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Nova carta de drinques de Leonardo Massoni faz harmonia com as carnes do Açougue Central, de Alex Atala

Alquimias surpreendentes esperam os fãs dos bons coquetéis no Açougue Central, restaurante especializado em carnes. As invenções do bartender completam a experiência gastronômica da hora da entrada e tem até drinque que vale por sobremesa. E um tererê alcoólico como digestivo

Por Sergio Crusco

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O bartender Leonardo Missoni prepara o Nativo, drinque com óleo de pequi, abacaxi, bourbon, cumaru, Angostura e espumante infusionado com pequi

“Me caíram os butiá do bolso!” É assim que o gaúcho diz quando é pego de surpresa, leva um susto. O butiá, fruta amarela e pequena, do tamanho de uma bola de gude, vai enchendo os bolsos de quem a cata por aí. Se o supetão é mesmo de estremecer, frutinhas rolam pelo chão.

Não posso dizer que, como o gaúcho pego de calças curtas, eu tenha ficado exatamente de boca aberta ao provar o purê de butiá preparado pelo bartender Leonardo Massoni, usado como base para o Butiá Sour (R$ 32), da nova carta de drinques do Açougue Central, na Vila Madalena, que tem Alex Atala como sócio. A coisa é deliciosamente ácida, nos faz mesmo espremer olhos e lábios. Mas tem seu poder azedo amenizado na receita do coquetel, com licor St. Germain, gim, açúcar e bitter de laranja. Continuar lendo

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Os drinques tropicais do Saldosa Maloca, na Ilha do Combu, Belém

A quinze minutos de barco da capital do Pará, a Ilha do Combu é um paraíso onde Dorothy Lamour faria bela figura, dançando um carimbó ou inebriando-se com caipirinhas de frutas nativas

Por Sergio Crusco

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Visual do Saldosa Maloca, na Ilha do Combu, à beira do Rio Guamá, 15 minutos de Belém

É assim mesmo, Saldosa com “l”. Quiseram fazer homenagem a Adoniran Barbosa, paulistaníssimo, no meio da paisagem luxuriante do norte. O moço que pintou a placa errou a grafia, nunca arrumaram, ficou por isso mesmo e virou marca registrada. O restaurante Saldosa Maloca é ponto turistésimo de quem está em Belém, fica na Ilha do Combu, a 15 minutinhos de barco, a partir do porto Princesa Isabel.

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O Tacacachaça, do Remanso do Bosque, é a estrela dos drinques de Belém do Pará

Um coquetel com cachaça de jambu, bourbon e maracujá, servido no restaurante dos irmãos Thiago e Felipe Castanho, é a porta de entrada para os sabores do Pará. Faz tremer que nem um bom carimbó da Dona Onete

Por Sergio Crusco

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Tacacachaça, drinque tropical por excelência, apesar do bourbon

Ir a Roma e não ver o Papa, OK. Vai que ele está em missão na África do Sul ou bola para Papa você nem dá. Ir ao Pará e não comer jambu é que eu quero ver. A erva que adormece a boca está em tudo. No pato, na cachaça, no arroz, no tacacá, em lugares onde você talvez nem imagine. Faz sucesso por lá um pequeno frasco com o extrato da planta, basta uma gotinha espalhada nos lábios para que se tenha uma experiência de tremelicância que dura segundos verdadeiramente intensos. E não funciona só na boca, diz quem manja do trilili. Dona Onete, divina dama do carimbó, já cantou o tremor do jambu numa letra safada e didática. Continuar lendo

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O dia em que a Porradinha me fez virar na Linda Blair

O primeiro porre, quem não esquece? Basta um jerico vir com a ideia — e outro asno acatar. Se a pedida for Porradinha, as chances de precisar chamar um exorcista são grandes. Mas há um jeito mais fino de saboreá-la, como ensina o chefe de bar do restaurante paulistano Tuju

Por Sergio Crusco

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Virei na Linda Blair, jurei que aquilo não mais me pegava, mas quem nunca descumpriu a promessa?

— É. Esse tapete vamos ter de jogar fora.

Foi a primeira frase que ouvi pela manhã, a voz de Zuleica, dona da pensão, dando ordens à empregada de como colocar tudo em ordem depois do vexame da noite anterior. Uma dor de cabeça miserável, a sensação de atropelo por uma jamanta, a vergonha de ter sido responsável pela perda total do tapetinho que guarnecia a entrada do banheiro comunitário e pelo trabalho quintuplicado e infame causado à pobre faxineira.

Foi a primeira ressaca e pela primeira vez a promessa de nunca mais chegar àquele ponto. Devidamente não cumprida. Quem nunca fez a promessa?

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