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Edgar Allan Poe, Pedro Bó e uma prova de vinhos e brandies de Jerez

Em um de seus contos, Allan Poe narra uma cilada em que a promessa de um barril de Jerez Amontillado seduz a vítima. Sem fantasmagorias por perto, e a convite de um bom amigo, provar esses vinhos fortificados espanhóis, e o Brandy deles destilado, é puro prazer

Por Sergio Crusco

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Ilustração de Arthur Rackham para O Barril de Amontillado (1935)

Dia desses um amigo me chama, avisando que haverá uma degustação de vinhos espanhóis de Jerez, estou convidadíssimo. Animo-me, lembro imediatamente do conto de Edgar Allan Poe, O Barril de Amontillado, de 1846, e releio a história esquecida desde os tempos de adolescência. Desanimo-me à primeira linha, trata-se de uma bruta vingança, que começa com o convite para uma prova de vinho – o Amontillado, especificamente. O tétrico desfecho vem à mente antes que eu termine a leitura. Embora meu amigo seja boa gente e não imagino que tenha a intenção de me emparedar nas profundezas de uma catacumba, como o narrador Montresor faz com o fanfarrão Fortunato (pronto, contei), um chamado para provar Amontillado dá aquele frisson, um tã tã tã tã de Beethoven. Mesmo porque eu nunca havia posto um deles na boca.

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Jean Ponce, Spencer Jr. e Alê D’Agostino ensinam a fazer o Rabo de Galo perfeito – ou melhor, três

O Projeto Rabo de Galo foi lançado essa semana, para promover o drinque-símbolo dos balcões de fórmica e tentar uma vaga na lista da International Bartenders Association. 30 bares e restaurantes participam do movimento até 1º de outubro, cada um com seu toque pessoal

Por Sergio Crusco

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Spencer Jr., Alê D’Agostino e Jean Ponce na barra do Guarita em noite de Rabo de Galo

Já provou um Rabo de Galo em que o kick da cachaça esteja balanceado dentro de uma harmonia perfeita de ingredientes? Essa é a promessa – cumprida – do bartender Spencer Jr. ao criar sua versão do coquetel mais popular do Brasil, no lançamento do Projeto Rabo de Galo, que rolou no Guarita Bar no começo da semana. Esse kick, o “chute” aromático da cachaça, continua lá, porém com suas notas de acidez bem tabeladas com a doçura de dois tipos de vermute, o leve amargor das gotas de Angostura e o aroma cítrico da rodela de limão siciliano desidratada. Já gostei da explicação porque lembrou Cole Porter na hora e nada como beber um bom dringue cantarolando I Get a Kick Out of You.

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Negroni, o drinque com alma de diva

É o coquetel das moças intrépidas, que são donas da situação e estão de olho nas boas coisas da vida. É também sinônimo de pecado, perigo e libido à flor da pele – o Negroni foi usado por Tennessee Williams como metáfora do desejo em um de seus romances

Por Cristina Ramalho

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Vivien Leigh em foto promocional para o filme Em Roma na Primavera (1961), em que o Negroni é personagem fundamental, com base no romance de Tennessee Williams

Outro dia mesmo as redes sociais ferveram com a notícia sobre Caco, o sapo, separado da Miss Piggy, que arrumou uma namorada mais jovem, mais magra e, basta uma olhada rápida na foto da moça, um chuchu. Não no sentido vintage da palavra, quando o legume, acreditem, jovens, era sinônimo de gata, de mulher bonita. A nova senhorita Caco está mais para um chuchu literal: aguada, sem appeal, de um verdinho pálido. Parece que Piggy, a sedutora salerosa, gargalhou quando lhe contaram a nova. “Moi, desoleé? Hahaha!”, sapecou, enquanto bebericava uns Negronis no Gilroy, o bar da moda em Nova York.

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Uma aula de coquetelaria mediterrânea com Márcio Silva

Drinques leves, cítricos, refrescantes, aromáticos, com sabor de férias sem fim. Assim foi o workshop de coquetéis com o bartender Márcio Silva – inspiração para sonhar com uma vida tranquila lá longe…

Por Sergio Crusco

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O coquetel Poção Tupã e a paisagem da Vila Beatriz – um ramo de manjericão desmilinguido e outro armado com estilo pelo professor

Pensam que é moleza seguir uma receita de coquetel e conseguir o mesmo resultado do bar top ten? Drinques deliciosos, bem equilibrados, com decoração perfeita? Bem que me esforcei, mas bastou a primeira aula de coquetelaria com Márcio Silva para descobrir que estou longe de alcançar qualquer espécie de perfeição nesse ramo.

A ideia era mostrar a um grupo de jornalistas a alquimia de alguns drinques de inspiração mediterrânea, de autoria de Márcio, na sede da importadora Mr. Man. Coisa que a gente vê nos filmes e fica sonhando em viver (para o resto da vida, não só nas férias) – beira mar, ingredientes frescos, comida saudável. “Esses drinques nos fazem desconectar do estresse, da buzina, da fila, do computador. Viver um momento nosso, curtir a vida, estar presente”, disse Márcio, que trabalhou durante 20 anos na Europa, em bares e como treinador de bartenders, tendo passado um bom tempo em Barcelona, de onde trouxe o jeito sutil e refrescante de pensar a mixologia.

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Top bartenders de São Paulo fazem drinques em colaboração no Eataly

O Brace Bar, do Eataly, reuniu feras para preparar os drinques de sua nova carta. Estão no projeto Bar a 4 Mãos Derivan de Souza, Jean Ponce, Laércio Zulu, Rodolfo Bob e a mixologista da casa, Dudah Bonatto. Sabores para todos os gostos e muito amor em forma de coquetel

Por Sergio Crusco

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Derivan de Souza apresenta o Ischia, drinque feito com ingredientes italianos e “amor de coração cheio”

“Vocês devem se lembrar daquela frase do filme Candelabro Italiano: ‘Um casal que bebe Strega junto nunca se separa’”. Assim começa a alquimia do bartender Derivan de Souza. Seu desafio é preparar uma poção mágica que lembre o elemento água e, das lembranças da Itália, especialmente da Ilha de Ischia, traz os componentes para sua nova criação. Além do Strega (licor das bruxas, que já vem com dose mística), ele usa grappa, vermute Carpano Rosso e uma infusão de água de margaridas “que esses meninos modernos me ajudaram a fazer”. O último ingrediente vem de forma mimosa, uma pipeta para injetar o líquido florido no coquetel.

Mas falta um toque final, não menos mágico e essencial, segredo que Derivan não guarda, espalha com simpatia e gestos largos. “É preciso misturar 10% a 15% de amor no coquetel. Amor de coração cheio. Amor, muito amor. Saúde!”, finaliza. E a plateia explode em aplausos.

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Martini de balsâmico com queijo parmesão: existe e é surpreendente

No Ô-Restaurante, novidade da Vila Madalena, o sommelier e bartender Gustavo Abreu cria alquimias inesperadas. Se nunca imaginou que um coquetel pudesse levar queijo, taí a prova em contrário. E também tem drinques para quem quer doçura…

Por Sergio Crusco

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Balsâmico Martini: gim, vinagre e lascas de parmesão

A ideia não é tão maluca assim: coquetéis com aceto balsâmico são comuns e sensacionais, especialmente os que levam purê ou suco de morango na receita. Novidade são as duas lascas de parmesão com que o sommelier e mixologista Gustavo Abreu resolveu guarnecer o Balsâmico Martini (R$ 33) criado para a carta do Ô-Restaurante, endereço que há pouco fez sua estreia na Vila Madalena com cardápio multicultural.

O drinque escuro à base de gim, vinagre e grana padano faz um par alucinante com a morcilla grelhada com cachapa rústica (panqueca de milho venezuelana), creme de nata e salsa criolla preparada por seu xará, o chef Gustavo Eiji. Manja uma explosão de sabores? Essa é uma delas, sem exagero. A berinjela queimada, grelhada com coalhada seca, pimenta dedo-de-moça, limão siciliano e salsa verde, outra opção de entrada, também casa bem com o drinque diferentão.

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