Moliniarius, a cervejaria que só faz IPA, lança a versão 3.0 da Hoppiness

A cervejaria paulistana Molinarius, que tem a proposta radical de só fazer India Pale Ale, vê crescer sua família de rótulos. Sergio Müller, fundador da marca e mestre-cervejeiro, quer mostrar diferentes (e infinitas) maneiras de fazer IPA e de gostar dela

Por Sergio Crusco

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Dia de  prova das cervejas da Molinarius no Empório Alto dos Pinheiros: entendendo os diferentes estilos dentro do estilo India Pale Ale

Quem é fã de cerveja de verdade sabe que a busca pela receita perfeita é um caminho sem fim. Até que a morte nos separe do caneco, vamos provando de tudo. Há os que gostam das maltadas, outros das bem amargas, alguns querem leveza, outros potência. Isso pode variar conforme o estado do espírito, a temperatura ou o humor do dia, pois há os que transitam com desenvoltura por estilos diferentes. Mas também há aquele estilo xodó para o qual acabamos voltando na hora da indecisão, da carência ou da preguiça de pensar. Ou as cervejarias prediletas, aquelas que, temos certeza, não vão nos deixar na mão na hora da sede, o que quer que aprontem e coloquem na torneira ou na prateleira.

Sergio Müller, fundador da paulistana Molinarius, quer que sua cervejaria seja assim: uma referência, um porto seguro, mais especificamente para quem gosta de India Pale Ale – seu estilo preferido, naturalmente. A Molinarius só faz IPA, mas com a proposta de mexer com os sentidos dos apaixonados pelo estilo inglês adotado e popularizado pelos americanos. Cada cerveja produzida tem um caráter único de corpo, aroma e sabor, resultado das diferentes combinações de maltes, lúpulos e leveduras.

A história da Molinarius (“moinho” em latim, que vem do sobrenome Müller, “o dono do moinho” em alemão) começa, como a da maioria das cervejarias artesanais, com brassagens caseiras. Em busca de saber se estava no bom caminho, Sergio começou a inscrever suas receitas em concursos e ter a resposta na forma que qualquer cervejeiro gostaria de ter: prêmios. American IPA, Black IPA, Belgian IPA, Double IPA foram algumas variações do estilo que o levaram ao pódio e com que ele rebate mais uma das muitas generalizações que costumamos ouvir por aí: “Ah, IPA é tudo a mesma coisa”.

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Um cérebro lupuladão com pás de moinho marca a identidade visual da linha Hopped Brain, a segunda família da Molinarius, dedicada às mais potentes Double IPAs – elas voltam em breve

Diferentonas – entre si

“Uma IPA pode ser completamente diferente da outra e é o que pretendo mostrar com as cervejas da Molinarius”, diz Sergio, que já lançou quatro rótulos bem distintos. Em julho de 2017 ele deu início à série Hoppiness com a receita #1.0, que volta agora ao mercado com seu corpo mais baixo, uma característica bem cítrica no aroma e no paladar, resultado da alquimia de lúpulos Citra, Ahtanum, Summit, Mosaic e Chinook. Tem 70 IBU (isso quer dizer um amargor bem elevado), mas essa potência toda está muito bem tabelada com a mescla de seis maltes da receita. Tem final seco que atiça o próximo gole. Foi a que mais me encantou.

A Hoppiness #2.0, também com 70 IBU, tem perfil mais austero, pungente e com uma pegada mais resinosa – de pinho, madeira – no aroma no paladar. Final também seco. Seus lúpulos são Simcoe, Mosaic, Chinook e Columbus. O novo rótulo Hoppiness #3.0 chega com ares de New England IPA, com corpo aveludado, aparência turva e amargor moderado de 30 IBU, tem uma carga de lúpulos Citra e Amarillo bem mais tranquila.

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Sergio Müller brinda com Hoppiness

Como os números sugerem, haverá a 4.0, a 5.0 e talvez não demore muito para conhecermos a 15 ou a 16. “As possibilidades são infinitas”, diz Sergio, avivando a esperança dos apaixonados por lúpulo.

Outra linha iniciada pela Molinarius é a Hopped Brain, dedicada às ainda mais potentes Double IPAs, mas a 1.0 desta série está fora do mercado no momento. A ideia de Sergio é avançar nessa numeração, sempre com resultados bem distintos e criar novas séries, como as dedicadas a Specialty IPAs e Black IPAs (a primeira preta deve chegar em julho). Algumas vão sumir das latas e das torneiras e reaparecer de tempos em tempos.

“Quero firmar um conceito de conjunto, com receitas complexas. Não quero fazer cervejas para que o consumidor teste os lúpulos, acredito que já existam muitas single hop [elaboradas com um só tipo de lúpulo] no mercado. Minhas cervejas sempre terão combinações de maltes e lúpulos para oferecer experiências sensoriais”, diz o cervejeiro, não muito fã do método de tentativa e erro. Suas alquimias sempre estiveram apoiadas na leitura cuidadosa de vasta literatura técnica. “O conselho que dou aos cervejeiros jovens é esse: estudo. Busque a informação correta nos livros em vez de só querer achar as respostas nos grupos de discussão da internet”.

Elegante, Sergio prefere não comentar o trabalho das outras cervejarias, brasileiras ou estrangeiras. Mas entrega que sua paixão pelo estilo India Pale Ale foi despertada pela chegada ao Brasil da Punk IPA, receita clássica da cervejaria escocesa Brew Dog. “Já bebi grandes IPAs, especialmente as americanas. Mas hoje acho que o Brasil está em pé de igualdade com os estrangeiros, há IPAs de excelente qualidade fabricadas aqui. E com o frescor que só a cerveja local consegue ter”, diz.

Porém, não só de IPA vive o homem: “É minha grande paixão, um estilo viciante, eu diria. Mas há dias em que quero algo mais leve, como uma boa cerveja de trigo alemã. Ou algo bem maltado e encorpado como uma Wee Heavy. Só não sou muito da harmonização. Entendo e respeito a ideia, claro. Mas acho que cerveja boa deve ser apreciada sozinha”.

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As várias faces da lata da Hoppiness #1.0: o raio-x de cada cerveja da Molinarius está no rótulo, com descrição dos lúpulos, maltes, leveduras, adujntos e até o PH da água

Vai lá

As cervejas 1.0, 2.0 e 3.0 da linha Hopped Brain, da Molinarius, estão disponíveis em latas de 473 ml (preço sugerido de R$ 39) ou em chope (R$ 29 a taça de 400 ml) nas boas casas do ramo, como o Empório Alto dos Pinheiros, onde aconteceu a apresentação do novo rótulo. Até quando durarem os barris.

Para conhecer melhor cada receita, consulte o site da Molinarius. Sergio deixa as receitas abertas (inclusive na lata) para quem deseja saber exatamente o que está bebendo e não está nem aí se alguém copiá-las: “Será um elogio”.

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Qui nem jiló

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