O Clericot de Iemanjá: leve, cítrico, refrescante e perfumado

O mixologista Rodolfo Bob criou um Clericot especial para a Mãe do Mar, com frutas e flores brancas, perfume de sabugueiro, mel e aroma de alfazema – tudo como manda a tradição. O drinque perfeito para aquela tarde de verão que a gente nunca quer que acabe

Por Sergio Crusco / Fotos: Marcos Muzi

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Espumante brut, aromas, frutas e flores claras são a essência do Clericot de Iemanjá

A fagulha da inspiração cintila dos jeitos menos esperados, até de uma conversa digna de esquete da Praça da Alegria. Estávamos Rodolfo Bob e eu batendo papo num bar, música tuntz-tuntz vibrando no ar, à espera de saborear os drinques de uma nova carta na cidade. Foi quando eu disse:

– O bartender vai fazer um Clericot de Limoncello, estou doido pra provar.

– Clericot de Iemanjá? – ele perguntou.

– Não. Li-mon-ce-llo!

Rimos da tirada de Velha Surda. Mas a musa, mesmo que confusa, se manifestou:

– Cara, já viajei aqui no que seria o Clericot de Iemanjá…

Combinamos de prepará-lo “um dia desses”.

Os dias passaram, mas o 2 de fevereiro veio chegando e resolvemos colocar a conversa em prática. Mutirão entre amigos, “cada um traz um espumante brut”, frutas bem escolhidas, aromas de flores, licor. Mel para adoçar, boca boa para provar a novidade.

“Os rituais de Iemanjá levam flores e frutas brancas, suas comidas são leves. Desenvolvi o conceito do drinque com vodca de pera, rosas brancas e a alfazema usada em banhos e oferendas. O mel é símbolo de prosperidade e o perfume não pode faltar, por isso escolhi um licor à base de flor de sabugueiro que, além de entrar na receita, é borrifado na taça para que o coquetel fique bem aromático”, explica Bob, mestre em mixologia na escola O Bar Virtual.

Do lado de cá, de quem ama drinques cítricos e espumante brut, adorei a harmonia perfumosa, o toque doce discreto do mel e a mordiscadas nas frutas envoltas em tantos sabores. Clericot, todo mundo sabe, é bebida de verão, de se fazer e beber com calma, na paz, torcendo para que a tarde não acabe. Aqui ou em outras paragens haverá sempre um bom motivo para levantar a taça e brindar às moças de todas as águas. Pode ser na Amazônia, para Iara. Às margens do Reno, Lorelei. No mar da Noruega, a Sereiazinha. Numa ilha grega, Tétis. No mar do Brasil, Iemanjá.

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CLERICOT DE IEMANJÁ

Receita do mixologista Rodolfo Bob

1 e ½ xícara de uvas verdes thompson sem sementes, cortadas ao meio

2 limões sicilianos, cortados em pedaços pequenos, com a casca

3 pêssegos maduros, cortados em pedaços pequenos

½ maçã verde grande, cortada em fatias finas, sem o miolo

Suco de limão a gosto

4 galhos de alfazema

Pétalas de 2 rosas brancas

200 ml de vodca Grey Goose La Poire

40 ml de xarope de mel (ou mais, se quiser uma bebida mais adocicada)

40 ml de licor de flor de elderflower St. German

Espumante branco seco a gosto

Gelo abundante a gosto

Modo de preparo

Higienize bem as pétalas de rosas e os ramos de alfazema com hidrosteril (rosas e plantas ornamentais não são exatamente indicadas para uso gastronômico, é recomendável encomendar rosas ou outras flores brancas de fornecedores que as cultivem para fim culinário).

Corte as uvas, os pêssegos, o limão e a maçã. Enquanto prepara tudo, deixe as fatias de maçã embebidas no suco de limão, para que não pretejem.

Coloque primeiro as uvas numa jarra grande, bonita e transparente. Macere alguns bagos suavemente, para que desprendam aroma e sabor. Coloque os limões, os pêssegos, a maçã e as pétalas de rosa na jarra.

Despeje a vodca, o licor, o xarope de mel (prepare-o misturando uma medida de mel para uma medida de água quente, espere esfriar antes de usar) e mexa com uma colher de bar, para agregar os sabores das frutas, das bebidas e do mel.

Ponha bastante gelo na jarra, mexa mais um pouco e despeje o espumante previamente gelado lentamente, para que não perca a perlage, até completar. Mexa mais um pouco, bem suavemente.

Decore com os ramos de alfazema e sirva em taças bojudas e transparentes. Borrife algumas gotas de licor St. Germain sobre as taças, para perfumar.

Dez canções da Mãe do Mar

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