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Vinhos da argentina Viñas Don Martin ouvem música clássica na bodega

Um empresário suíço que é fã de Malbec e um vinhateiro alemão que cuida de seus mostos com a música dos grandes mestres. Isso dá samba – e ótimos vinhos. Lá em Mendoza, na Argentina…

Por Sergio Crusco

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Cave das Viñas Don Martin, na região de Mendoza, Argentina

Felix Martin Altorfer nasceu na Suíça e, durante os períodos de férias, seu pai dava um pulo na França. Era fã dos vinhos vizinhos, especialmente os de Bordeaux. Voltava com o bagageiro cheio. “E os filhos tinham de ajudá-lo a tomar tudo aquilo”, ele conta. Vejam que chato.

Martin cresceu, tornou-se executivo de uma empresa multinacional, viveu anos em São Paulo, rodou o mundo e provou outros sabores. Hoje dá até uma esnobadinha em Bordeaux, nem acha a região tão sensacional assim. Prefere vinhos chilenos, espanhóis e portugueses. Mas o xodó de verdade, no duro, está na Argentina: a uva Malbec. Continuar lendo

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Drinques com vinho fazem sucesso no Ovo e Uva e em outros bares e restaurantes de São Paulo

Além da manjada Sangria, do clássico Champagne Cocktail e do popular Aperol Spritz, fazer coquetéis com vinho é um mundo de possibilidades e harmonia. O Ovo e Uva é um dos endereços da cidade em que se pode molhar o bico com invenções tradicionais ou modernas. Tem outros…

Por Sergio Crusco

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Rodada de Aperol Spritz pronta para sair na degustação comandada pelo sommelier João Renato, do Ovo e Uva

Gim? Rum? Cachaça? Qual o ingrediente da moda nos coquetéis? Todos eles e mais alguns, vamos combinar. Mas uma tendência que tem pegado por aí é a dos drinques com vinho. Até aí, nenhuma novidade. Eles existem desde que alguém se dispôs a misturar bebidas para ver no que dava. E deu. Quem nunca se inebriou com o clássico Champagne Cocktail, com a singela Mimosa ao cair da tarde, com os italianíssimos Bellini e Aperol Spritz, com a farta e colorida jarra de Sangria ou Clericot? Continuar lendo

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Um dringue com Alysson Müller, o Rei do Polvo de Florianópolis

Alysson Müller, chef e proprietário do restaurantes Rosso Restro e Artusi, em Florianópolis, colocou o polvo no mapa da culinária manezinha. Aqui ele fala sobre os vinhos laranjas, a melhor harmonia com o molusco, da sua paixão pelos vinhos portugueses e de outras bebidas que fazem sua alegria e a de seus clientes

Por Sergio Crusco

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Alysson Müller com o pé no mar de Floripa, de onde vem o polvo que lhe deu fama

Como começa sua história a sua história com o polvo?

Quando fui trabalhar no Bistrô d’Acampora, um lugar muito conceituado de Florianópolis, com o chef Roberto Bento, o Betinho, começou meu upgrade profissional. Eu vinha de um aprendizado familiar, meu pai tinha um restaurante em Biguaçu, cidade na região continental de Florianópolis. Com o Betinho aprendi as técnicas francesas de caldos, reduções, molhos. E também a lidar com o polvo. É uma carne de cocção lenta, não é muito simples trabalhar com ele.

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Bebendo cerveja Pilsen com Freddie Mercury

Chega ao Brasil a cerveja Queen Bohemian Rhapsody, que comemora os 40 anos do maior hit da banda inglesa liderada por Freddie Mercury e Brian May. É uma pilsen tcheca que o cantor aprovaria, garante o guitarrista. Freddie tinha paixão por esse estilo de bebida, por vodca, champanhe e outras transas e tal

Por Sergio Crusco

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Copinhos e xícaras não são mais mistério para os fãs de Freddie Mercury: ele gostava de cerveja, vodca e champanhe

Ainda hoje, 24 anos após sua morte, os fãs discutem, além de outras substâncias, que líquido misterioso havia dentro dos copinhos que Freddie Mercury deixava sobre o piano durante os shows do Queen. Entre um Love of My Life e um We Will Rock You, lá ia ele dar uma bicadinha. Há fóruns na internet sobre o assunto, o mexerico corre solto e, como em toda discussão de internet ou mesa de bar, todo mundo quer ter mais razão: “Tenho certeza de que era cerveja, era um líquido amarelado”, diz um fã. “Era champanhe, Freddie era louco por champanhe”, opina mais um. Continuar lendo

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Um dringue com Christianne Neves

A pianista, compositora e arranjadora Christianne Neves está num caso de amor com os vinhos da Itália, que visita com frequência e onde acaba de gravar um novo álbum, revivendo clássicos pop. Por outros países onde passa, não deixa de espalhar música e provar o que há de melhor

Por Sergio Crusco

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O que vinho tem a ver com música?

Vinho e música lembram celebração, não vejo essas coisas separadas. É o contexto de estar junto, do encontro, de preparar uma comida – massa, de preferência. Tocar ao vivo ou entre os músicos é assim, a mesma harmonia. Na Itália isso é muito forte.

Você, que tem andado pela Itália, o que provou de bom por lá?

Estou surpresa com a uva Nero d’Avola, típica da Sicília. É um vinho bem encorpado, tem sabor de terra. A Sicília é uma região muito árida e o vinho capta esse cenário. Acho que os entendedores do assunto não preferem essa uva, mas é o tipo de vinho que eu gosto. Ele lembra um pouco o Malbec argentino.

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O tango, o vinho e uma carreira amorosa

Uma taça de vinho, o sujeito enlaça a moça e começa a deslizar – um tango é uma aula de relacionamento. E para você entrar no clima, trazemos uma seleção de vinhos argentinos que estão com tudo na temporada

Por Cristina Ramalho

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Depois de algumas taças, desajeitados também podem dançar tango, ao menos nas comédias de Billy Wilder. Em Quanto Mais Quente Melhor (1959), Jack Lemmon é a garota sortuda.

A mão do sujeito se estendeu à minha frente. Ele estava me chamando para dançar. Engulo a taça de vinho e me aprumo. Ele, um braço esticado, o outro dando a volta na minha cintura, a perna já em movimento. Cintilei. Olha só, eu na pista de uma legítima milonga em Buenos Aires. Nos braços de um legítimo portenho.

— Não sei bem os passos, você me ensina?

— No sabes bailar el tango?

— Sou brasileira, mas adoro dançar, aprendo rápido. Me ensina uns passos básicos que eu pego – falei toda sorridente, aquele clichê tropical de achar que uma boa lábia é capaz de quebrar o gelo.

— No. Así no se puede.

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Um dringue com Ivan Bornes

Ivan Schiappacasse Bornes, dono do Pastifício Primo, lembra da infância em Porto Alegre, quando ajudava o pai a fazer vinho em casa. Dos tequilas da juventude ao consumo moderado nos dias de hoje, fala de suas preferências e rebate a frescura enogastronômica: “O vinho do dia a dia não pode ser carregado de simbolismo, tem de ser algo perto da gente”

Por Sergio Crusco

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Ivan Bornes e sua geladeira pop

Como é a sua relação com o vinho? Imagino que venha da infância, já que você nasceu no Uruguai.

Meu pai fez vinho em casa durante mais de 30 anos, até 1983, no Uruguai e depois em Porto Alegre, para onde nos mudamos. Pisávamos as uvas com os pés, como nos tempos ancestrais. Outro dia dei muita risada com ele, que disse que os vinhos pisados têm outro sabor, as bactérias dos pés é que dão o terroir da família. Ha ha ha ha ha! Um amigo dele também tinha uma vinícola caseira, mas mecanizada, com prensa para as uvas. O vinho do amigo estragava e o do meu pai não. Por isso ele dizia que o segredo eram as bactérias da família. Produzíamos de 400 a 500 litros por ano. Um ano era bom, outros nem tanto. Cresci bebendo vinho com água e açúcar, era nosso refrigerante. Não se comprava Coca-Cola em casa.

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