As cervejas envelhecidas em madeira da Stone Brewing e outras belezocas

Nova leva de importação da icônica Stone Brewing traz ao Brasil alguns exemplares de strong ale envelhecidos em barris de bourbon. Também duas IPAs com características bem distintas

Por Sergio Crusco

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A Arrogant Bastard Ale da Stone e suas primas mais velhas, Double Bastards envelhecidas em carvalho: gostosas demais

Cervejas envelhecidas em madeira estão na onda e são assunto cada vez mais presente nas rodas de apaixonados. Recentemente falamos aqui da série Odonata da Dádiva (que se esgotou rapidamente, olha que sucesso). E o Dringue continuou nessa pegada participando de uma degustação de cervejas “amadeiradas” daquelas de chapar o coco – nos sentidos figurado e literal. Entre as novas importações da mítica cervejaria americana Stone Brewing estão dois daqueles rótulos envelhecidos por quem o povo das cervejas extremas, raras e caras se rasga. Mas vamos começar pela base…

No novo lote trazido pela Buena Beer chega novamente, em chope e lata de 473 ml, um dos mitos da cervejaria californiana, responsável por várias receitas que se tornaram ícone e definição de estilo. A Stone Arrogant Bastard Ale (preço sugerido de R$ 36), uma Strong Ale com seus 7,2% de álcool e 100 IBU de amargor foi um de seus primeiros sucessos e é o que se pode considerar, na mais singela das descrições, uma porrada. Corpulenta, amargor gritante e secura no fim do gole, apesar da presença do malte caramelizado no paldar. Tudo funciona harmoniosamente, embora de fato seja uma cerveja para quem é dos extremos. A apresentação oficial da Bastard, uma joia da arrogância, avisa: “Essa é uma cerveja agressiva. Você provavelmente não vai gostar. É bem duvidoso que você tenha o gosto ou a sofisticação para apreciar uma ale dessa qualidade e dessa profundidade”.

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A Double Bastard, lançada anualmente em garrafas safradas

Chega também no pacote outro clássico da casa, a Stone Double Bastard, originalmente lançada para comemorar o primeiro aniversário da Arrogant, em 1998. De lá para cá, ela vem sendo engarrafada em edições safradas e, para o Brasil, chegaram umas poucas garrafas (650 ml) das safras 2011 a 2016. O que esperar delas? Infelizmente, nenhuma dessas cobiçadas garrafas foi apresentada na degustação. Porém, com seu teor alcoólico de 11%, acredito que a porrada seja mais bruta.

Mas veio o melhor. Sim, às vezes o melhor vem. As Double Bastards envelhecidas em carvalho, cada uma de um jeito. A Stone Southern Charred 2015 descansa cinco meses em barris de usados para envelhecer uísque no Kentucky. Esses barris queimados por dentro (charred) dão ao uísque as notas de mel, caramelo e especiarias, arredondando o destilado. Quando se coloca uma cerveja complexa como essas em barris que acabaram de abrigar o bourbon, os resultados podem ser extasiantes. A Southern Charred, com 12,6% de álcool, chegou ao meu nariz perfumosa, com aroma almiscarado, um tanto de amêndoa também no paladar, mais caramelo, toffee… Os lúpulos ainda estão lá, o amargor é presente, mas muito melhor inserido nesse mundo bem rico de sabores. Algumas garrafas da Charred 2014 também estão disponíveis no Brasil.

E quando a gente pensa que algo muito bom não tem como melhorar aparece a Double Bastard In The Rye 2016 – plaft! – o tapa na pantera. A percepção do uísque de centeio da pequena destilaria Templeton, de onde vieram os barris, é bem notável nessa cerveja de 12,7% de álcool, encorpadona, licorosa, com notas de frutas passas (sobretudo ameixa) no aroma e no paladar. Vem ainda algo de panificação, de baunilha e caramelo, como se fosse avó preparando um pão de mel cheiroso e gostoso. Algo indescritível. Manja uma cerveja que muda a vida?

O único problema com essas belezocas envelhecidas – sempre haverá algum, e este é dos graves – é o preço aqui no Brasil. Cerca de R$ 300 a garrafa de 500 ml. E nem vamos entrar no assunto falta de grana, que ninguém aguenta mais lamentação.

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Duas IPAs diferentes: a extrema e a fresquinha

O MONSTRÃO E O FANTASMINHA

Entre outras cervejas da Stone presentes na nova leva, há duas receitas curiosamente antagônicas. Ambas são India Pale Ales, mas com perfis tão diferentes que só comprovam as sutilezas e a maravilhosidade da arte de fazer cerveja alcançadas pela Stone, hoje a décima artesanal em tamanho nos Estados Unidos.

A Stone Ruination Double Ipa 2.0 (garrafa de 355 ml), como o nome indica, vem com sede de destruição, e com o diabão da marca fazendo uma pose ainda mais invocada no rótulo serigrafado (outra marca registrada da Stone). “Um poema líquido à glória do lúpulo”, diz o slogan. São seis: Magnum, Nugget, Centennial, Simcoe, Citra e Azacca, dos quais os aromas são maximizados pelas técnicas de hop bursting e dry hopping. Aromas potentes que batem de uma vez no nariz, como um soco, e penetram os miolos. O primeiro gole confirma o caráter lupuladésimo dessa IPA com 8,5% de álcool e 100 IBU. Mais uma cerveja para os fortes, sem dúvida.

A Stone Ghost Hammer IPA (lata de 355 ml), diz o povo de lá, foi feita em homenagem ao fantasma que causa uns barulhos esquisitões à noite na cervejaria. É uma sazonal perfeita para o verão, embora não seja exatamente uma Session IPA, pois tem 6,7% de álcool. Algo suavemente doce e notadamente cítrico vem no aroma. Na boca uma acidez elegante, tropical, bem tabelada com amargor sutil proveniente de um único lúpulo, o Loral. Uma cerveja fresca, fresca, fresca!

ABA
A Arrogant é um clássico da Stone: para quem gosta de força

Sei lá, tava num mood Specials hoje… Acho que combina com as cervejas.

 

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