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Nova carta de Laércio Zulu no Anexo São Bento conta histórias com coquetéis

Depois de um ano viajando pelo Brasil e pelo mundo, o bartender Laércio Zulu ancora no Anexo São Bento e mostra alquimias com ingredientes como jabuticaba, folha de laranjeira, mutamba – num diálogo com a coquetelaria clássica que rende muitos casos, aroma e sabor

Por Sergio Crusco / Fotos: Rodrigo Marrano/Divulgação

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Laércio Zulu brinca com as frutas no balcão do Anexo São Bento, em São Paulo

“Minha avó costumava tomar chá de folha de laranjeira. Dizia que era bom para acalmar. Acho que ela não precisava daquilo – minha avó sempre foi calminha –, mas eu adorava tomar o chá junto com ela, todas as tardes”.

Com esse caso pessoal, o bartender Laércio Zulu começa a apresentar a nova carta que preparou para o Anexo São Bento, em São Paulo. Dividida em cinco partes – ou cinco capítulos – é um “livrinho” que conta muitas histórias. As reminiscências da infância na Bahia, os fogos da adolescência, os muitos giros que fez pelo país em busca de ingredientes “simples, autênticos, mas pouco usuais e surpreendentes” e o olho na modernidade e nas últimas tendências da mixologia – fruto de suas viagens por algumas das cidades mais sambadas do planeta, onde mostra o jeito brasileiro de fazer coquetéis e divulga nosso orgulho etílico: a cachaça.

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A falsa Marilyn Monroe e o verdadeiro Manhattan

Era para ser um aniversário com clima de filme. Não saiu como nos planos, mas nossa Marilyn Monroe foi tomar um Manhattan para celebrar que a graça da vida tá na surpresa. E nós trazemos a receita do drinque novaiorquino e músicas ótimas

Por Cristina Ramalho

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Em Quanto Mais Quente Melhor (1959), Marilyn Monroe improvisa um Manhattan durante a viagem de trem, com a bolsa de água quente como coqueteleira

O trabalho parecia moleza: botar uma peruca loira, fazer a pinta perto da boca, se apertar no vestido justo. Fani só precisava caprichar na vozinha rouca, tímida-sexy, levar o bolo até a casa do aniversariante, tocar a campainha e, quando ele abrisse a porta, a cereja do presente seria ela cantar, como a verdadeira Marilyn Monroe para John Kennedy, um sussurrante Happy birthday to you. Cachê: duzentos reais.

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Frigobar é o speakeasy à nossa moda

O Frigobar traz para São Paulo o clima dos speakeasies americanos, onde se bebia clandestinamente durante a época da Lei Seca. Coquetéis clássicos daquela era são revividos no bar quase secreto, onde é preciso ter senha para entrar

Por Sergio Crusco

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“Vai um dringue aí? Esse é só para a diretoria”

Tá na moda. Nas cidades mais sacudidas do mundo – Londres, Nova York, São Francisco – o último grito é arranjar um lugar bem mocozado, de preferência porão, montar um bar quase secreto e chamar o novo inferninho de speakeasy. Esses endereços procuram reviver a era em que o álcool foi proibido nos Estados Unidos, de 1920 a 1933, com o resgate de coquetéis clássicos e todo um jogo de cena bolado para o cliente se imaginar nos tempos da Lei Seca, manguaçando clandestinamente. Dá um barato diferente, isso dá. Continuar lendo

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O bourbon do caubói vira ingrediente chique nos bares do mundo

A bebida americana à base de milho já foi a preferida dos caubóis que não se importavam muito com o que estivessem bebendo, contanto que subisse. Hoje é queridinha nos bares descolados do planeta e se presta ao preparo de drinques clássicos e charmosos

Por Sergio Crusco

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John Wayne bebe um trago de seu bourbon antes de topar a próxima aventura

Nos filmes de caubói ou nos de detetives, é comum ver o intrépido herói mandando ver de um gole só uma dose pura de uísque, para logo em seguida apertar os olhos e franzir a boca numa expressão que sinaliza algo parecido com um ouriço do mar descendo pelo esôfago. Quantas vezes você não viu John Wayne e Clint Eastwood fazendo cara de quem bebeu, não gostou, mas está pronto e de cabeça feita para a próxima parada?

A qualidade duvidosa dos uísques americanos não é lenda de Hollywood, nem a cara azeda do caubói é um recurso meramente dramático. Nos tempos da Lei Seca (1919-1933) produziu-se muita bebida clandestina nos Estados Unidos e quem quisesse ficar alegrinho a qualquer custo, na base do “se não tem tu, vai tu mesmo”, apelava para qualquer coisa.

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Agora é moda: drinque com maconha

Estados americanos onde a cannabis foi legalizada vivem uma nova onda: coquetéis turbinados com infusões que chapam o coco

Por Sergio Crusco

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Lascívia e fumacê em capa de romance americano barato dos anos 50 – ela não conhecia os coquetéis com THC

Imagine um Manhattan ou um Old Fashioned com um trilili a mais na receita. Não estamos falando de twist de limão, shrub de frutas ou cardamomo defumado, técnicas que os mixologistas adoram e, claro, dão sabor, aroma e outras sensações delicadas e deliciosas aos coquetéis. É que a onda prafrentex, lá pelas bandas descriminalizadas do planeta, são drinques com infusão de maconha.

Um dos gurus da tendência é o mixologista Daniel K Nelson, proprietário do The Writer’s Room em Los Angeles, Califórnia (estado onde o uso medicinal da maconha é legalizado). Nelson fez sua primeira experiência com cannabis na bebida durante um evento em que chefs prepararam um menu com a erva. Jogou dois ramos da planta numa garrafa de vodca, mas nem o sabor ou o barato o apeteceram. Ficou chocho e não fez a cabeça.

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