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Felipe Rara faz drinques que mexem com os sentidos no Brasserie des Arts

O mixologista lança a carta de drinques Equilátero, que prevê duas novas etapas mais adiante. Especiarias, ingredientes raros e contrastes de sabor são algumas surpresas dessa viagem cheia de inspirações geográficas, históricas e aromáticas

Por Sergio Crusco

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Carême Mise en Place, com Mandarinetto com frutas silvestres, amaro e soda lima limão. Uma das invenções de Felipe Rara na nova carta do Brasserie des Arts

Felipe Rara vem firmando seu nome (ou melhor, já firmou) entre os bambas da mixologia paulistana de um jeito tranquilo. Fala mansa e gestos comedidos fazem parte do seu estilo, mesmo quando o lugar é o agitado Brasserie des Arts, no bairro paulistano dos Jardins, onde predominam a música alta e o clima dolce vita, eterna festa.  Continuar lendo

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Drinques com vinho fazem sucesso no Ovo e Uva e em outros bares e restaurantes de São Paulo

Além da manjada Sangria, do clássico Champagne Cocktail e do popular Aperol Spritz, fazer coquetéis com vinho é um mundo de possibilidades e harmonia. O Ovo e Uva é um dos endereços da cidade em que se pode molhar o bico com invenções tradicionais ou modernas. Tem outros…

Por Sergio Crusco

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Rodada de Aperol Spritz pronta para sair na degustação comandada pelo sommelier João Renato, do Ovo e Uva

Gim? Rum? Cachaça? Qual o ingrediente da moda nos coquetéis? Todos eles e mais alguns, vamos combinar. Mas uma tendência que tem pegado por aí é a dos drinques com vinho. Até aí, nenhuma novidade. Eles existem desde que alguém se dispôs a misturar bebidas para ver no que dava. E deu. Quem nunca se inebriou com o clássico Champagne Cocktail, com a singela Mimosa ao cair da tarde, com os italianíssimos Bellini e Aperol Spritz, com a farta e colorida jarra de Sangria ou Clericot? Continuar lendo

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Bebendo gim e vinho do porto com Billie Holiday e Lester Young

Top and Bottom – metade gim, metade vinho do porto – era o drinque que Billie Holiday gostava de tomar com o saxofonista, amigo e parceiro musical Lester Young. Só que sua bebida preferida, no duro, era o velho e bom uísque. Para o champanhe, Lady Day dizia “não”

Por Sergio Crusco

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Clássica imagem de Billie Holiday durante uma gravação nos anos 1950

Billie Holiday não gostava de champanhe. “Detesto”, frisa um par de vezes em sua autobiografia, Lady Sings The Blues. Era uma lady, no entanto, e não rechaçava uma taça quando um cavalheiro de verdade a oferecia. Foi assim em Montreal, quando ela experimentou o vinho borbulhante pela primeira vez, encorajada por um rapaz canadense que a advertia sobre os malefícios do uísque – ele lhe estragaria a voz. Billie aceitava a cortesia, mas corria para a cozinha para dar uns goles no destilado de malte. Esse sim, sua paixão.

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Nova carta de Laércio Zulu no Anexo São Bento conta histórias com coquetéis

Depois de um ano viajando pelo Brasil e pelo mundo, o bartender Laércio Zulu ancora no Anexo São Bento e mostra alquimias com ingredientes como jabuticaba, folha de laranjeira, mutamba – num diálogo com a coquetelaria clássica que rende muitos casos, aroma e sabor

Por Sergio Crusco / Fotos: Rodrigo Marrano/Divulgação

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Laércio Zulu brinca com as frutas no balcão do Anexo São Bento, em São Paulo

“Minha avó costumava tomar chá de folha de laranjeira. Dizia que era bom para acalmar. Acho que ela não precisava daquilo – minha avó sempre foi calminha –, mas eu adorava tomar o chá junto com ela, todas as tardes”.

Com esse caso pessoal, o bartender Laércio Zulu começa a apresentar a nova carta que preparou para o Anexo São Bento, em São Paulo. Dividida em cinco partes – ou cinco capítulos – é um “livrinho” que conta muitas histórias. As reminiscências da infância na Bahia, os fogos da adolescência, os muitos giros que fez pelo país em busca de ingredientes “simples, autênticos, mas pouco usuais e surpreendentes” e o olho na modernidade e nas últimas tendências da mixologia – fruto de suas viagens por algumas das cidades mais sambadas do planeta, onde mostra o jeito brasileiro de fazer coquetéis e divulga nosso orgulho etílico: a cachaça.

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Negroni, o drinque com alma de diva

É o coquetel das moças intrépidas, que são donas da situação e estão de olho nas boas coisas da vida. É também sinônimo de pecado, perigo e libido à flor da pele – o Negroni foi usado por Tennessee Williams como metáfora do desejo em um de seus romances

Por Cristina Ramalho

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Vivien Leigh em foto promocional para o filme Em Roma na Primavera (1961), em que o Negroni é personagem fundamental, com base no romance de Tennessee Williams

Outro dia mesmo as redes sociais ferveram com a notícia sobre Caco, o sapo, separado da Miss Piggy, que arrumou uma namorada mais jovem, mais magra e, basta uma olhada rápida na foto da moça, um chuchu. Não no sentido vintage da palavra, quando o legume, acreditem, jovens, era sinônimo de gata, de mulher bonita. A nova senhorita Caco está mais para um chuchu literal: aguada, sem appeal, de um verdinho pálido. Parece que Piggy, a sedutora salerosa, gargalhou quando lhe contaram a nova. “Moi, desoleé? Hahaha!”, sapecou, enquanto bebericava uns Negronis no Gilroy, o bar da moda em Nova York.

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Bebendo Dry Martini com Bette Davis

O Gibson, variação do Dry Martini, é personagem de A Malvada, um dos filmes mais célebres de Bette Davis. Os puristas do Martini acham um horror a cebolinha que decora o drinque, mas quem há de discordar do bom gosto da estrela?

Por Walterson Sardenberg Sº

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Bette Davis, ao lado de Thelma Ritter, começa sua noite bem sacudida bebendo um Gibson – entorna outros tantos ao longo de A Malvada (1950)

Permissivo e ruidoso em seus filmes, o cineasta espanhol Luis Buñuel era um purista quando se tratava de seu drinque favorito, o Dry Martini. Ele derramava alguma gotas de vermute Noilly-Prat e meia colher de Angostura sobre o gelo. Sacudia tudo em uma coqueteleira e, depois, conservava apenas o gelo, que mantinha vestígios dos dois perfumes e nada mais. Sobre o cubo, em uma taça previamente gelada, depositava a dose generosa de gim. Buñuel chegou a levar em consideração a opinião de extremistas, apreciadores de um Martini tão seco a ponto de sustentar que bastava um raio de sol atravessando uma garrafa de Noilly-Prat, antes de atingir o drinque. Certa vez, o diretor do Museu de Arte de Nova York, na sua frente, substituiu a Angostura pelo Pernod. A Buñuel, a troca pareceu abominável.

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Nova carta do SubAstor traz quase o mundo todo em forma de drinques

O mixologista Fabio La Pietra mudou toda a carta do SubAstor, na Vila Madalena. São 24 drinques com influências latinas, clássicas, caribenhas… Festa para o paladar

Por Sergio Crusco

Carta de drinks - Sub Astor - foto Leo Feltran - 22/05/2015

My Hops Don’t Lie: martini muito seco e amargo, com lúpulo

Bar é como passarela, de moda ou de escola de samba. Tem de ter novidade, cor, alegria, alegoria, surpresas para os olhos e o paladar. A nova carta do paulistano SubAstor, comandado pelo bartender Fabio La Pietra é assim: num enredo multicultural, ele vem com destilados de sotaque latino, muito rum caribenho, matizes das praias da Indonésia, pitadas de brasilidade em coquetéis com cachaça e base na coquetelaria clássica. Dá para saracotear com gosto – e com responsabilidade, para não cair da plataforma de Carmen Miranda – nessa mistura de suingues e temperos. Dringue esteve por lá para provar alguns dos novos coquetéis – 24 ao todo – e conta um pouquinho dessa aventura.

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