Zoe Saldana estrela o novo filme de Campari, marca que sempre usou a arte para mandar seu recado

Campari, o amaro italiano mais célebre, lança o filme 2018 da série Red Diaries, com Zoe Saldana sob direção de Stefano Sollima. A marca tem uma longa história de conversa com as artes visuais e com a vanguarda, desde quase um século. Saiba um pouco mais e aprenda novas receitas de coquetéis de Márcio Silva, do Brasil, e Pipi Yalour, da Argentina

Por Sergio Crusco

Lead protagonist Mia Parc_ played by Zoe Saldana_ enjoying the perfect Campari cocktail
Zoe Saldana em vermelho no filme The Legend of Red Hand

Era bonito de ver.  Meu avô David enchia um copo gordo e longo com gelo, vertia Campari até a boca e arrematava o drinque com uma rodela de limão. O copão vermelho durava os longos minutos que antecediam o almoço de domingo e eu ficava maravilhado com aquela cor, achava chique alguém beber aquilo. Mas uma pequena e consentida prova me fez perceber que eu estava longe de alcançar nível de sofisticação parecido ao dele: o treco era amargo demais.

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Poster criado nos anos 1920 pelo ilustrador Leonetto Cappiello, com o personagem Spiritello, que personificou o Campari

Ao longo da vida fui me acostumando ao amargor das bebidas e à amargura de coisas não exatamente bebíveis. E com a constatação de que quem gosta de bebidas amaras não é necessariamente uma pessoa de requinte e vice-versa. Porém, no que dependeu da marca de bitter criada em 1860 por Gaspare Campari, a ideia de ser fino bebericando algo vermelho e amargo esteve bem difundida durante o último século até os dias atuais, quando dizer-se fã de Negroni cai muito bem em certas rodas.

A partir dos anos 1920, Davide Campari, filho de Gaspare, reuniu alguns dos artistas visuais mais prafrentex da Itália para tratar de lobotomizar, com charme, o público. O ilustrador Leonetto Cappiello, um dos pais da propaganda moderna, o sujeito que ajudou a definir o que é um pôster publicitário, foi um dos primeiros. Seguiram-se o futurista Fortunato Depero (que também desenhou a garrafinha do Campari Soda, fabricada até hoje), Carlo Fisanotti, Attilio Rossi e Giovanni Mingozzi, entre outros.

A obra desses artistas, fundamentais no imaginário da sociedade de consumo do século 20, está espalhada pelos museus de arte moderna do  mundo. E o acervo que pertence à marca, reunido na Galleria Campari, em Milão, museu onde também acontecem mostras temporárias, como a Bike Passion, que mostrou a relação da marca com o ciclismo, e uma reinterpretação do ícone etílico vermelho por Romero Britto (há quem diga que isso, de fato, é que é de amargar).

campari_fortunato_depero
“O senhor aceita um Romero Britto?” / “Não. Prefiro um Fortunato Depero”

A história do amaro Campari na publicidade da televisão e das salas de cinema também está resguardada na galeria, em peças dirigidas por grandes cineastas. Federico Fellini fez uma delas, em 1984, usando a linguagem dos sonhos numa historinha de um minuto envolvendo dois personagens que viajam de trem e transformam a paisagem que veem.

Os anos 2000, era das celebridades, trouxeram Salma Hayek, Penelope Cruz, Uma Thurman, Kate Hudson e outras bonitonas clicadas pelo fotógrafo mais quente de cada estação, em calendários e anúncios onde o vermelho sempre foi mandatório. Desde o ano passado, com o lançamento de Killer In Red, estrelado por Clive Owen, o Gruppo Campari adaptou sua estratégia ao buzz das redes sociais com filmes de curta duração e historinhas que buscam a sensação de mistério (embora não pareçam exatamente terem saído da cachola de alguém como Hitchcock).

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Mãos vermelhas em instalação feita no Mirante 9 de Julho, SP, para o lançamento da campanha

A campanha Campari Red Diaries de 2018 é estrelada por Zoe Saldana, interpretando Mia Parc (anagrama de Campari, oh!) no filme The Legend of Red Hand, dirigido pelo romano Stefano Sollima. Ela é incumbida de resolver o grande mistério: quem é Red Hand, o bartender oculto que prepara os coquetéis perfeitos e mais inebriantes ao redor do planeta? Já mandamos o spoiler: Red Hands são seis mixologistas escolhidos pela marca para dar uma aparecida discreta no filme (nunca de frente) e, na vida real, criar um coquetel inédito. Com Campari, claro.

Um destes bartenders é o nosso Márcio Silva, sócio do paulistano Guilhotina Bar, que na noite do lançamento do filme no Mirante 9 de Julho, em São Paulo, apresentou seu drinque, o Lampone Sbagliato. Marie Rausch (Alemanha), Pipi Yalour (Argentina), Leo Robitschek (EUA), Mattia Pastori (Itália) e Rich Woods (Reino Unido) completam o time dos seis mãos vermelhas.

Mostramos a seguir duas receitas. A de Márcio, que quis criar algo agradável ao paladar brasileiro, leva framboesas e está no centro de uma das mais acaloradas polêmicas entre bartenders no momento: o uso (ou não) de esferas ou cubos de gelo em taças martini ou coupe. (Acho lindo, mas já tretaram comigo no Facebook por causa disso, então faz de conta que não disse nada). A de Pipi é uma tônica de Campari com um toque de café e hibisco. Ambas não têm grandes e complicadas mixologias, são fáceis de serem reproduzidas em casa, são gostosas e estão longe de ser simplórias como o Campari com gelo e limão do meu avô.

Lampone sbagliato_Marcio Silva_Rio de Janeiro_LR

RECEITA DE LAMPONE SBAGLIATO

Do mixologista Marcio Silva, Guilhotina Bar, São Paulo

Ingredientes

30 ml de Campari

30 ml de vermute tinto Cinzano 1757

10 ml de crème de framboise

7 framboesas,

5 ml de Prosecco ou outro espumante seco

1 lance de bitter de laranja

Casca de laranja para aromatizar e decorar

Modo de preparo

Macere as framboesas numa coqueteleira e adicione o Campari, o vermute e o licor de framboesa, o  lance de bitter de laranja. Adicione gelo e bata bem. Faça a coagem fina para uma taça coupe pré-resfriada e com uma esfera de gelo. Adicione o Prosecco sobre o coquetel e mexa suavemente com a colher de bar. Finalize com um zest de casca de laranja.

Tonica italiana_Pipi Yalour_Buones Aires_LR

RECEITA DE TONICA ITALIANA

De Pipi Yalour, mixologista e parceira do blog ChicasBarra

Ingredientes

45 ml de Campari

10 ml de café cold brew (você encontra nas cafeterias mais bacanas)

Água tônica

Tintura de hibisco (encontrada em farmácias de manipulação ou preparada em casa, como o EHow ensina aqui)

Modo de preparo

Num copo longo, cheio de gelo, adicione o Campari, o café cold brew e duas gotas de tintura de hibisco. Complete com água tônica e mexa suavemente com a colher de bar. Decore com uma flor comestível.

Assista aqui ao novo filme de Campari e, abaixo, o comercial dirigido por Fellini em 1984

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Créditos das imagens: Divulgação (Zoe Saldana e coquetéis), Reprodução (cartazes antigos), Sergio Crusco (Red Hands)

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