Doces italianos inspiram os novos coquetéis de Stephanie Marinkovic no Espaço 13

Cannoli, tiramisù, torta de cereja e outros doces tradicionais agora podem ser curtidos em versão alcoólica e com um toque de acidez no misto de bar, barbearia e estúdio. O Espaço 13 faz parte da nova geração de estabelecimentos que dão uma nova cara ao bairro do Bixiga. Ou Bela Vista, se preferir…

Por Sergio Crusco

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Leave The Gun, Take The Cannoli: harmonia com bourbon, limão, licor e xarope de ginger bread

O Espaço 13 é o tipo do lugar em que se pode aparecer de bermuda e camiseta para beber um drinque na pequena garagem que virou bar, espalhar-se no parklet que fica em frente ou pelas mesinhas que tomam o pátio e a calçada. Bons coquetéis e nenhuma frescura são o espírito do lugar, que já passou por várias mudanças e agora se firma entre os points dos bons dringues em São Paulo.

No comando da barra está Stephanie Marinkovic, cujo nome tem crescido entre os bambas devido às recentes vitórias em concursos de coquetelaria. Papou os troféus das etapas nacionais da disputa do tequila Patrón para o Dia de Los Muertos, no final do ano passado, e o Jameson Bartenders Ball, promovido pela marca de irish whiskey, em abril.

Quem conhece o trabalho de Stephanie já faz algum tempo sabe que ela adora inventar uns drinques porrada, intensos, complexos e alcoólicos (o trançar de pernas depois de algumas horas na barra do 13 não nega). Mas agora ela anda pegando mais leve e, na sua nova carta de receitas autorais, optou por uma linha que podemos chamar de sour & sweet: coquetéis com doçura, porém bem equilibrados com uma dose de acidez – e muito aroma.

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Enjoy In (S.) Tiramisù: rum com especiarias, vermute, limão, xarope de tiramisù e espuma cítrica de baunilha

A inspiração dos novos sours veio do bairro em que o Espaço 13 está cravado, o Bixiga, e seus doces tradicionais. O crocante por fora e cremoso por dentro cannoli, por exemplo, virou o Leave The Gun, Take The Cannoli (frase tirada de O Poderoso Chefão), com bourbon Jim Beam, xarope de ginger bread da marca francesa 1883, Licor 43 e suco de limão. O potente tiramisù ganhou forma etílica no Enjoy In (S.) Tiramisù, com rum Bacardi Oro infusionado com especiarias (cardamomo, canela, pimenta-da-jamaica, cumaru), vermute tinto, limão, xarope de tiramisù, espuma cítrica de baunilha e guarnição de grãos de café.

Tem uma tortinha de cereja bebível também, She’s My Cherry Pie, com rum Bacardi Carta Blanca, Licor 43, limão, xarope de cereja e borda crustada com farofa de castanhas. Outra opção doce-azeda é o Dark Side of The Rum, que brinca com Star Wars e leva rum Bacardi Oro com infusão de casca de abacaxi, xarope de coco e espuma de frutas vermelhas. Entre as novidades, curti bastante o Relax Fashion, short drink com Jameson Whiskey, xarope de lavanda e camomila e rodelas de limão caramelizadas na hora (com direito ao showzinho extra de Stephanie tascando fogo na fruta com o maçarico).

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Stephanie Marinkovic tascando fogo no limão na barra do Espaço 13

“Esses novos drinques têm mais a ver com o nosso clima de país tropical, não são difíceis de beber, agradam a bastante gente e têm um apelo legal, pois foram inspirados na história do bairro e nos doces que todo mundo conhece. O preço, 22 reais, também está bacana. Dá para beber mais e provar outros sabores”, diz Stephanie sobre sua opção pela suavidade.

Há uma seção de clássicos também, todas a R$ 25, que inclui os manjados Negroni, Boulevardier, Manhattan ou o Bloody Mary feito com suco de tomate artesanal da casa. A tendência do Gim Tônica, segundo Stephanie, ainda é regra, inclusive no diferentão Bixiga. “É leve, as pessoas gostam e pedem bastante. Procuro criar sensações diferentes com especiarias, tinturas, infusões, mas mantendo o coquetel sempre com uma aparência limpa e bonita”.

Para os cervejeiros, o Espaço 13, que já contou com uma linha extensa de rótulos artesanais, passa a oferecer chopes da Goose Island.

O “NOVO” BIXIGA

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Fachada animada do Espaço 13: beberico ao ar livre, sem frescura e com sabor

“Diz a lenda que o Bixiga é a nova Vila Madalena”, diz Stephanie, com tom maroto. Espero que o Bixiga (oficialmente, Bela Vista), redescoberto pelas tribos, não se transforme na mesma balbúrdia. (OK, no meu tempo de Bixiga aquilo também era uma balbúrdia, mas vou poupar vocês das reminiscências, se não esse blog vira um museu.) Ou, antes que o pedaço se transforme num furdunço generalizado, é bom dar uns pulos por lá para curtir algumas opções que fogem ao roteiro das cantinas clássicas, muitas ainda de pé (com a triste baixa, porém, da Capuano, um dos restaurantes mais antigos da cidade, fechado após 111 anos).

Eduardo Martinelli, o Dudu, sócio de Stephanie no Espaço 13, acredita na máxima de que “quem muda o seu quintal muda o mundo”. É filho do Bixiga, sua mãe era assistente social na paróquia de Nossa Senhora Achiropita. Cresceu na Rua Rocha, nunca abandonou o bairro, decidiu empreender ali e deixá-lo mais bonito – o Espaço 13 é um dos estabelecimentos que colabora com a zeladoria da Praça Dom Orione, onde acontece a feirinha de antiguidades e bric-a-brac aos domingos.

O 13 nasceu como barbearia, estúdio de tatuagem e bar de cervejas há três anos. Stephanie (formada em cosmetologia e fotografia) entrou na casa para trabalhar como hostess em noites de eventos, ficou chapa, virou sócia, fez cursos de coquetelaria e aos poucos foi ajudando a transformar a cara do lugar.

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Momento agitado na Central Panelaço, de João Gordo

Ao longo desses anos, os sócios do 13 viram nascer alguns estabelecimentos jovens e desconstruidões em meio à tradição que resistia. Ao lado do bar de Stephanie e Dudu, a balada Mundo Pensante costuma pegar fogo e formar filas graúdas com sua programação de música brasileira. O Central Panelaço, do roqueiro João Gordo, é outro lugar agitado, que mistura restaurante, lanchonete, loja de produtos veganos, objetos curiosos, discos de vinil e outros parangolés. Funciona em cima da Barbearia Cavalera, concorrente de hair & beard styling do 13.

Por falar em concorrência, o pedaço ganhou mais um bar de coquetéis, o também despretensioso Catzo Boteco Italiano, com drinques clássicos, cervejas especiais e petiscos tradicionais, ao pé da escadaria do Bixiga. Para quem quer aprender a fazer suas mixologias, volta e meia há cursos para bartenders de primeira viagem na Casa Jardim Secreto, coletivo que reúne gente fazedora de várias modas: roupas, arte, paisagismo, gastronomia, tapeçaria e outras artesanias.

O chef Henrique Fogaça também apostou há algum tempo na nova cara do Bixiga, levando para lá o seu modernoso Jamile Restaurante, bem na quadra da Treze de Maio onde estão quase todas as cantinas com dezenas de anos de história. Para quem tem bico doce, a Moscatel Doceria aposta em receitas de acento italiano, como o premiado cannoli e o panforte, e de outras tentações gulosas. Sei de gente que não deixa de dar uma passada por lá mesmo depois do farto almoço de domingo. Eu fico esperando no Espaço 13, curtindo a praça e um doce em forma de coquetel.

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Vai lá: Espaço 13, Rua 13 de maio, 798. O Bar funciona de terça a sábado, das 5 h às 12 h. Aos domingos, das 14 h às 20 h. Consulte os horários da barbearia e do estúdio de tatuagem no Facebook da casa.

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Sour & Sweet

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Créditos das imagens: Stephanie Marinkovic (Coquetéis Espaço 13) / Sergio Crusco (Stephanie Mandando Brasa) / Facebook Central Panelaço (Central Panelaço) / Facebook Esapço 13 (Fachada do Bar)

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