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Você é pinguço?

A cachaça aparece em drinques cada vez mais chiques, que em nada lembram a não menos gostosa caipirinha. Aprenda a prepará-los com o bartender Kascão Oliveira e entenda um pouco sobre o preconceito histórico sofrido pela nossa boa e velha pinga – o que leva até hoje qualquer bebedor mais atirado a ser chamado de pinguço

Por Sergio Crusco

Cachaca Wiba Barman - Kascao Oliveira Wiba Wasabi

É de cachaça com wasabi, tá? E não digam que não é chique

O filho de uma amiga, em certa fase da infância, veio com a ideia engraçada de perguntar aos adultos, fazendo cara marota: “Você é pinguço?”

A mãe, vermelha como Bloody Mary (bebida que ama), explicava: “Filhinho, somos pessoas refinadas, bebemos bebidas de qualidade. Pinguço é quem bebe cachaça na esquina”.

À parte as conclusões sociológicas que se possa tirar da conversa, sempre me divertia com a pergunta e respondia: “Eu? Sou bem pinguço”. Ele morria de rir.

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Rum, limão e gelo: o jeito cubano de turbinar seu caldo de cana

Além do Mojito e do Daiquiri, Cuba tem um segredinho quase desconhecido, mas muito fácil de reproduzir por aqui. É o Guarapo con Ron – ou seja, garapa com alguma safadeza

Por Sergio Crusco

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Ernest Hemingway e sua turma da pesada no balcão do Floridita, em Havana, nos anos 50 – na esquina da barra, Spencer Tracy

Quem vai a Cuba quer dringue. Impossível não lembrar da frase de Ernest Hemingway e não querer fazer exatamente o que ele propunha: “Mi Mojito en La Bodeguita, mi Daiquiri en El Floridita”. Foi o que fiz, ora essa. A patetice turística causou a primeira grande decepção: o Mojito da Bodeguita é um asco – aguado, chocho, sem sabor, pouco gelo, hortelã murcha, uma turminha de maus bofes preparando seu coquetel como quem assina o ponto. Tomei melhores em qualquer outro lugar. Deve ter sido bom nos tempos em que Hemingway pintava o caneco em Havana. Hoje ele teria trocado de bar, aposto.

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