Um guia paulistano dos drinques com Jerez, para beber no bar ou preparar em casa

O vinho fortificado da região de Andaluzia, na Espanha, é o queridinho de muitos bartenders, por trazer aos coquetéis suas notas características – e esquisitas – ou equilibrar receitas, como coadjuvante. Saiba por que esse ingrediente é tão interessante na coquetelaria, passeie pelos bares de São Paulo que preparam os melhores coquetéis com Jerez e aprenda a fazer drinques clássicos e autorais de simples execução

Por Sergio Crusco

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No balcão do Le Jazz Petit, o drinque CUB-ESP harmoniza Jerez, rum, amaro, Dizzy Gillespie e Miles Davis

“Sherry, bom sherry, ainda continua sendo um dos primeiros amores no paladar de um conhecedor, embora talvez sua popularidade de maneira geral não seja hoje tão grande como foi há 50 anos”, escreveu o bartender inglês Harry Craddock no livro The Savoy Cocktail Book, em 1930.

Ainda hoje, cá por essas bandas, o Jerez (natural da Andaluzia e também conhecido como Sherry ou Xerez) não é lá muito conhecido. E muitas vezes incompreendido. “Ai, tem gosto de remédio!”, exclama muita gente ao prová-lo. De fato, é esquisitão. Seco, muito seco (isto é, tem pouquíssimo açúcar), de travar a boca. Tem também um leve toque salino, entre tantas outras características sedutoras para quem anda com a turma de Craddock.

Quem aprende a gostar (comigo foi na primeira bicada) chega a ter tremelique de desejo ao topar com a promessa de uma garrafa (ou de um tonel) de Jerez. Há até quem se meta em grandes frias por causa dele, como aconteceu com Fortunato, personagem de Edgar Allan Poe em O Barril de Amontillado.

JEREZ_SubAstor_Ostras - SubAstor - Foto Ricardo D'Angelo (7)
Ostra: drinque do SubAstor com Jerez, vodca, chimarrão e ostra

Longe de querer qualquer confusão, toda essa secura faz do Jerez um vinho ainda pouco apreciado no Brasil, terra de paladar doce. Poderia ser o contrário, pois ele combina maravilhosamente com peixes e frutos do mar (assim comenta a jornalista e sommelière Tânia Nogueira na terceira dica deste artigo). Também com todas aquelas tapas espanholas: azeitonas, tortillas, jamón, croquetes de peixe ou carne, gazpacho… Sem falar dos queijos frescos e ácidos (um Jerez Fino com queijo de cabra é tudo na vida).

Encafifado, o gerente comercial de uma vinícola espanhola me pediu opinião sobre como popularizar a bebida no Brasil, fazer com que se tornasse hábito tê-lo na geladeira a toda hora, como na Espanha. Respondi que um jeito bacana de fazer o Jerez ser conhecido por mais gente talvez fosse investir no uso desse vinho e de seus derivados (destilado, vermute e vinagre, além dos estilos doces) na coquetelaria, treinando bartenders para executar coquetéis clássicos e incentivá-los a criar suas próprias receitas.

Carta drinks Frank Bar - Spencer Amereno - Fotos Leo Feltran - Agosto 2018
Seso Cobbler: drinque do Frank Bar em que as características do Jerez Fino ficam bem evidentes

Paixão dos bartenders

Cheguei a sentir-me um gênio quando o Jerez começou a aparecer com mais frequência nas cartas de coquetéis de alguns dos bares que realmente interessam na cidade. “Olhaí. Não disse?”

Eu, Nostradamus das tendências coqueteleiras, decidi provar minha tese e começar a investigação no balcão do Frank Bar, pedindo um Seso Cobbler (R$ 38), com Jerez Fino Real Tesoro, manteiga de caju, laranja kinkan e amêndoas. É um drinque seco e suavemente cítrico (portanto delicioso, ao menos para o meu gosto), que remete à receita do Sherry Cobbler, publicada pelo bartender Jerry Thomas em 1862. Nessa mistura, as características originais do Jerez estão bem presentes.

O bartender Spencer Junior jogou minhas ilusões por terra em duas frases:

– É um dos drinques que mais amo dessa carta. É o que as pessoas menos pedem.

– Mas ando vendo tanto coquetel de Jerez por aí…

– O Jerez é uma paixão minha e de muitos bartenders, mas não quer dizer que esses coquetéis façam um enorme sucesso. Ou que as pessoas passem a consumir Jerez por causa deles – explicou Spencer.

Frank Bar - carta drinks - Maksoud Plaza - Foto Leo Feltran
Maverick Negroni: releitura elegante e equilibrada do coquetel italiano, com gim, Jerez e amaro. Harmoniza com chocolate

Quer dizer, a coisa não é exatamente como eu havia pensado – “u-hu! Jerez tá na moda!” No bar, porém, muita gente acaba bebendo Jerez sem se dar conta. O Maverick Negroni (R$ 40), do próprio Frank, é um drinque bem pedido. Claro, vem com a marca Negroni. Essa interpretação livre de Spencer do coquetel italiano tem gim Beefeater 24, Jerez Manzanilla Fernando de Castilla, Amaro Lucano, bitter de chocolate e gotas de óleo de castanha-do-pará. É menos amargo e menos doce que o original. Mais equilibrado e mais elegante.

Como o Jerez funciona na coquetelaria

Equilíbrio é exatamente o que Fabio la Pietra, bartender do SubAstor, busca quando elabora uma receita com Jerez. “Ele entrega ao coquetel um pouco de acidez vínica, mineralidade, leves notas amadeiradas, amendoadas e florais. São elementos que abraçam, complementam os outros ingredientes do coquetel, arredondando o sabor e trazendo grande complexidade”.

Fabio explica que muitas dessas características são provenientes do “velo de flor”, camada de levedura selvagem, natural da fermentação da uva Palomino, que cobre o Jerez durante seu estágio em barris de carvalho espanhol. Essa borra retarda o processo de oxidação do vinho e é fundamental na elaboração dos tipos Fino e Manzanilla, estilos bem similares, e em parte do processo do Amontillado (veja o pequeno guia no final do post).

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Pimenta de cheiro do SubAstor: Jerez, gim, vermute e sal num coquetel seco

Na carta atual do SubAstor, que celebra os biomas brasileiros, há três coquetéis preparados com Jerez Fino. No Bacuri (Cerrado), segundo Fabio, o vinho espanhol ajuda a amalgamar a potência do destilado genever (avô do gim, de origem holandesa) à acidez da polpa de bacuri e do bitter de laranja. No Pimenta de Cheiro (Amazônia) com gim, vermute seco, pimenta de cheiro e solução salina, o Jerez tem a mesma função de “abraço”, num trago deliberadamente seco. No Ostra (Pampa), o Jerez acentua o umame, em harmonia com vodca, ostra, xarope de amêndoa e chimarrão (todos custam R$ 34).

Fabio é fã de Jerez: “Bebo garrafas. É o vinho fortificado de que mais gosto. Mas devo admitir que, para muita gente, é estranho beber Jerez puro. Já me perguntaram se era vinho estragado”.

Pequeno paraíso do coquetel com Jerez

O bartender Alexandre D’Agostino não é grande bebedor de Jerez puro. Mas é mais um profissional da barra paulistana que entende e propaga seu uso na coquetelaria. Em seu pequeno e muita vezes apinhado (de calor humano e good vibrations) Apothek Cocktails & Co., é possível sorver alguns bons tragos com Jerez – clássicos e autorais.

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Oiled: mistura potente e aveludada de Jerez Oloroso, rum e amaro, do Apothek Cocktails & Co.

Começando pela base clássica, a equipe de Alê prepara a variação com Jerez do Tuxedo (R$ 30), espécie de Martini que ficou popular na virada do século 19 para o 20 e que, como todos os clássicos, tem várias receitas. O do Apothek leva gim, vermute, Jerez Fino El Maestro Sierra, maraschino e pastis Pernod. Na mesma pegada de aperitivo, o autoral The Italiano In Spain tem vermute branco, Jerez Fino, açúcar, gim e bitters.

Mais popular, o Negroni Jerez (R$ 27) tem gim, vermute, Jerez Fino e Campari. A exemplo do Maverick Negroni de Spencer, ele é mais leve, arredondado e duas características significativas do Negroni original novamente são suavizadas: o amargor e o dulçor. Também pode ser comprado em garrafas de 375 ml (R$ 90) e serve de base para o Negroni Jerez Tônica (R$ 27), que tem feito sucesso nas noites de calor.

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O Negroni Jerez é hit de verão no Apothek e pode ser levado para casa na garrafa

Cá na minha conta quem caiu bem foi o Oiled (R$ 38), mescla de rum envelhecido, amaro e Oloroso, estilo mais potente de Jerez. O resultado é denso, elegante, redondo e muito amendoado no paladar, característica tanto do rum quanto do Oloroso. Traz ainda frutas negras secas à boca. Nessa linha porreta, há o Old Old Fashioned, com bourbon, Jerez Oloroso, rum envelhecido e açúcar. O coquetel ganha ainda mais madeira durante a semana em que passa descansando com chips de carvalho.

Agora quer ver alguém que nunca provou Jerez e gostar? Ofereça à pessoa, sem muita apresentação, um El Tonico del Maestro (R$ 32), mais uma invenção de Alê com rum, Jerez Fino, bitter de laranja e tônica. Traz toda a delícia do destilado e do vinho à boca de um jeito ultrarrefrescante. Uma amiga pediu e fiquei com inveja do drinque dela.

“Ainda não vejo muita gente pedindo Jerez especificamente”, diz Alê, “mas com ele conseguimos coquetéis bem equilibrados. Dependendo da receita e do estilo, conseguimos baixar a graduação alcoólica de um drinque, ganhar corpo, acidez e um pouco de madeira. Acredito que isso possa ajudar a tornar o Jerez um pouco mais conhecido. Com vários bartenders trabalhando bem o ingrediente, é natural que isso aconteça”.

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A bartender Camila Dinis, do Riviera, serve o coquetel Chez Sois, com Jerez, gim infusionado com damasco e amêndoa, licor de elderflower, vinho rosé, elixir de Chartreuse e grapefruit

Em busca de Jerez nos bares da cidade

Uma rota do Jerez por São Paulo pode continuar no sacudido Caracol Bar, cuja carta conta com sugestões do cineasta e consultor em coquetelaria Gunter Sarfert. Fanzoca de Jerez, colocou o ingrediente em duas opções. O Bamboo (R$ 35) é um coquetel clássico, criado no Japão, com Jerez Fino ou Manzanilla, vermute seco, Angostura, bitter de laranja e, em algumas interpretações, xarope simples de açúcar. O último ingrediente, no entanto, foi substituído por vermute bianco na versão do Caracol. Mais potente, o Occhiali (R$ 35) é uma criação de Gunter com rum envelhecido, Cynar 70 e Jerez Oloroso, que traz notas de amêndoa, frutas secas e madeira ao coquetel.

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Bamboo do Caracol Bar: vermute seco e Jerez Fino

Para provar outro clássico, dê um pulo no Sylvester Bar, de Frajola Souza, e peça um Adonis (R$ 25,90), harmonia de Jerez Fino ou Manzanilla com vermute doce e bitters. Ele é primo do Bamboo, só que um pouco mais adocicado – sem que isso signifique que seja doce de doer, pois a palavra-chave aqui ainda é o equilíbrio.

Frajola (que também prepara o Bamboo, embora não conste na carta) diz que o Adonis é um drinque bem pedido em sua barra. “O público que conhece coquetelaria e tem mais de 30 anos sabe o que é Jerez”, diz. Animado com a boa recepção, ele está prestes a lançar uma novidade autoral na mudança da carta de drinques que deve acontecer em março ou abril no Sylvester. Só conta que o novo coquetel terá gim e Jerez infusionado com cogumelos. O resto é segredo.

Outro lugar perfeito para beber drinques com Jerez é o velho Riviera. Na carta, você vai encontrar apenas o autoral Chez Sois (R$ 32), com gim infusionado com damasco e amêndoa, Jerez Fino, licor de elderflower St. Germain, vinho rosé, elixir de Chartreuse e grapefruit. Mas a equipe de Marco De la Roche está treinada para executar mais de 100 clássicos e é só dar o nome que o seu predileto aparece. Quase sempre peço um Adonis quando chego por lá, na tentativa de beber algo menos alcoólico. “É um drinque curinga, que você pode beber a qualquer momento, como aperitivo ou fechando uma refeição”, diz o bartender Valdemir Cabral. Recomendo até no brunch.

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O Bee Yourself, do Guilhotina, tem Jerez, gim, caju, licor, mel e especiarias

No Guilhotina Bar, a carta O Louco, criada pelo bartender Márcio Silva e sua equipe, contempla o Jerez no sutilmente adocicado Bee Yourself (R$ 31), que leva gim Amázzoni infusionado com caju, Jerez Fino, licor de yuzu, bitter de laranja e mel com especiarias. Uma pequena sinfonia de sabores na taça. Na mesma linha delicada e frutada (e muito refrescante), você pode provar uma criação de Douglas Peres, no elegante e bem equipado novo balcão do Tan Tan Noodle Bar. O Janine (R$ 33) tem Jerez Fino, shrub de uva verde e tintura de uva roxa.

No brasileirinho Bar do Jiquitaia, os drinques com Jerez estão bem inseridos no contexto criado pelo bartender Felipe Leite. A primeira pedida pode ser o Jerezana (R$ 34), com um blend de Jerez Fino e Oloroso, vermute e cacau. Se quiser provar mais um clássico, peça o Up To Date (R$ 34), receita que aparece pela primeira vez em 1916, no livro Recipes For Mixed Drinks, de Hugo Ensslin, alemão radicado em Nova York. O do Jiquitaia tem Jerez Oloroso, bourbon e licor de laranja.

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Up To Date à moda do Jiquitaia: Jerez Oloroso, bourbon e licor de laranja

Outro cantinho perfeito para curtir Jerez no coquetel é o Le Jazz Petit, grudado ao Le Jazz original da Rua Pinheiros e capitaneado pelo bartender Danty Monteiro. Quase sempre me atraco com o CUB-ESP (R$ 34), mistura de Cuba com Espanha, mas também com um tiquinho de Itália. Tem rum Havana Club 7 anos, amaro Averna, Jerez Manzanilla e twist de laranja bahia. Há uma invenção ousada chamada Negroni Maison (R$ 29), com cachaça Yaguara branca, Campari, Jerez Manzanilla e vermute. Por fim, o Tuxedo Martini (R$ 42) reaparece em nosso roteiro, com gim, Jerez, vermute, pastis, maraschino e anis estrelado.

No balcão do Fel, liderado pela bartender Micelly Rossi, ela apresenta o Dandara, drinque com o qual chegou à final nacional do campeonato Bacardi Legacy 2019. Equilibrado e potente, tem estrutura parecida ao CUB-ESP: rum Bacardí Reserva 8 anos, Jerez Manzanilla La Guita, amaro, um pitada de vinagre balsâmico e bitter de laranja. Outras opções do pequenino bar no Edifício Copan são os clássicos Club Cocktail (Porto Tawny, Manzanilla e bitter de laranja) e novamente o Up To Date (bourbon Woodford Reserve, Manzanilla, licor de laranja Grand Marnier Cordon Rouge e Angostura). Todos por R$ 37.

Pronto, acabou. Por enquanto. Pois se você procurar, vai encontrar mais coquetéis com Jerez por aí.

Agora aprenda a fazer em casa…

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O encorpado e perfumoso Dandara, do Fel: Jerez Manzanilla, rum, amaro, balsâmico e bitters

FAZENDO EM CASA

Mixologista amador e de primeiras viagens é sempre um ser metido a besta e crente. Crente que tá abafando. Tipo eu, que misturei Jerez com vermute Carpano Classico, joguei um bitterzinho, gelei no mixing glass, servi numa taça mimosa, herança de família, e achei que descobria a roda. Isso nada mais é que o Adonis Cocktail, do qual já falamos, inventado em Nova York na década de 1880, em homenagem à peça de mesmo nome que quebrava o recorde de 500 apresentações na Broadway.

Portanto, lição mixológica número 1: quando você achar que estiver fazendo algo fabuloso e fora do normal pela primeira vez, alguém já fez bem antes. Ao comprar ingredientes para a coquetelaria caseira, leia um tanto, consulte os guias clássicos e converse com bartenders experientes antes de sair desperdiçando Jerez.

Aqui vão quatro receitas clássicas e duas autorais de fácil execução e de grande resultado.

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Adonis Cocktail: classicão servido como deve ser no Sylvester Bar, com Jerez Fino e vermute doce

Adonis Cocktail

Simples, elegante, delicado. Receita do livro Apéritif: Cocktail Hour The French Way

45 ml de Jerez Fino ou Manzanilla

45 ml de vermute tinto doce

2 pitadas de bitter de laranja

Casca de laranja

Mexa os ingredientes no copo de mistura com bastante gelo, até resfriar bem. Coe para uma taça coupe ou martini previamente resfriada. Torça uma casca da laranja sobre o drinque para que ela solte seus óleos essenciais.

OBS. Há versões do Adonis em que se usa o dobro de Jerez – ou seja 2 partes do vinho para 1 parte do vermute

Bamboo

O primo seco do Adonis. Receita de Gunter Sarfert

45 ml de Jerez Fino

30 ml de vermute seco

15 ml de vermute branco

2 dashes de Angostura

2 dashes de bitter de laranja

Casca de limão

Mexa os ingredientes no copo de mistura com bastante gelo, até resfriar bem. Coe para uma taça coupe ou martini previamente resfriada. Torça a casquinha de limão sobre o coquetel e jogue-a no drinque.

OBS. Há versões desse coquetel em que são usados xarope de açúcar ou licor triple sec para agregar um pouco de dulçor ao trago. Se eliminar o componente de dulçor, terá um drinque bem seco. Para quiser conhecer outras maneiras de preparar o Bamboo, dê um pulo neste post do Difford’s Guide.

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O Up To Date na visão da bartender Michelly Rossi, do Fel, com Manzanilla

Up to Date

Outro clássico da coquetelaria com Jerez. Receita de Michelly Rossi, do Fel

45 ml de bourbon Wodford Reserve

45 ml de Jerez Manzanilla La Guita

10 ml de licor de laranja Grand Marnier

2 dashes de Angostura

Mexa os ingredientes no copo de mistura com bastante gelo, até resfriar bem. Coe para uma taça previamente resfriada. Sirva com uma casca de laranja para decorar, se quiser.

Club Cocktail

Mais um clássico ensinado por Michelly Rossi

45 ml de Porto Tawny

45 ml de Jerez Manzanilla La Guita

2 dashes de bitter de laranja

Mexa os ingredientes no copo de mistura com bastante gelo, até resfriar bem. Coe para uma taça coupe ou martini previamente resfriada. Sirva com uma casca de laranja para decorar, se preferir.

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Club Cocktail do Fel: harmonia vínica de Porto e Jerez

Negroni Jerez

Mais suave que o Negroni original, vai bem com tônica também. Receita autoral de Alexandre D’Agostino, do Apothek Cocktails & Co.

20 ml de gim

20 ml de Jerez Fino

30 ml de vermute Carpano Bianco

30 ml de Campari

Casca de laranja

Mexa os ingredientes no copo de mistura com bastante gelo, até resfriar bem. Coe para uma taça coupe ou martini previamente resfriada. Sirva com uma casca de laranja torcida sobre o drinque.

OBS. Para fazer o Negroni Jerez Tônica, use 50 ou 60 ml do drinque pronto como base, coloque num copo alto com gelo e complete com água tônica (de boa qualidade, combinado?). Sirva com a casca de laranja torcida sobre o drinque.

Oiled

Potente, robusto e redondo. Receita de Alexandre D’Agostino

45 ml de rum envelhecido

30 ml de Jerez Oloroso

30 ml de Amaro Lucano

Mexa os ingredientes no copo de mistura com bastante gelo, até resfriar bem. Coe para um copo baixo com gelo grande, quadrado ou esférico.

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Este é o “velo de flor”, camada de levedura que cobre o Jerez durante o processo de envelhecimento e retarda a oxidação do vinho

GUIA RAPIDÃO DO JEREZ

Os vinhos de Jerez são produzidos no triângulo formado pelas cidades Jerez de La Frontera, El Puerto de Santa Maria e Sanlúcar de Barrameda, na região espanhola de Andaluzia. A uva branca Palomino é usada na maioria dos estilos de Jerez, que passam pelo processo de soleras e criaderas durante o envelhecimento. Soleras são as barricas de carvalho espanhol que ficam embaixo e onde estão os vinhos mais antigos, que vão sendo misturados aos mais jovens, os das criaderas, que ficam em cima. Nas bodegas tradicionais da Andaluzia tem soleras que estão lá, ó, há mais de 100 anos. São vinhos fortificados (como o Porto, o Madeira, o Marsala) porque recebem uma injeção de álcool que detém o processo de fermentação, fazendo com que se tornem mais alcoólicos.

Os principais estilos feitos a partir da uva Palomino são…

Fino – produzido em Jerez de La Frontera e El Puerto de Santa Maria, tem cor pálida e é envelhecido com a flor que impede seu contato com o ar. Seco, com notas suaves de amêndoa e algo salino no paladar. Tem de 15% a 18% de álcool. Onde e quanto: Fino Osborne, R$ 59,90 na Evino / Fino González Byass Tio Pepe, R$ 151,90 na Vinhoteca / Fino Hidalgo, R$ 158,96 na Mistral.

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Manzanilla – similar ao Fino, é produzido exclusivamente em Sanlúcar de Barrameda. No aroma, destacam-se notas florais e de camomila, mas é preciso ter um nariz bem sensível para notar as diferenças entre um Fino e um Manzanilla. De 15% a 18% de álcool. Onde e quanto: Manzanilla La Guita, R$ 127 na Zahil / Manzanilla Fernando de Castilla, R$ 169,90 na Casa Palla / Manzanilla La Gitana, R$ 185,53 na Mistral.

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Amontillado – ele passa por dois processos: primeiro é envelhecido com a flor e depois ela é retirada, o que faz com que ganhe notas típicas da oxidação. No aroma traz avelã, ervas e tabaco. Na boca é evidente o paladar de nozes e madeira. Entre 16% e 22% de álcool. Onde e quanto: Tabanco Amontillado, R$ 232,47 na Vinci / Solera Reserva Los Arcos Dry Amontillado, R$ 231 na Ravin.

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Oloroso – o nome diz tudo: ele é cheiroso e traz notas balsâmicas, tostadas, de nozes, madeira, tabaco, trufas e até couro. Na boca, traz toda essa complexidade, é redondo, tem um paladar amadeirado persistente e um final seco. É envelhecido plenamente pelo processo oxidativo e essa “esquisitice” atinge o grau máximo no Oloroso.  tem de 17% a 22% de álcool. Onde e quanto: Real Tesoro Oloroso, R$ 99,90 na Toque de Vinho / Solera Reserva Don Nuño Dry Oloroso, R$ 307,23 na Ravin.

Palo Cortado – ele é raro (e caro), pois começa a ser envelhecido com a flor, para se tornar um Fino ou um Amontillado. A flor, porém, por alguma razão não se desenvolve, e ele passa a ser envelhecido oxidativamente. Nunca provei um Palo Cortado, mas quem o conhece diz que traz o aroma rico do Amontillado com o corpo do Oloroso. Onde e quanto: Palo Cortado El maestro Sierra, R$ 487,70 na Enoteca Decanter.

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Diagrama do sistema de soleras e criaderas: os vinhos do topo são os mais jovens, e o conteúdo dos barris de cima vai sendo transferido para os de baixo ao longo do tempo, até o momento de engarrafar

Tem os doces também…

Pale Cream, Medium e Cream – os dois primeiros são feitos a partir de Finos e Manzanillas. O último, mais doce, geralmente é elaborado com Olorosos. Para ganhar dulçor, recebem uma adição de mosto concentrado retificado (MCR). Têm entre 15,5% e 22% de álcool.

Pedro Ximénez – é elaborado com a uva de mesmo nome, na região de Jerez. As uvas são passificadas, o que garante uma boa concentração de açúcares. Em seguida passa pelo processo de oxidação no barril, tornando-se muito rico em aromas: passas, figos, tâmaras, mel, café chocolate. Na boca, apesar do dulçor, traz boa acidez. Entre 15% e 22% de álcool.

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Oito tons de Jerez

Moscatel – Outra uva diferente origina esse vinho doce também bastante popular na Espanha. É produzido com uvas frescas ou passas, mas um bom Moscatel de Jerez sempre trará o frescor de fruta à boca. Tem entre 15% e 22% de álcoool.

Há ainda o brandy, destilado à base de vinhos de Jerez, o vermute de Jerez (sobre o qual já falamos aqui) e o vinagre. E os vinhos de categoria especial, envelhecidos de 15 a 30 anos ou safrados.

Para saber mais sobre o Jerez, a página SHERRY.WINE é um dos guias mais completos e claros da internet, em espanhol, inglês, alemão, holandês e japonês. Lá tem tudo o que você precisa saber, mais receitas de coquetéis (muitas) e de comidas que harmonizam com cada estilo de vinho. SHERRYNOTES.COM é outra fonte de informação farta e segura. E no Instagram a página SHERRY MUSEUM TOKYO, do especialista Kohya Nakase, é uma das mais incríveis e deliciosas de seguir.

  • Preços e disponibilidade pesquisados na data de publicação do post.

JEREZ_SubAstor_Pimenta de cheiro_SubAstor_foto Ricardo D'Angelo (4)

Créditos das imagens – Eduardo Magalhães/Divulgação (Bamboo), Leo Feltran/Divulgação (Seso Cobbler, Maverick Negroni), Ricardo D’Angelo/Divulgação (Ostra, Pimenta de Cheiro), Rubens Kato/Divulgação (Bee Yourself), Tales Hidequi/Divulgação (Dandara, Up To Date do Fel, Club Cocktail), Sergio Crusco (CUB-ESP, Oiled, Chez Sois, Up To Date do Jiquitaia, Adonis), Instagram Apothek Cocktails & Co. (Negroni Jerez), Bodegas Lustau (Tons de Jerez), Divulgação (Garrafas), Sherry Notes (Diagrama Soleras e Criaderas), Sherry.Wine (Velo de Flor)

2 comentários

  1. Para um bom bebedor, meio litro basta! Amigo Crusco, venho falando há anos que a maeniera mais tranquila seria mesmo esta de desenvolver coquetéis com o Jerez, assim como seu primo PORTO fez e está fazendo cada vez mais, Parabéns!!!

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