As cervejas da cearense Bold Brewing vão mexer com os seus sentidos

A Bold Brewing, marca cigana de Fortaleza, é cervejaria para seguir que nem fã de rock, acompanhando cada passo do ídolo. Ela chega ao mercado com duas receitas que venceram vários concursos caseiros pelo país: a Psychedelic Weisse, com pitaya e goiaba, e a Vermont Juicy IPA, uma New England equilibradíssima

Por Sergio Crusco

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Vermont Juicy IPA: harmonia dos lúpulos Simcoe, Citra e Mosaic

Tem cervejaria que é igual a rockstar: o povo acompanha todos os lançamentos, pendura pôster na parede, compra camiseta, boné, coleciona taça. Por trás da adoração, não basta ter uma cara bonita, artes impressionantes na lata ou na garrafa ou nomes cativantes e bem humorados para cada receita. Dentro tem que ter qualidade. A cearense Bold Brewing tem todos os elementos para virar cervejaria frisson e conquistar multidões de tietes. A começar pelo que interessa: a cerveja que faz.

A ideia da marca foi cozinhada lentamente na panela do tempo. Encurtando bastante a história, o cirurgião dentista Rodrigo Campos era blogueiro que virou cervejeiro caseiro e agora é empresário do ramo. Com a distinção de que papou tudo quanto é prêmio nos concursos em que se inscreveu, abarcando uma gama de estilos ampla, da leve Berliner Weisse à encorpada e alcoólica Barley Wine. “O que me fascina no mundo da cerveja é a diversidade”, diz Rodrigo, que mesmo desconfiando de certas tendências, testou seus limites. “Achava a New England IPA uma cerveja de cor feia, mas quis fazer mesmo assim, para ver no que dava”.

Deu: a Bold Vermont Juicy IPA é a tal feiosa, que ganhou medalha de ouro no Concurso de ACervAs (Associação dos Cervejeiros Artesanais) do Norte, Nordeste e Centro-Oeste em 2016, certame no qual Rodrigo levou mais um ouro (com uma Imperial Stout) e duas pratas (Black Berliner Weisse e Barley Wine).

A NEIPA campeã, com 6,7% de álcool, chega ao bico dos consumidores com sua aparência turva, muito aromática (resultado da mistura dos lúpulos Citra, Mosaic e Simcoe), suculenta na boca, frutada e com perfeito equilíbrio entre os sabores do malte e o amargor, que não é pouco: 70 IBU. No final, nenhum traço de harsh, o travo do amargor. Uma pequena obra de arte bebível que é capaz de fazer alguém entrar num estado parecido ao da meditação, esquecer os problemas, mesmo que o beer nirvana dure apenas os 473 ml regulamentares do pint.

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A Bold Psychedelic Weisse servida na taça desenhada com exclusividade para a marca

O outro lançamento da Bold é uma Berliner Weisse bem tropical e de cor lindíssima, um pink intenso vindo da pitaya vermelha colhida no Ceará. Na boca, porém, a Bold Psychedelic Weisse (3,6% de álcool) traz muita goiaba, o segundo adjunto frutífero de sua receita. De acidez elegante e refrescância sideral, foi o rótulo mais elogiado durante a apresentação da Bold que aconteceu no Empório Alto dos Pinheiros (ouviram-se “ohs” e “ai, que delícia” à exaustão). Chega com chancela: uma das cervejas caseiras (agora comercial) mais premiadas de 2017, inclusive com o ouro na disputa nacional das ACervAs.

Rodrigo Campos, que começou a fazer cerveja em casa em 2011 e a ganhar medalhas em 2015 (o primeiro ouro, com uma Helles), explica a filosofia da sua marca: “Bold significa ‘ousado’ em inglês. Mas ousadia para mim não quer dizer fazer a cerveja mais alcoólica, mais amarga ou mais extrema. É procurar levar as pessoas a experiências realmente diferentes e especiais”.

Ele pretende montar fábrica própria no Ceará, mas por enquanto é cigano e produz suas cervejas na Dádiva, interior de São Paulo. Cauteloso, não quis revelar quais serão os próximos lançamentos da Bold, mas disse que pretende trabalhar dentro do conceito de sazonalidade (por isso, corra enquanto essas duas primeiras não acabam) e deu algumas pistas: “Tenho vontade de colocar uma Pilsener muito bacana e bem feita no mercado.  Mas, entre as próximas, virá certamente uma cerveja bem própria para o frio de São Paulo”.

As cervejas da Bold têm o preço sugerido de R$ 36 (Psychedelic Weisse) e R$ 41 (Vermont Juicy IPA) a lata de 473 ml, além de serem servidas em chope nas boas casas do ramo. Tá certo, são carinhas, mas economiza um troco, se joga nelas e depois diz aí se não virou fã.

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Exuberâncias: a cor da pitaya e o sabor da goiaba na Berliner Weisse premiada

Purple Pitaya Psychedelic Haze

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Créditos das imagens: Sérgio Gotthard/Divulgação (Cervejas em Estúdio) / Sergio Crusco (Cerveja com Taça Bold)

3 comentários

  1. Parabéns Rodrigo,

    Desejo sucesso e sabedoria para esta nova fase da sua vida.

    Com certeza você vai arrasar, como sempre em tudo que faz entra com amor e determinação.

    Deus abençoe🙏🏻😘

    Curtido por 1 pessoa

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