mixologista Márcio Silva já nasceu famoso, com coquetéis autorais, pouca pompa e muito espaço para o povo interagir

Por Sergio Crusco

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Ambiente do Guilhotina bar: chique sem perecoteco, com cara de boteco de bairro

Mal abriu, no final do ano passado, o Guilhotina Bar virou um daqueles sucessos instantâneos, do tipo “está por fora quem ainda não foi”. Fica num imóvel simples da Rua Costa Carvalho, Baixo Pinheiros, entre Faria Lima e Marginal, pedaço que já conta com um punhado de opções bebíveis e comíveis bem recomendáveis: o Empório Alto de Pinheiros (a Aparecida do Norte dos cervejeiros), o Horta Café e Bistrô, a pâtisserie de Nina Veloso, o Delirium Café (outro point das grandes cervejas), o restaurante Nou, o Piú, o Oui, o Ruella, a Confeitaria Dama e outras perdições. No mapa estendido da região, o Guilhotina entra na categoria “bares abertos pelos próprios bartenders”, como o simpático e bom de preço boteco Paramount (de Netinho, ex-Astor), o aconchegante e caseiro Guarita (de Jean Ponce) e o elétrico Biri Nait (de Talita Simões).

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Queens Park Swizzle, coquetel de Trinidad e Tobago que não está na carta, mas é um dos clássicos disponíveis

“Um dos meus sócios costuma brincar que Vila Madalena, Jardins e Itaim são Manhattan. Aqui estamos no Brooklyn”, diz sobre o charme do pedaço o mixologista Márcio Silva, a bordo do balcão do Guilhotina, onde não se corre o risco de acabar como Maria Antonieta. O slogan do bar é “lose your head”, mas não de perder a cabeça no sentido de se impacientar e cometer loucuras. “É um lugar para relaxar, esquecer problemas, levar a mente para outro lugar”, explica.

O clima do Guilhotina colabora com a proposta de descompromisso e pouca pompa: paredes de tijolo aparente, menos mesas e mais cadeiras altas para o povo interagir, poucos e divertidos perecotecos na decoração (adorei o Pica-Pau e o pink flamingo que é mascote do lugar) e uma iluminação que, à noite, tinge de âmbar o salão. Eu prefiro chegar cedo, à luz do dia, ainda mais nesse horário de verão que logo acaba (o bar abre às 17h). É a hora boa para conversar com os bartenders e talvez vê-los preparar as bases dos drinques que serão servidos mais tarde. Aí começamos pelo que interessa, tampouco há endereço moderninho que sobreviva sem sustança, o que há de sobra no Guilhotina.

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Ponto G, um dos hits do Guilhotina: vodca com chá verde e capim santo, licor de ervas, maçã, limão e bitters

Nesse lugar de pouca frescura, a média exata entre o chique e o boteco de bairro, Márcio conta que trabalha com o conceito de desperdício quase zero e, com isso, consegue produtos cheios de sabor e aroma, a um custo mais camarada, que repassa para o cliente. Cascas de abacaxi são infusionadas na cachaça ou no rum, o que resulta nos saborosos Piña (Des)colada (R$ 29, rum, limão, absinto e xarope de açúcar demerara) e Dixie Bitter (R$ 29, rum, triple sec, cítricos, Angostura). Com sementes de maracujá e especiarias, Márcio também tempera seus destilados, conseguindo efeitos especiais e personalidade para seus coquetéis. “O Guilhotina é a soma de todos os ‘nãos’ que ouvi nos meus trabalhos de consultoria”, diz ele, atestando seu toque pessoal em tudo.

A carta conta basicamente com opções autorais de Márcio, com longa experiência pelo mundo e no Brasil, atrás do balcão, fazendo treinamentos ou criando cartas para bares e restaurantes. Os clássicos não estão listados, mas podem ser preparados de acordo com a disponibilidade de ingredientes ou a partir das sugestões do chefe. Foi assim que conheci o Queens Park Swizzle, típico de Trinidad e Tobago, com o tal rum de especiarias da casa, limão, muito hortelã e muito bitter de Angostura. Nada a ver com o Mojito. Apesar de refrescante, é bem mais aromático no nariz e na boca. E bastante alcoólico. Faz a cabeça em uma dose. Tá, pode perder a cabeça um pouquinho, mas não vá se perder por aí.

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Pica-Pau dá as boas vindas

Vai lá: Guilhotina Bar, Rua Costa Carvalho, 84, Pinheiros, SP, tel. (11) 3031-0955. De quarta a sábado, das 17h à 1h. Depois do Carnaval, atenção, o bar tem planos de abrir nos outros dias da semana.

Sons cabeçudos

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Crédito das imagens: Leo Feltran/Divulgação (Ponto G), Sergio Crusco (demais fotos)

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