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Nova carta de drinques de Leonardo Massoni faz harmonia com as carnes do Açougue Central, de Alex Atala

Alquimias surpreendentes esperam os fãs dos bons coquetéis no Açougue Central, restaurante especializado em carnes. As invenções do bartender completam a experiência gastronômica da hora da entrada e tem até drinque que vale por sobremesa. E um tererê alcoólico como digestivo

Por Sergio Crusco

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O bartender Leonardo Missoni prepara o Nativo, drinque com óleo de pequi, abacaxi, bourbon, cumaru, Angostura e espumante infusionado com pequi

“Me caíram os butiá do bolso!” É assim que o gaúcho diz quando é pego de surpresa, leva um susto. O butiá, fruta amarela e pequena, do tamanho de uma bola de gude, vai enchendo os bolsos de quem a cata por aí. Se o supetão é mesmo de estremecer, frutinhas rolam pelo chão.

Não posso dizer que, como o gaúcho pego de calças curtas, eu tenha ficado exatamente de boca aberta ao provar o purê de butiá preparado pelo bartender Leonardo Massoni, usado como base para o Butiá Sour (R$ 32), da nova carta de drinques do Açougue Central, na Vila Madalena, que tem Alex Atala como sócio. A coisa é deliciosamente ácida, nos faz mesmo espremer olhos e lábios. Mas tem seu poder azedo amenizado na receita do coquetel, com licor St. Germain, gim, açúcar e bitter de laranja. Continuar lendo

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Um dringue com Kennedy Nascimento

Ele tem 22 anos, gerencia alguns dos bares mais sacudidos da cidade e atrai fãs onde quer que crie seus coquetéis. A história de Kennedy Nascimento – eleito o melhor bartender da América Latina no concurso Diageo World Class 2015 – começa no balcão do pai em Ribeirão Pires

Por Sergio Crusco

Kennedy Nascimento_créditos Henrique Peron (6)Você hoje gerencia o serviço de bar e cria cartas de drinques do Grupo Vegas, que inclui o Riviera, o Cine Joia, a Carniceria Z, o PanAm, o Lions Nightclub e o Yacht Club. Como dá conta de tanto trabalho e onde busca inspiração?

Essa parte de gerência e gestão eu sempre estudei na teoria e está sendo muito bom exercitar na prática. A criação acontece em dois pontos. Um é a inspiração, quando vou a uma feira, a um bar, provo um ingrediente que imagino que possa ter ligação com um drinque. O outro ponto é quando você precisa criar mesmo, colocar a mão na massa. É a hora de estudar não só as receitas dos coquetéis, mas o conceito do lugar para o qual você está criando, o público que frequenta. É preciso ter memória sensorial, treinar diariamente, conhecer os ingredientes destilados, fermentados, as frutas. Aí fica tudo mais fácil.

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O jeito francês de beber licor de cassis

Licores franceses da Merlet chegam ao Brasil para seduzir mixologistas e bebedores. Há várias maneiras de criar coquetéis com eles, mas a mais simples é fazer um Mêlé-Cass, jeito francês de dizer que tudo pode dar certo se você tem os ingredientes ideais

Por Sergio Crusco

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Esse drinque é de framboesa, tá? Não é de cassis

Na França de outros tempos era assim, nos conta o produtor de licores Gilles Merlet: aos homens era concedida a honra de beber um conhaque depois da refeição. Para as mulheres, licor de cassis, a groselha negra. Imagino que o direito feminino ao conhaque tenha feito parte da luta pelo avanço das moças na era de conquistas por igualdade por aquelas bandas. Tipo chegar num café, dar um tapa no balcão e não ter vergonha de pedir uma dose, e das bem servidas, enquanto senhoras e senhores cochichavam: “Quanta petulância! Pedir um conhaque em público”. Como não tenho em mãos nenhum tratado a respeito do papel do álcool na pauta feminista francesa, sobra imaginação.

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