Cervejaria Dádiva chega com pelotão de cervejas encorpadas para aquecer esse inverno

Tem o trio de Russian Imperial Stouts Odonata (com passagem em madeira usada no envelhecimento de destilados), mais uma Barley Wine, uma Tripelbock e uma Imperial Porter. Desculpa para espantar o frio com cerveja não falta!

Por Sergio Crusco

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As Odonatas #4, #5 e #6, cada uma repousada por três meses em barris usados para rum, single malt e cachaça, respectivamente

Ui, chegou a frente fria. Aquela que todo mundo temia. Em vez de reclamar da situação polar no Facebook, que tal agasalhar-se com alguma bebida encorpada, alcoólica, calorosa? A cervejaria paulista Dádiva foi uma das que bem se preparou para a estação com um grupo de rótulos poderosos e robustos lançados recentemente. Senta que lá vem muita novidade…

Durante essa semana, alguns bares paulistanos receberam chope e garrafas da Russian Imperial Stout Odonata, numeradas como #4, #5 e #6. Elas seguem a tradição da série formada por #1, #2 e #3 no ano passado: uma mesma Stout com passagem por madeira e incrementada com algum tipo de intervenção sugerida por um colaborador convidado (no caso das três primeiras, adição de baunilha, café e frutas vermelhas).

Para o novo trio, apresentado no Empório Alto dos Pinheiros, a brincadeira foi diferente: três especialistas em destilados foram convidados para criar junto com a Dádiva. Barris usados para o descanso de rum, uísque e cachaça entraram na dança. A mesma Stout com 12% de álcool, elaborada pelo mestre-cervejeiro da Dádiva, Victor Marinho, foi tratada de maneiras diferentes, com resultados obviamente distintos.

trio odonata
O trio de colaboradores da série Odonata 2017: Cesar Adames, Dinah Paula e Maurício Porto

A Odonata #4 foi bolada pelo especialista em bebidas e charutos Cesar Adames, que teve a ideia de defumar parte do malte com folhas de tabaco da região cubana de Pinar Del Río e depois descansar a cerveja em barris de carvalho americano usados para rum. O defumado aparece no aroma e no paladar de maneira bem sutil, com um toque herbal. Segundo Victor Marinho, foi a que ficou com o corpo mais leve das três e também a mais seca. (Foi a que mais curti, mas essa é opinião bem pessoal mesmo, já que secura e defumê são duas características que costumo apreciar nas bebidas).

A Odonata #5 foi feita com a colaboração do especialista em uísque Maurício Porto, autor do blog O Cão Engarrafado. A Stout também descansou em carvalho americano, em barris usados por um famoso single malt cujo nome Maurício preferiu não revelar. Mas o que importa é o resultado: bem equilibrado, redondo, com baunilha presente no aroma e notas doces bem leves no paladar. A harmonização sugerida foi brownie de chocolate com calda preparada com a própria #5.

A Odonata #6 com certeza será apreciada para quem quer ser aquecido imediatamente nesse inverno. Os barris de carvalho francês providenciados pela parceira Dinah Paula, destiladora da cachaça Quinta das Castanheiras, de Camanducaia (MG), haviam acabado de ser esvaziados para abrigar a cerveja. O resultado é bem pinguço, sem dúvida. O aroma de cana “grita” e, das três, é a que traz mais sensação alcoólica ao paladar. Achei interessante o extremo entre o tostado da Stout e o punch da pinga. Mas esse “conflito” tende a ser suavizado com algum tempo de guarda, como veremos adiante.

O preço sugerido das garrafas rolhadas de 375 ml é R$ 42. Elas estão no EAP em garrafa e chope e em outros bares da cidade como Cateto Pinheiros, Rota do Acarajé e Admirals Place, outros pontos em que aconteceu o lançamento da série.

Cervejas de guarda

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status quo., Barley Wine da Dádiva em parceria com a Trilha: adição de coco, baunilha e cacau, passagem por carvalho e previsão de guarda de 10 anos

Cervejas envelhecidas em madeira, embora produzidas por várias casas nacionais, são um dado novo para o consumidor brasileiro. Como lidar com elas? Guardá-las? Não estar nem aí para o seu potencial de evolução e bebê-las logo de uma vez, como se não houvesse amanhã? No caso da linha Odonata, Victor Marinho sugere que se espere cerca de seis meses para fazer uma primeira prova após a guarda. “O álcool já deve estar mais arredondado e menos agressivo, mas acredito que ela atinja o auge entre um a dois anos de armazenamento”.

Comprovando a tese, tivemos a chance de provar uma parcela da Odonata com frutas vermelhas guardada por um ano por Paulo Almeida, proprietário do Empório Alto dos Pinheiros. A Imperial Stout envelheceu bem, o aroma das frutas vermelhas ainda é presente, somado a uma acidez que não se percebe nas suas “primas”. E a sensação alcoólica, de fato, estava bem dissipada. “Ela melhorou em todos os sentidos: o álcool está bem inserido, o amargor baixou levemente, está perfeito, o corpo mais aveludado e sem aspereza”, diz Victor.

Das novas experiências da Dádiva em cervejas envelhecidas, a status quo. (é assim mesmo, bem cool, com caixa baixa e ponto final), feita em colaboração com a cigana Trilha Cervejaria. É uma Barley Wine safrada, maturada em carvalho francês, com 12,5% de teor alcoólico e adição de coco, baunilha e cacau. Para o meu bico, um tanto adocicada, o perfume e o sabor do coco sobressaem. Mas quem sabe daqui um tempo ela esteja bem diferente. Seu prazo de validade é de 10 anos e, portanto, há chão pela frente. A garrafa de 375 ml está na faixa dos R$ 40.

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Tripelbock 28: caramelo presente

“Na verdade, estamos falando de experiências muito novas, não sabemos ao certo como essas cervejas vão evoluir e descobrir isso é exatamente uma das graças do negócio”, comenta Cesar Adames. Ele recomenda ao interessados em observar essa evolução a compra de algumas garrafas e sugere que se abra uma de três em três meses. Para armazená-las, deixe-as em pé, ao abrigo da luz em lugar seco e fresco. Se tiver uma adega climatizada, muito melhor.

Peraí… Tem mais cerveja!

Para quem tem mais pressa de espantar o frio com uma cerveja polpuda, a Dádiva também preparou, em parceria com o EAP, uma Imperial Porter com adição de cacau e blueberry (mirtilo) e 10,3% de álcool. Essa, a minha cara, com uma acidez bacana vinda da fruta e um final seco na boca. A Dádiva EAP Blueberry Imperial Porter é vendida em latas de 473 ml a preço sugerido de R$ 31.

Mais adocicada e mais alcoólica (12,9%), a Tripelbock 28 (R$ 32, garrafa de 375 ml) marca a parceria da Dádiva com as ciganas Avós e Mafiosa. Agrada bem a quem gosta de um toque de malte caramelado, típico do estilo. Já mais “antiguinha” nessa turma, lançada em maio, talvez esteja perto de acabar – foram produzidos 1,8 mil litros. Por isso, corra, se não quiser perder. Ou aguarde novidades: parte da produção da 28 foi armazenada em barricas de vinho do porto e deve servir de base para uma nova cerveja diferentona.

DÁDIVA: DOIS ANOS DE LIBERDADE CERVEJEIRA

Quando falamos sobre a Dádiva há dois anos, aqui no Dringue, tivemos a sensação de que se tratava de uma boa promessa. A Odonata, libélula que simboliza a marca, no entanto, foi muito além do que imaginávamos. Mais do que uma boa fábrica, comandada pela empresária Luiza Lugli Tolosa, firmou-se como usina de inventividade e liberdade cervejeira, apostando em estilos bem distintos e ajudando a quebrar preconceitos. Só para citar algumas experiências: a frugal Berliner Weisse com adição de limão, framboesa e amora (a Pink Lemonade, feita em parceria com a carioca 2 Cabeças), uma Stout dourada em que a adição de café dá a característica tostada (a Golden Stout) ou uma American Pale Ale com levedura brettanomyces e também a primeira cerveja brasileira a levar Cryo Hops, o tal pó de lupulina (a Lucid Dream, colaboração com a Suricato Ales).

Hoje a Dádiva também é a queridinha de muitos cervejeiros ciganos, entre eles nomes de peso como Dogma e Urbana, além de outros clientes menores que lotam a capacidade mensal de produção de cerca de 70 mil litros da fábrica da Dádiva em Várzea Paulista. Nesses dois anos foram 20 rótulos próprios e incontáveis encomendas de outros clientes, o que acabou levando a Dádiva a outros modelos de negócio. Hoje ela é parceira das cervejarias Avós e Mafiosa, cuidando de sua comercialização e distribuição. Também dispõe de espaço refrigerado de armazenamento para outros cervejeiros. Um pequeno império da cerveja de verdade.

cervejas inverno dadiva
Mais opções de inverno: Tripel Bock 28, status quo. Barley Wine 2017 e Dádiva EAP Blueberry Imperial Porter

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Créditos das fotos: Sergio Crusco (trios de cervejas) / Divulgação ou Reprodução do Facebook Dádiva (demais imagens)

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