Bar hopping bom e barato na baixa Rua dos Pinheiros: Paramount, Sylvester, Pineapple e Estoque

Quatro bares, um do ladinho do outro, fazem a festa para que gosta de boa coquetelaria a preços justos, menos de R$ 30 o coquetel. Saiba o que tem de bom no final do corredor gastronômico e etílico da Rua dos Pinheiros

Por Sergio Crusco

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O bartender Vinicius, do Boteco Paramount, prepara um Hanky Panky

Quando estive pela primeira vez em Amsterdam, conheci uma turma boa de copo e de balacobaco no bar simpático que ficava perto do hotel, por onde eu passava para tomar a primeira cerveja da noite. Não me demorava muito por lá, o povo tinha bicho carpinteiro, não aguentava ficar parado num lugar só. Mal terminava o segundo chope, alguém propunha: “Let’s do some bar hopping”. O que significa, naturalmente, pular de bar em bar. A região da Praça Rembrandt, onde eu estava, era repleta de divertimentos desse tipo. Achei chique fazer bar hopping, ainda mais em Amsterdam, e adotei a prática em alguns bairros de São Paulo ou em qualquer outro lugar apinhado de bares.

A Rua dos Pinheiros, em toda sua extensão, tem sido uma boa escolha para um pula-pula etílico com drinques, cervejas e muita comida boa. O trecho final, depois da Avenida Pedroso de Moraes, no entanto, virou meu xodó nos últimos tempos. Por duas razões simples: drinques bem executados e honestos a preços mais camaradas do que o normal, além de toneladas de simpatia e bom papo. Você encontra tudo isso no Boteco Paramount, no Sylvester e nos novos Estoque e Pineapple Bar, todos com drinques a menos de R$ 30.

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Carol Gutierres, que comanda a barra do Estoque Bar, prestes a despejar o float de vinho tinto sobre o New York Sour

Já que está na moda nomear lugares como “baixo isso ou aquilo”, apelidei o pedaço de Baixa Pinheiros. Se quiser encarar o bar hopping da Baixa, procure forrar bem o estômago antes de pedir os drinques (isso é importantíssimo, veja no final do post). Você pode começar por onde quiser, porém o roteiro que sugerimos vai por ordem de entrada em cena, do bar mais antigo ao mais recente.

PARAMOUNT INVESTE NOS CLÁSSICOS

O bartender José Francisco de Oliveira Neto – ou melhor, Netinho – foi o desbravador da boa coquetelaria na Baixa Pinheiros, ao abrir seu Boteco Paramount num imóvel diminuto há dois anos. O ponto virou febre imediata, com uma seleção de drinques clássicos e autorais a preços sedutores. Sedução no sabor também: com 12 anos de serviços cumpridos ao Astor, Netinho levou técnica e paixão para sua barra e virou uma espécie de embaixador do bom e barato. Também é sócio do Majestic (pertíssimo do Astor) e assina a carta do Rueiro Parrilla Bar, food truck que ganhou ponto fixo na Vila Madalena.

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Americano servido no Boteco Paramount

Sempre que vou lá me atraco com os clássicos. Alguns não constam da carta, mas a brigada treinada por Netinho está bem afiada na execução de vários coquetéis históricos. O Hanky Panky que ilustra a abertura do post, por exemplo, estava sensacional, com sua alquimia de gim, vermute doce e Fernet, o amargão italiano. Outras pedidas básicas são o perfeito para o calor Fitzgerald (R$ 21,90, gim, suco de limão siciliano e Angostura), o doce-amargo Americano (R$ 21,90, vermute Carpano Classico, Campari, água com gás e twist de limão) ou o encorpado Old Fashioned (R$ 23,90, bourbon, açúcar, Angostura, twist de laranja e cerejinha). Dry Martini? Também tem, por R$ 25,90 e preparado à risca, com gim, vermute Noilly Prat e guarnição de azeitona.

Entre as opções autorais, uma das mais pedidas é Carolina 2.0 (R$ 23,90), receita de Netinho com gim, rúcula, limão siciliano, açúcar e clara de ovo. O colega e vizinho Frajola colabora na carta do Paramount com o Canjiquinha (R$ 23,90), com cachaça Alpha, licor de milho, xarope de mel e limão cravo. Para os fãs do Gim Tônica, um paraíso: todas as opções custam R$ 19,90 e vão do clássico ao English Time (gim, tônica, chá earl grey, fatia de lima e especiarias).

Para forrar: sanduíche de pernil com molho de cebola, tomate e pimentão (R$ 19,90), picanha fatiada (R$ 42,90), sanduba Paramount com carne, queijo, vinagrete, fritas e maionese da casa (R$ 19,90), sanduba veggie com terrine de vegetais e creme de ricota em pão de forma integral.

Boteco Paramount: Rua Pinheiros, 1179.

SYLVESTER BAR TEM CLIENTELA FIEL

Rogério Souza, o Frajola, é figura conhecida e querida dos bons bebedores da cidade. Fez escola no SubAstor, um dos lugares que deu início à onda mixológica em São Paulo e onde trabalhou por quase 10 anos, antes de ter a barra própria no Sylvester, na travessa Maria Carolina, a menos de meia quadra da Pinheiros. O novo endereço não demorou para ser reconhecido e adotado por uma turma fiel. “Temos um bom preço, mas o importante é fazer um drinque bem feito. O cliente gosta e volta”, diz Frajola, seguro de si.

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Frajola Souza prepara o Vegetable Negroni, um dos coquetéis mais pedidos no Sylvester Bar

Aberto há 8 meses, o Sylvester prepara-se para sua primeira mudança de carta, que deve acontecer em breve. Mas Frajola avisa aos fãs que alguns coquetéis campeões de audiência serão mantidos. Caso do Vegetable Negroni (tequila José Cuervo infusionada com beterraba, Campari e Carpano Classico), do Piocerá (gim, suco de limão, xarope de hibisco, licor Strega e meio caju) e do Sylvester Daiquiri (rum, suco de limão cravo e xarope de café com tangerina). Todos os autorais custam R$ 26,90.

A seção de clássicos do Sylvester é tão polpuda quanto a do vizinho Paramount. Caso não encontre sua opção na carta, é muito provável que Frajola e sua equipe esperta possam prepará-lo. Boas opções não faltam: Martinez (gim, vermute Carpano Classico, licor maraschino e twist de limão), Sazerac (bourbon, Peychaud’s bitter, xarope de açúcar e absinto “lavando” o copo) e o Manhattan, mescla de bourbon, vermute e bitters servido de três maneiras: Sweet (com Carpano Classico), Perfect (com Carpano e vermute branco extra dry) e Dry (só com o vermute seco). Todos por R$ 25,90.

Quanto às tônicas, a contribuição de Frajola contra a mesmice é oferecer receitas com adição de vermute: Carpano Classico, Carpano Bianco, Punt e Mes e extra dry.

Para forrar: minispastéis de carne, queijo e palmito (6 unidades, R$ 18,90), canapé de steak tartar (salmão defumado ou rosbife, R$ 22,90), sanduíche de filé mignon com queijo gouda, tomate e rúcula, cortado como aperitivo (R$ 26,90).

Sylvester Bar: Rua Maria Carolina, 745

OS DRINQUES TROPICAIS DO PINEAPPLE BAR

Foi seguindo o Instagram de Netinho que fiquei sabendo da abertura do Pineapple Bar, ali pertinho. Olha quanta gentileza entre vizinhos. Curioso que sou, fui conferir o novo boteco. Um lugar bem simples, mas com muito sabor envolvido. A casa foi aberta por Michel Felicio, depois de uma maratona profissional que começou em São Paulo (Brasserie Eric Jacquin, Arturito) e ganhou Londres (Hyatt), Dubai (Zuma) e Abu Dhabi (Coya). Chegou como empresário entrando na onda da Baixa Pinheiros: qualidade e bons preços.

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Michel Felicio, do Pineapple Bar, e seus dois drinques campeões: O Andaz (copo longo) e o Nordestino Sour

Ainda em fase de ajustar a carta aos gostos e preferências dos clientes, Michel tem algumas certezas. Os drinques doce-azedos, bons para o calor, têm feito sucesso. O mais pedido é o Nordestino Sour, alquimia de cachaça, suco de cítricos, mel de jataí e Fernet. É um sour com acidez e dulçor muito bem equilibrados. O Andaz está em segundo lugar no ranking do Pineapple, com gim, licor 43, xarope de flor de sabugueiro (elderflower), cítricos e espuma de gengibre.

Se a carta ainda não tiver sido refeita quando você passar por lá, peça a Michel algumas de suas experiências mais recentes como o sour com toque amargo Paulipa (gim, xarope de flor de sabugueiro, suco de limão, hortelã e, no topo, um shot de cerveja India Pale Ale) ou o sour à moda “fofa” Honey Bee (gim, mel de jataí, cítricos e clara de ovo). Todos os drinques autorais custam R$ 25,90.

As opções clássicas, todas a R$ 23,90, são poucas na carta: Mojito, Aperol Spritz, Dry Martini, Negroni, Boulevardier… Mas bata um papo com o bartender, que tem quilometragem internacional, e é possível que seu desejo aconteça. Senti saudade do Mint Julep e – pluft – o coquetel materializou-se no balcão, mesmo sem os apetrechos básicos para produzir o gelo britado essencial à receita. Mais um gesto de simpatia da turma da Baixa Pinheiros.

Para forrar: coxinha de peito de frango com geleia de pimenta (R$ 22,50), bolinhos de costela (R$ 22,50), bolinho de abóbora recheado com carne seca (R$ 22,50).

Pineapple Bar: Rua dos Pinheiros, 1308.

ESTOQUE BAR PÕE AS GAROTAS NO CIRCUITO

Quando o Low BBQ anunciou a abertura de um bar de coquetéis no andar de cima de seu vasto salão, pensei: “Pronto, formou”. O Low já era minha opção natural para matar a fome com gosto e bom preço antes de começar o circuito. E agora é possível incluí-lo na rota dos coquetéis com receitas assinadas pela bartender Alice Soares (residente do Guarita) e executadas por Carol Gutierres, no comando da barra.

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Pinkylicious é opção refrescantíssima no Estoque Bar

Os tragos (muito) refrescantes são especialidade da casa. Leves e saborosos, dão vontade de ter uma piscina deles. Como o delicado Cucumber Smash (R$ 27), com gim, cítricos, xarope de pepino com manjericão e água com gás ou o sedutor Pinkylicious (R$ 28), criação de Carol com gim com infusão de romã, mix de cítricos, Aperol e gengibre. Sua cor tentadora e a facilidade de bebê-lo já o tornou uma das principais pedidas da casa. Quem quer um pouco mais de potência pode optar pelo denso Delírio (R$ 28), com cachaça envelhecida em amburana, xarope de cerveja Imperial Stout, café, farofa doce de castanhas e perfume de cumaru. Aos que gostam de uma boa dose de dulçor, sugiro o Papi (R$ 27), com tequila El Jimador, xarope de maple, suco de abacaxi defumado, cítricos e Angostura.

Na lista de clássicos há dois drinques que amo e recorrentemente quero provar nos bares que visito. Um é o New York Sour (R$ 27), com uísque Jack Daniel’s, limão siciliano e vinho Malbec – adoro o contraste entre a acidez do coquetel com o dulçor da camada de vinho que fica no topo. Outro é o Penicillin (R$ 27), “clássico” moderno criado pelo bartender Sam Ross em 2005. Tem  Jack Daniel’s, gengibre com mel, limões e perfume de single malt defumado. Como nas outras casas, converse com a bartender sobre a possibilidade de escolher outros clássicos.

Matando toda a fome

Como eu disse um pouquinho acima, beber de estômago cheio é um cuidado que nem sempre tomamos, mas que ajuda (e muito) a não ficar zureta logo após as primeiras bicadas. Antes que alguém venha falar “ah, bobagem, eu não tenho essas frescuras”, tá aqui um artigo do El País citando um estudo sueco. A maior parte do álcool é absorvida um pouco mais embaixo, meu véio, mais embaixo, no intestino delgado. Um estômago bem recheado retarda a chegada do álcool ao lugar onde o zum-zum-zum começa a acontecer.

Comidas gordurosas são especialmente úteis nessa “filtragem” entre o estômago e o intestino delgado. Portanto, antes de começar o bar hopping, bata um pratão. Embora não seja muito elegante esse papo sobre entranhas num texto que se propõe light, é por isso que amamos o Low BBQ, com suas porções fartas, que podem ganhar uma porção extra para ser dividida e com preço gostoso também.

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Bandejão Ogro é larica para uma turma de esfaimados, com cervejas Votus harmonizando

A casa, também uma criança, inaugurada em outubro do ano passado, já é hit na região com suas carnes defumadas lentamente, que chegam depressa e muito macias à mesa. Alguns dos hits são o brisket (R$ 35, porção extra R$ 14) e a costelinha suína defumada com molho barbecue da casa (R$ 29, porção extra R$ 12). Caso esteja em turma ou seja um Pantagruel, vale a pena pedir o Bandejão Ogro (R$ 125), pot-pourri das carnes da casa com brisket, costela, cupim, pulled pork e linguiça, com direito a três acompanhamentos. Dá para três pessoas. Há novas versões menores das bandejas, para duas pessoas e lanches com as carnes da casa, disponíveis nos dois andares.

Vegetarianos não ficam a ver navios nesse palácio das carnes. Tem mac’n’cheese gratinado com espinafre, milho e tomatinho defumado (R$ 26), falafel com sour cream e salada (R$ 25) e duas opções de saladas (R$ 26). E se por acaso você não for dos drinques, a casa oferece chopes Pale Lager (R$ 10) ou Session IPA (R$ 15) e outros estilos em garrafa da Votus, cervejaria de Diadema que tem demonstrado equilíbrio nas receitas.

Estoque Bar e Low BBQ: Rua dos Pinheiros, 1239.

PS.: O bar hopping completo começa a partir de quarta-feira, quando todos os bares estão abertos a partir da happy hour.

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Nordestino Sour do Pineapple pela lente de Tales Hidequi

Créditos das imagens: Tales Hidequi (Nordestino Sour final), Instagram @turistandosp (Bandejão Ogro), Sergio Crusco (todas as outras)

 

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