Sakura L’Orient, o vinho japonês com flor de cerejeira dentro

O primeiro vinho japonês importado para o Brasil já é do tipo diferentão: vem com flores de sakura dançando alegremente no líquido. Uma bebida delicadamente doce, para quem quer ter a primavera na taça

Por Sergio Crusco

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Cerejeiras em flor à beira do lago do Palácio Imperial de Tóquio: hora do piquenique

Quem já esteve lá voltou dizendo maravilhas. Quem nunca esteve (como eu) sonha em visitar o Japão na primavera para curtir o florescer das cerejeiras, a sakura. O país vira festa, o povo se desfazendo das roupas pesadas de inverno e indo a ruas, praças e parques para fazer piquenique (o hanami) com bebidas leves e comidas frescas, lindamente arranjadas nas caixinhas de bentô.

O desabrochar das cerejeiras é algo tão importante na vida japonesa que há na televisão boletins anunciando seu florescer em cada região (tipo previsão do tempo), que começa no sul do país a partir de março e se estende para o norte. É um prazer efêmero, as flores duram pouco tempo enfeitando os galhos, cerca de duas semanas, o que alimenta uma das muitas simbologias que a sakura carrega, a fragilidade da nossa existência, a efemeridade. O carpe diem nipônico: aproveite o momento, que a vida é curta e, de vez em quando, bela.

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Florinhas bailando: uma delicadeza

Ter um fugaz aroma de sakura por perto agora é possível. Acaba de chegar ao Brasil o Sakura L’Orient, primeiro vinho japonês a desembarcar oficialmente no nosso mercado, fruto do corte de uvas Kochu e Muscat Bailey A, variedades bem adaptadas ao solo japonês. Um mimo: cada garrafa de 500 ml traz duas florzinhas de sakura, que boiam graciosamente no líquido e, avisam os supersticiosos, trazem sorte se caírem bem na sua taça.

Em termos legais, cá entre nós, o Sakura L’Orient não pode ser considerado vinho pela legislação brasileira, que o categoriza como “coquetel composto”, por causa do adjunto florido. Mas é vinho, sim, no Japão e em outros lugares para onde é exportado, como Estados Unidos e alguns países da Europa. Portanto, vamos tratá-lo como vinho. Vinho florido.

É um rosé muito pálido, quase transparente, de aroma francamente floral (precisaríamos prová-lo sem a adição das sakuras para saber se esse aroma vem exatamente das pétalas ou é puro resultado da assemblage das uvas). Na boca é suavemente adocicado, de acidez tímida. Tem teor alcoólico de 6%. Uma bebida muito delicada, que harmoniza com todas as sutilezas da culinária japonesa, como pudemos provar na noite de apresentação do produto, que aconteceu no fino Ryo Gastronomia, liderado pelo chef Edson Yamashita em São Paulo.

Trazer o L’Orient para o Brasil foi obra de uma negociação de três anos entre os produtores – a Adega Shirayuri, da região de Yamanashi, próxima a Tóquio – e a importadora paulistana Tradbras, especializada em bebidas e alimentos nipônicos. Quase todo vinho produzido no Japão é consumido ali mesmo, por isso é raro encontrar algum rótulo em outros cantos do mundo. “A produção de vinho no país é muito pequena, não tem para onde crescer. Por isso alguns produtores estão se estabelecendo na China, onde há muito mais terra”, explica Celso Ishiy, sommelier de saquê e diretor comercial da importadora.

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Uvas Koshu originam vinhos brancos leves e aromáticos

Celso ainda explica que o Sakura L’Orient tem outra particularidade que o torna mais disputado: as sakuras precisam ser colhidas no começo da floração e logo adicionadas à bebida, para que não oxidem. Além de limitada, a produção é sazonal, só haverá outra leva na próxima primavera. Vieram apenas cerca de 500 garrafas para o Brasil, que chegam ao consumidor final pelo preço de R$ 500 aproximadamente.

Aberto o caminho do vinho japonês no Brasil, a Tradbras pretende trazer mais rótulos, especialmente os brancos elaborados a partir da uva Koshu, um híbrido, provavelmente natural, de uva europeia com outras espécies da Ásia. São bebidas leves, frescas e delicadamente frutadas, próprias para quem quer levar a vida na base da eterna primavera. A Muscat Bailey A, que entra no corte do L’Orient, também é uma variedade muito comum no Japão, criada em 1920 pelo cruzamento das uvas Muscat de Hambourg (Moscatel Negra) e Bailey.

P.S.: Comi a florzinha no final, claro que não perderia essa. Alguns disseram que ela tem um leve amargor. Não notei, mas senti o veludo das pétalas de sakura na língua.

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O Sakura L’Orient harmonizado com sashimis no Ryo Gastronomia (SP)

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Koshu harmoniza com sukiaky? Não sei, mas adoro essa música

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Créditos das imagens: Tyoron 2/Wikimedia Commons (Cerejeiras em Tóquio) / Divulgação/Notícia Expressa (Garrafa) / Reprodução Koshu of Japan (Cachos de Uva Koshu) / Miriam Lago/Notícia Expressa (Sashimi com Taça)

2 comentários

  1. Boa tarde Sérgio,

    Foi um prazer ter a oportunidade de apresentar a pessoas de sua estirpe, este nosso produto exclusivo, espero poder nos encontrar em outros lançamentos da Tradbras em breve.

    DAVI BELLINI

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