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Felipe Rara faz drinques que mexem com os sentidos no Brasserie des Arts

O mixologista lança a carta de drinques Equilátero, que prevê duas novas etapas mais adiante. Especiarias, ingredientes raros e contrastes de sabor são algumas surpresas dessa viagem cheia de inspirações geográficas, históricas e aromáticas

Por Sergio Crusco

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Carême Mise en Place, com Mandarinetto com frutas silvestres, amaro e soda lima limão. Uma das invenções de Felipe Rara na nova carta do Brasserie des Arts

Felipe Rara vem firmando seu nome (ou melhor, já firmou) entre os bambas da mixologia paulistana de um jeito tranquilo. Fala mansa e gestos comedidos fazem parte do seu estilo, mesmo quando o lugar é o agitado Brasserie des Arts, no bairro paulistano dos Jardins, onde predominam a música alta e o clima dolce vita, eterna festa.  Continuar lendo

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Nova carta de Laércio Zulu no Anexo São Bento conta histórias com coquetéis

Depois de um ano viajando pelo Brasil e pelo mundo, o bartender Laércio Zulu ancora no Anexo São Bento e mostra alquimias com ingredientes como jabuticaba, folha de laranjeira, mutamba – num diálogo com a coquetelaria clássica que rende muitos casos, aroma e sabor

Por Sergio Crusco / Fotos: Rodrigo Marrano/Divulgação

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Laércio Zulu brinca com as frutas no balcão do Anexo São Bento, em São Paulo

“Minha avó costumava tomar chá de folha de laranjeira. Dizia que era bom para acalmar. Acho que ela não precisava daquilo – minha avó sempre foi calminha –, mas eu adorava tomar o chá junto com ela, todas as tardes”.

Com esse caso pessoal, o bartender Laércio Zulu começa a apresentar a nova carta que preparou para o Anexo São Bento, em São Paulo. Dividida em cinco partes – ou cinco capítulos – é um “livrinho” que conta muitas histórias. As reminiscências da infância na Bahia, os fogos da adolescência, os muitos giros que fez pelo país em busca de ingredientes “simples, autênticos, mas pouco usuais e surpreendentes” e o olho na modernidade e nas últimas tendências da mixologia – fruto de suas viagens por algumas das cidades mais sambadas do planeta, onde mostra o jeito brasileiro de fazer coquetéis e divulga nosso orgulho etílico: a cachaça.

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Um dringue com Kennedy Nascimento

Ele tem 22 anos, gerencia alguns dos bares mais sacudidos da cidade e atrai fãs onde quer que crie seus coquetéis. A história de Kennedy Nascimento – eleito o melhor bartender da América Latina no concurso Diageo World Class 2015 – começa no balcão do pai em Ribeirão Pires

Por Sergio Crusco

Kennedy Nascimento_créditos Henrique Peron (6)Você hoje gerencia o serviço de bar e cria cartas de drinques do Grupo Vegas, que inclui o Riviera, o Cine Joia, a Carniceria Z, o PanAm, o Lions Nightclub e o Yacht Club. Como dá conta de tanto trabalho e onde busca inspiração?

Essa parte de gerência e gestão eu sempre estudei na teoria e está sendo muito bom exercitar na prática. A criação acontece em dois pontos. Um é a inspiração, quando vou a uma feira, a um bar, provo um ingrediente que imagino que possa ter ligação com um drinque. O outro ponto é quando você precisa criar mesmo, colocar a mão na massa. É a hora de estudar não só as receitas dos coquetéis, mas o conceito do lugar para o qual você está criando, o público que frequenta. É preciso ter memória sensorial, treinar diariamente, conhecer os ingredientes destilados, fermentados, as frutas. Aí fica tudo mais fácil.

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Bebendo com Fred Astaire

Leve, sutil, elegante – assim é o Buck’s Fizz, coquetel de champanhe com suco de laranja, também conhecido como Mimosa. O drinque é bebericado por Fred Astaire em O Picolino, um de seus maiores sucessos ao lado da eterna parceira Ginger Rogers

Por Walterson Sardenberg Sº

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Fred Astaire: elegância, leveza e sofisticação (em qualquer ordem)

Todo mundo sabe que os ingleses e os franceses não falam a mesma língua. Embora já tenham falado: durante três séculos, a partir de 1066, a corte britânica só se comunicou em francês. Isso ocorreu porque, naquele ano, a ilha foi dominada pelo galês Guilherme, o duque da Normandia. Deste episódio, por sinal, surgiu a indissolúvel, embora muitas vezes velada, animosidade entre os dois vizinhos, separados por um braço de mar — e um braço de ferro.

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Doce nostalgia em Londres

Na loja A.Gold, no leste londrino, o brasileiro Paulinho Garcia vende delícias inglesas e comidas caseiras. E uma bebida tradicional dos recém-casados britânicos: English Mead, feita de mel

Por Cristina Ramalho

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Fachada da A.Gold – Traditional Foods of Britain, em Spitalfields, Londres

Amelia Gold, húngara, judia, boa de vendas e com mãos leves para a moda, chegou no East End londrino em 1880 na leva de imigrantes fugidos da Rússia e países vizinhos. Era uma moça esperta: mal saiu e, no ano seguinte, o czar Alexandre foi assassinado e teve início uma perseguição aos judeus e às minorias do Leste europeu. Logo ela abriu em Londres sua pequena loja, pertinho da igreja de Spitalfields, 42 Brushfield Street. A placa está lá até hoje: A.Gold (em letras grandes, imponentes), seguido de French Millinery escrito em letra cursiva, feminina, que parece dançar no letreiro. Millinery é a arte de produzir chapéus, e não qualquer chapéu. Os melhores.

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