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28 capas divertidas, chiques, lascivas ou malucas de discos para cocktail

Os “discos para coquetel”, embora esquecidos, fizeram época e a alegria de quem precisava criar um clima antes de partir para a ignorância

Por Sergio Crusco

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Lá pelos meados dos anos 1950, os long plays, ou LPs, revolucionaram a maneira de ouvir música. Imagine que antes, para curtir seu hit predileto, era preciso recorrer às bolachas em 78 rotações, com uma música de cada lado. O LP mudou tudo isso, primeiro no formato de 10 polegadas, que geralmente trazia 8 faixas, e depois no tamanho mais popular, o de 12 polegadas, no começo quase sempre com 12 músicas. Continuar lendo

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O Picapau que encheu a cara de Bombeirinho

Clara era a única que caberia naquela roupa de Picapau. Sofreu como o diabo, ouviu cantada insana e terminou o dia incendiando as mágoas bebendo Bombeirinho (pinga com groselha). Olha só a sua história e experimente o Pompieri, a versão chique da bebida feita pelo Isola Bar

Por Cristina Ramalho

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Picapau vê estrelas, depois de três doses do inflamável Bombeirinho

– Mas por que eu?

– Meu bem, você é a única que cabe nessa roupa. E adora crianças.

Clara olhava desolada para a fantasia de Picapau sobre a cadeira. O inferno era a cabeça – um imenso cabeção de feltro, pesado, quente como o diabo, com penas vermelhas, medonho de feio. Os olhos eram também de feltro, grudados na cara. Para enxergar lá de dentro Clara tinha de olhar pelo bico. O restante do figurino não colaborava: um macacãozinho bem curto, azulão, com rabo de penas, meia calça e sapatilhas no mesmo tom.

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A falsa Marilyn Monroe e o verdadeiro Manhattan

Era para ser um aniversário com clima de filme. Não saiu como nos planos, mas nossa Marilyn Monroe foi tomar um Manhattan para celebrar que a graça da vida tá na surpresa. E nós trazemos a receita do drinque novaiorquino e músicas ótimas

Por Cristina Ramalho

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Em Quanto Mais Quente Melhor (1959), Marilyn Monroe improvisa um Manhattan durante a viagem de trem, com a bolsa de água quente como coqueteleira

O trabalho parecia moleza: botar uma peruca loira, fazer a pinta perto da boca, se apertar no vestido justo. Fani só precisava caprichar na vozinha rouca, tímida-sexy, levar o bolo até a casa do aniversariante, tocar a campainha e, quando ele abrisse a porta, a cereja do presente seria ela cantar, como a verdadeira Marilyn Monroe para John Kennedy, um sussurrante Happy birthday to you. Cachê: duzentos reais.

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O tango, o vinho e uma carreira amorosa

Uma taça de vinho, o sujeito enlaça a moça e começa a deslizar – um tango é uma aula de relacionamento. E para você entrar no clima, trazemos uma seleção de vinhos argentinos que estão com tudo na temporada

Por Cristina Ramalho

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Depois de algumas taças, desajeitados também podem dançar tango, ao menos nas comédias de Billy Wilder. Em Quanto Mais Quente Melhor (1959), Jack Lemmon é a garota sortuda.

A mão do sujeito se estendeu à minha frente. Ele estava me chamando para dançar. Engulo a taça de vinho e me aprumo. Ele, um braço esticado, o outro dando a volta na minha cintura, a perna já em movimento. Cintilei. Olha só, eu na pista de uma legítima milonga em Buenos Aires. Nos braços de um legítimo portenho.

— Não sei bem os passos, você me ensina?

— No sabes bailar el tango?

— Sou brasileira, mas adoro dançar, aprendo rápido. Me ensina uns passos básicos que eu pego – falei toda sorridente, aquele clichê tropical de achar que uma boa lábia é capaz de quebrar o gelo.

— No. Así no se puede.

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No post anterior falamos sobre a chatice de quem entende de vinhos, esnoba com a grana alheia ou insiste em encher a taça do amigo. Aqui vamos ao dia seguinte – em especial para as moças que depois do pilequinho costumam declarar seu amor ou exagerar na sinceridade

Por Cristina Ramalho

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“Tenho a impressão de que esses meninos estão cheios de más intenções”

Tem aquele conto da Dorothy Parker, “Você esteve ótimo”, que é a definição da amnésia alcóolica. A clássica: você acorda sem saber onde está e quem é, e um simples telefonema de uma testemunha ocular dos escorregões aciona sua memória e a vontade de sair correndo para sempre. Dorothy descreve a moça que liga para o sujeito que pintou os canecos na noite anterior e vai contando, na base do “isso acontece, não esquenta” que o moço jogou lulas em su tinta no decote da esposa de outro. “Mas isso passa, mande flores para ela no hospital e tudo bem”. E conta que ele cantou. E que brigou com o garçom. E que chamaram a polícia. E a cada frase ele vai se horrorizando mais e mais.

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Bebendo com etiqueta

Tem o patrulhador de bebida alheia, o que não respeita o limite do outro, o que deita conhecimento sobre vinhos e cervejas que já provou. Reconheça os chatos e brinde elegantemente

Por Sergio Crusco

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“Ouvi dizer que esse dringue tá na moda, é sério?”


Não patrulhe o gosto alheio 
— Quer coisa mais irritante do que alguém dizendo que sua cerveja é fraquinha, que o vinho escolhido não é de alta gama, que caipirinha de saquê é moda do século passado? Quem age assim só nos leva à única e triste conclusão: é um chato. Comentários do gênero “isso é bebida de mocinha” ou “puxa, ela bebe feito homem” são perfeitamente dispensáveis. Cada um bebe o que gosta e o que pode.

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O dia em que a Porradinha me fez virar na Linda Blair

O primeiro porre, quem não esquece? Basta um jerico vir com a ideia — e outro asno acatar. Se a pedida for Porradinha, as chances de precisar chamar um exorcista são grandes. Mas há um jeito mais fino de saboreá-la, como ensina o chefe de bar do restaurante paulistano Tuju

Por Sergio Crusco

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Virei na Linda Blair, jurei que aquilo não mais me pegava, mas quem nunca descumpriu a promessa?

— É. Esse tapete vamos ter de jogar fora.

Foi a primeira frase que ouvi pela manhã, a voz de Zuleica, dona da pensão, dando ordens à empregada de como colocar tudo em ordem depois do vexame da noite anterior. Uma dor de cabeça miserável, a sensação de atropelo por uma jamanta, a vergonha de ter sido responsável pela perda total do tapetinho que guarnecia a entrada do banheiro comunitário e pelo trabalho quintuplicado e infame causado à pobre faxineira.

Foi a primeira ressaca e pela primeira vez a promessa de nunca mais chegar àquele ponto. Devidamente não cumprida. Quem nunca fez a promessa?

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