Os drinques suaves e refrescantes do Bia Hoi, boteco vietnamita de SP

Com novas opções no cardápio de drinques, criadas pelo mixologista Rafael Mariachi, o pequeno Bia Hoi, no centro da cidade aumenta a oferta de aromas e sabores. O endereço é a pedida certa para quem quer descobrir o lado delicado da comida do Vietnã

Por Sergio Crusco / Fotos: Keiny Andrade/Divulgação

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Kombucha Vermelha: o refresco que já fazia sucessona casa agora ganha um up com vodca e limão

O Bia Hoi nasceu no final do ano passado no centro de São Paulo e chegou chegando. Com tão poucas opções de comida vietnamita na cidade, o pequeno e charmoso lugar chefiado por Dani Borges atraiu a curiosidade de gulosos e novidadeiros, virou sucesso instantâneo e é raro um sábado sem fila na porta. Comidinhas frescas, molhos cheirosos, ervas e especiarias, friturinhas crocantes com recheio de carne de porco que caem bem com cerveja ou outras gulodices sem bicho dentro, para os vegetarianos. Tudo isso e mais um pouco faz parte da sedução do lugar, além do preço justo.

Agora ficou mais gostoso dar um pulo lá: a carta de drinques ganhou um bom reforço com cinco novas receitas elaboradas pelo mixologista Rafael Mariachi. “Pedimos que ele mantivesse um perfil de frescor em todos os drinques, nada muito alcoólico ou quente”, conta Dani. Para entrar nessa onda logo de cara, a boa pedida são os drinques à base de Kombucha, bebida que faz tanto sucesso na casa quanto o chope. A Kombucha Verde tem base de limão e gengibre, é incrementada com uma dose de vodca Absolut e um twist de capim-limão. A Kombucha Vermelha é de hibisco e abacaxi, com a mesma vodca e mais um perfume de limão. Ambas custam R$ 34.

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Bloody Mekong: versão do Mary com o molho de peixe usado em vários preparos vietnamitas

Dois drinques clássicos passaram por pequenas transformações para ganhar ares orientais. O Mojito Jasmim (R$ 27) tem xarope de jasmim para dar o toque de dulçor à receita de rum (Havana Club 3), limão, hortelã e água com gás. Mas o toque de exotismo fica por conta do Bloody Mekong, versão Bia Hoi do Bloody Mary temperado com o molho de peixe usado em alguns pratos da casa, substituindo a tradicional pitada de molho inglês. Pode ser pedido com vodca Absolut (R$ 26) ou Tiiv (R$ 27). Ficou bem suave (eu coloquei uma pimentinha Sriracha a mais, pois gosto de Bloody Mary pegando fogo) e com um sabor sutilmente al mare.

Houve quem franzisse o nariz para a novidade:

– Aaaaaihnnn, peixe no drinque! – reclamou uma moça que parecia ter chegado com sede de treta.

Eu, que certamente não me daria nada bem nesses momentos em que a hospitalidade precisa sobrepor a vontade de dar uma resposta curta, teria mandado: “ué, não acha bom, não pede”.

Mas Dani Borges é uma lady:

– O molho inglês tradicional com que o Bloody Mary é temperado é feito de anchovas, querida.

Chapeau.

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Hanoi Gim Tônica: o clássico com um perfume a mais de capim-limão

De maneira geral, no entanto, os clientes do Bia Hoi são jovens, felizes e abertos ao diferente. Adaptáveis também. “Já estou avisando aos clientes que a temporada de jaca está acabando. Ou ponho uma placa na entrada: ‘Jaca só em novembro’”, diverte-se Dani, que já pensa em alternativas para o adocicado drinque inaugural da casa, a Jaca Amiga (R$ 26/27), mescla de compota de jaca e vodca. A base cozida da fruta em que volta e meia enfiamos o pé, por gosto ou descuido, também entra na composição do créme brûlée apelidado de French Quarter. É tão pedido quanto o Hanoi Gim Tônica (R$ 26, Beefeater e R$ 27, Araporu), o drinque tradicional com infusão de capim-limão, portanto menos suscetível ao vai-vem sazonal.

Enquanto houver dill, porém, estou bem. O Sweet Dill (R$ 26) é uma das receitas mais simples do Bia Hoi (xarope de dill, gim Beefeater e limão) e perfeitamente adequada a quem quer um trago leve, bem equilibrado e muito aromático. É uma limonada de gim, só que perfumosa – e gostosa. Dá vontade de beber um litro pelo menos, embora as consequências desse ímpeto costumem ser desastrosas. Na versão original de Rafael Mariachi, que teve a ideia de usar a erva delicadinha, era para ser um drinque mais alcoólico, servido na taça coupe, tipo uma variação do Gimlet. Mas Dani (que confessa não ter acreditado, no começo, ser possível um drinque com dill) pediu uma opção mais refrescante, com a cara da casa e com gelo no copo.

Cerveja também não pode faltar, ainda mais porque Bia Hoi, no Vietnã, quer dizer tanto o lugar onde se bebe o chope quanto o chope em si. Ou seja, boteco. O chope da casa é o Blondine Helles. Há outras opções em garrafa da mesma cervejaria (IPA, Weiss, Witbier), mas em breve a carta conta com o reforço de outras marcas. A pedido dos clientes.

Gulosa obsessão

Por sazonalidade, inquietação, pedidos do público ou pura novidade, em pouco tempo Dani já mexeu algumas vezes no cardápio do Bia Hoi, como fez agora com os coquetéis. “São muitas receitas na fila, muita vontade de colocar em prática o que aprendi a fazer, mas vamos com calma, mudando aos poucos e de acordo com a temporada dos melhores ingredientes”, diz ela.

A paixão toda começou em 2013, durante a primeira viagem de Dani ao Vietña. “A comida foi a primeira coisa que me conquistou no país. Era boa, barata, democrática, come-se muito na rua. Virou uma obsessão para mim: queria experimentar tudo o que pudesse. E aprender a fazer”.

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Cha ca la vong: prato à base de peixe, um dos mais pedidos no Bia Hoi

De volta ao Brasil, Dani buscou nos livros e na internet todas as informações que pudesse para começar a replicar os pratos vietnamitas que amou com os ingredientes encontráveis por aqui. Sentindo-se mais segura, abriu seu apartamento para a série Jantar no Centro, em que testou receitas e a receptividade dos convidados aos novos sabores. “Há uma ideia meio generalizada de que a cozinha vietnamita é apimentada, mas ela não é assim em todo o país. A culinária do norte é mais suave, tem mais presença de ervas e especiarias, e é dessa região que busco maior influência”, diz.

Com a recomendação do cônsul do Vietnã em São Paulo, Dani fez outra viagem ao país, dessa vez no estilo prova de fogo. Passou quatro semanas, cada uma em uma grande cozinha diferente, aprendendo na prática com os grandes chefs. A graduação in loco fez com que voltasse a São Paulo pronta para trocar a função de jornalista (é sócia do marido numa empresa de comunicação) pela de dona de restaurante.

Hoje pratos como o cha ca la vong (cubos de peixe marinados no tamarindo, servido com macarrão de arroz em caldo de peixe, com dill e amendoim) ou thit ko to (filé mignon de porco com molho de coco queimado, servido com arroz), começam a fazer parte do vocabulário gastronômico paulistano. Agradecemos.

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Sweet Dill: refrescância extrema em harmonia com o gim

Vai lá: Bia Hoi Viet Pub – Rua Rego Freitas, 516, tel.  (11) 3151-2508. Confira dias e horários de funcionamento no site da casa. Os drinques são servidos no horário do jantar e, aos sábados, desde o almoço até a noite.

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