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Novo livro de Ruy Castro conta a história do samba-canção: um roteiro encharcado de amor e uísque

O circuito de boates cariocas que bombou nas década de 1950 é o cenário da obra do jornalista e escritor. Grã-finos, cantores, compositores, políticos, cronistas, clássicos da canção romântica e uma quantidade oceânica de uísque são os personagens dessa história cheia de histórias. Conheça algumas delas como aperitivo, depois corra para ler o livro, saboreando bons rótulos que indicamos no final do post – harmonizados com um punhado de sambas-canção

Por Sergio Crusco

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Vinicius de Moraes e Dorival Caymmi: laços de amizade estreitados por um carregamento pesado de uísque escocês Vat 69, quando o samba-canção era o último grito nas boates cariocas

Supõe-se que o uísque tenha desempenhado um papel mais importante do que mero coadjuvante nas longas noites de boemia da época de ouro do samba-canção, no Rio de Janeiro dos anos 1950.

Quando Dorival Caymmi mostrou que sabia fazer mais do que belas canções praieiras de inspiração solar e baiana – e apresentou ao mundo sua face noturna, urbana e carioca em sambas lentos como Sábado em Copacabana, Você Não Sabe Amar, Não Tem Solução –, atribuiu parceria ao playboy e milionário Carlos Guinle, herdeiro do Copacabana Palace, em sete dessas obras-primas.

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Bebendo gim e vinho do porto com Billie Holiday e Lester Young

Top and Bottom – metade gim, metade vinho do porto – era o drinque que Billie Holiday gostava de tomar com o saxofonista, amigo e parceiro musical Lester Young. Só que sua bebida preferida, no duro, era o velho e bom uísque. Para o champanhe, Lady Day dizia “não”

Por Sergio Crusco

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Clássica imagem de Billie Holiday durante uma gravação nos anos 1950

Billie Holiday não gostava de champanhe. “Detesto”, frisa um par de vezes em sua autobiografia, Lady Sings The Blues. Era uma lady, no entanto, e não rechaçava uma taça quando um cavalheiro de verdade a oferecia. Foi assim em Montreal, quando ela experimentou o vinho borbulhante pela primeira vez, encorajada por um rapaz canadense que a advertia sobre os malefícios do uísque – ele lhe estragaria a voz. Billie aceitava a cortesia, mas corria para a cozinha para dar uns goles no destilado de malte. Esse sim, sua paixão.

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Bebendo champanhe com Marlene Dietrich

Ela era boa de bico, mas não tinha frescura: ia do champanhe ao vinho baratinho francês, passando por destilados fogo na goela como o Calvados e a vodca russa. Para sentir-se Marlene, damos o ranking dos melhores champanhes do ano (para quem tá podendo) e a lista dos grandes espumantes nacionais (para quem caiu no real)

Por Sergio Crusco

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Marlene Dietrich e o champanhe: promessa de um eterno domingo

“Como símbolo, o champanhe tem poderes extraordinários. Ele lhe dá a sensação de um domingo e de que dias melhores estão se aproximando. Se você pode arcar com um Dom Pérignon bem gelado numa linda taça, no terraço de um restaurante em Paris, olhando para as árvores ao sol numa tarde de outono, vai sentir-se o adulto mais sensual do mundo, mesmo se estiver acostumado a tomar champanhe”.

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Bebendo com Fred Astaire

Leve, sutil, elegante – assim é o Buck’s Fizz, coquetel de champanhe com suco de laranja, também conhecido como Mimosa. O drinque é bebericado por Fred Astaire em O Picolino, um de seus maiores sucessos ao lado da eterna parceira Ginger Rogers

Por Walterson Sardenberg Sº

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Fred Astaire: elegância, leveza e sofisticação (em qualquer ordem)

Todo mundo sabe que os ingleses e os franceses não falam a mesma língua. Embora já tenham falado: durante três séculos, a partir de 1066, a corte britânica só se comunicou em francês. Isso ocorreu porque, naquele ano, a ilha foi dominada pelo galês Guilherme, o duque da Normandia. Deste episódio, por sinal, surgiu a indissolúvel, embora muitas vezes velada, animosidade entre os dois vizinhos, separados por um braço de mar — e um braço de ferro.

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Vem romance aí

Peça um bom champanhe. Ela vai flutuar… E se você somar às bolhinhas um papo espirituoso, uma grande história de amor pode se anunciar

Por Cristina Ramalho

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Audrey e Bogart em Sabrina (1954), de Billy Wilder – ela é irresistível, o champanhe dá o clima de felizes para sempre

Houve um tempo em que um champanhe no gelo, o hálito perfumado e os bons modos faziam maravilhas por qualquer sujeito conquistador. Tudo isso ainda conta grandes pontos na dança do acasalamento, mas os moços quase sempre esquecem as mesuras, as moças andam cada vez mais petulantes e o glamour tem escorregado na pressa do mundo. Ah, que falta de touché! Porque meu amigo, se você quiser mesmo transbordar naquela noite, tem de pedir champanhe. O legítimo, claro: francês, da região de Champanhe, onde as bolhas alcançam o estágio mais alto da alma do negócio. Só a chegada da garrafa na mesa já causa aquele frisson. Não é à toa que nas melhores cenas as moças dão risadinhas a cada gole nas bolhinhas, e que as não muito lindas ganham charme extra quanto mais você bebe. Champanhe faz maravilhas pela humanidade.

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