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Empório Balica é opção bacana para vinhos, queijos e outras gostosuras em São Miguel do Gostoso, RN

Na pequenina São Miguel do Gostoso, litoral do Rio Grande do Norte, entre um mergulho mar, o kitesurf com o cabelo ao vento e a caminhada na areia, tem o Empório Balica, que vende vinhos ótimos. E serve queijos, ao som de jazz ao vivo

Por Cristina Ramalho / Fotos: Ana Ottoni

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Gilson Machado e seu trumpete: solos improvisados nas noites do Empório Balica

Quase todas as melhores coisas da vida vêm em dupla, né? Mar e sol, alguém de braços dados com outro alguém, frutas & vodca, Ella & Louis, queijo e vinho.  E igualzinho acontece num dia na praia, no futebol, nas pequenas e grandes ternuras da vida, o que é bom fica mais bacana quando surge o tal elemento surpresa. Taí a graça de São Miguel do Gostoso, cidadezinha a uma hora e meia de Natal, Rio Grande do Norte, bem na esquina do Brasil. Tem todos aqueles elementos clássicos: o marzão, a areia a perder de vista, o sol o ano inteiro, a calmaria na conversa à la Caymmi. Lugar de tomar caipiroscas (as da Rosana, no bar Madame Chita, que já citamos no Dringue, são imperdíveis porque vem também em dupla: com vodca e charme), ou cerveja gelada em pas-de-deux com peixinho estalando de frito, o maiô pingando depois da praia.

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Os drinques tropicais do Saldosa Maloca, na Ilha do Combu, Belém

A quinze minutos de barco da capital do Pará, a Ilha do Combu é um paraíso onde Dorothy Lamour faria bela figura, dançando um carimbó ou inebriando-se com caipirinhas de frutas nativas

Por Sergio Crusco

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Visual do Saldosa Maloca, na Ilha do Combu, à beira do Rio Guamá, 15 minutos de Belém

É assim mesmo, Saldosa com “l”. Quiseram fazer homenagem a Adoniran Barbosa, paulistaníssimo, no meio da paisagem luxuriante do norte. O moço que pintou a placa errou a grafia, nunca arrumaram, ficou por isso mesmo e virou marca registrada. O restaurante Saldosa Maloca é ponto turistésimo de quem está em Belém, fica na Ilha do Combu, a 15 minutinhos de barco, a partir do porto Princesa Isabel.

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O Tacacachaça, do Remanso do Bosque, é a estrela dos drinques de Belém do Pará

Um coquetel com cachaça de jambu, bourbon e maracujá, servido no restaurante dos irmãos Thiago e Felipe Castanho, é a porta de entrada para os sabores do Pará. Faz tremer que nem um bom carimbó da Dona Onete

Por Sergio Crusco

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Tacacachaça, drinque tropical por excelência, apesar do bourbon

Ir a Roma e não ver o Papa, OK. Vai que ele está em missão na África do Sul ou bola para Papa você nem dá. Ir ao Pará e não comer jambu é que eu quero ver. A erva que adormece a boca está em tudo. No pato, na cachaça, no arroz, no tacacá, em lugares onde você talvez nem imagine. Faz sucesso por lá um pequeno frasco com o extrato da planta, basta uma gotinha espalhada nos lábios para que se tenha uma experiência de tremelicância que dura segundos verdadeiramente intensos. E não funciona só na boca, diz quem manja do trilili. Dona Onete, divina dama do carimbó, já cantou o tremor do jambu numa letra safada e didática. Continuar lendo

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Café Vlissinghe, um dos bares mais antigos do mundo, completa 500 anos na Bélgica

Numa viagem à Bélgica, descobrimos por acaso o Café Vlissinghe, em Bruges. A ideia era fugir da chuva, mas quase não saímos mais de lá

Por Sergio Crusco

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Interior do Café Vlissinghe, em Bruges: do mesmo jeitinho desde o século 19

Às vezes uma trapalhada ou um fenômeno da natureza salvam o dia.

Foi assim em Bruges, cidade encanto belga, que fui conhecer com meu amigo Estanislau em 2008. Pegamos logo cedo um trem em Bruxelas, onde estávamos hospedados, e fizemos de cara a peregrinação turística ao chegar: praças, canais, monumentos, catedrais, subir a torre central, com 366 degraus, e estar no meio do carrilhão enquanto os sinos batem – uma loucura.

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O tango, o vinho e uma carreira amorosa

Uma taça de vinho, o sujeito enlaça a moça e começa a deslizar – um tango é uma aula de relacionamento. E para você entrar no clima, trazemos uma seleção de vinhos argentinos que estão com tudo na temporada

Por Cristina Ramalho

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Depois de algumas taças, desajeitados também podem dançar tango, ao menos nas comédias de Billy Wilder. Em Quanto Mais Quente Melhor (1959), Jack Lemmon é a garota sortuda.

A mão do sujeito se estendeu à minha frente. Ele estava me chamando para dançar. Engulo a taça de vinho e me aprumo. Ele, um braço esticado, o outro dando a volta na minha cintura, a perna já em movimento. Cintilei. Olha só, eu na pista de uma legítima milonga em Buenos Aires. Nos braços de um legítimo portenho.

— Não sei bem os passos, você me ensina?

— No sabes bailar el tango?

— Sou brasileira, mas adoro dançar, aprendo rápido. Me ensina uns passos básicos que eu pego – falei toda sorridente, aquele clichê tropical de achar que uma boa lábia é capaz de quebrar o gelo.

— No. Así no se puede.

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Doce nostalgia em Londres

Na loja A.Gold, no leste londrino, o brasileiro Paulinho Garcia vende delícias inglesas e comidas caseiras. E uma bebida tradicional dos recém-casados britânicos: English Mead, feita de mel

Por Cristina Ramalho

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Fachada da A.Gold – Traditional Foods of Britain, em Spitalfields, Londres

Amelia Gold, húngara, judia, boa de vendas e com mãos leves para a moda, chegou no East End londrino em 1880 na leva de imigrantes fugidos da Rússia e países vizinhos. Era uma moça esperta: mal saiu e, no ano seguinte, o czar Alexandre foi assassinado e teve início uma perseguição aos judeus e às minorias do Leste europeu. Logo ela abriu em Londres sua pequena loja, pertinho da igreja de Spitalfields, 42 Brushfield Street. A placa está lá até hoje: A.Gold (em letras grandes, imponentes), seguido de French Millinery escrito em letra cursiva, feminina, que parece dançar no letreiro. Millinery é a arte de produzir chapéus, e não qualquer chapéu. Os melhores.

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Gostoso é gostoso mesmo

As caipirinhas da creperia Madame Chita, em São Miguel do Gostoso, Rio Grande do Norte, são tão coloridas e irresistíveis como a sua proprietária, Rosana Carneiro

Por Cristina Ramalho / Fotos: Ana Ottoni

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– Eu ficava sozinha aqui, isso aqui era uma porrrtinha – ela conta, já rindo antes de terminar a história, o erre carregado lá de Ribeirão Preto, a voz rouca, extensão natural do eterno cigarrinho nas mãos.

Toma mais um gole da cerveja.

– Amiga, isso aqui era um deserto. Eu estava tomando minha cerrvejinha quando parou um jipão amarelo, e desceu um homem… Homem não, ô bem, aquilo era dois metros de homem, não acabava nunca, uma maravilha. Eu me ajeitei, escondi a cerveja embaixo do balcão, fui abrindo um sorriso, sabe a-que-le sorriso?  Ele perguntou: “Você vende bebida?” ­– Sim, claro, você quer uma caipirinha, uma cerrveja? E ele: “Tem Toddynho?”

Pausa. Ela faz uma careta. – Ah, tenho cara de quem vende Toddynho?

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