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Nova carta de drinques de Leonardo Massoni faz harmonia com as carnes do Açougue Central, de Alex Atala

Alquimias surpreendentes esperam os fãs dos bons coquetéis no Açougue Central, restaurante especializado em carnes. As invenções do bartender completam a experiência gastronômica da hora da entrada e tem até drinque que vale por sobremesa. E um tererê alcoólico como digestivo

Por Sergio Crusco

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O bartender Leonardo Missoni prepara o Nativo, drinque com óleo de pequi, abacaxi, bourbon, cumaru, Angostura e espumante infusionado com pequi

“Me caíram os butiá do bolso!” É assim que o gaúcho diz quando é pego de surpresa, leva um susto. O butiá, fruta amarela e pequena, do tamanho de uma bola de gude, vai enchendo os bolsos de quem a cata por aí. Se o supetão é mesmo de estremecer, frutinhas rolam pelo chão.

Não posso dizer que, como o gaúcho pego de calças curtas, eu tenha ficado exatamente de boca aberta ao provar o purê de butiá preparado pelo bartender Leonardo Massoni, usado como base para o Butiá Sour (R$ 32), da nova carta de drinques do Açougue Central, na Vila Madalena, que tem Alex Atala como sócio. A coisa é deliciosamente ácida, nos faz mesmo espremer olhos e lábios. Mas tem seu poder azedo amenizado na receita do coquetel, com licor St. Germain, gim, açúcar e bitter de laranja. Continuar lendo

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Jean Ponce, Spencer Jr. e Alê D’Agostino ensinam a fazer o Rabo de Galo perfeito – ou melhor, três

O Projeto Rabo de Galo foi lançado essa semana, para promover o drinque-símbolo dos balcões de fórmica e tentar uma vaga na lista da International Bartenders Association. 30 bares e restaurantes participam do movimento até 1º de outubro, cada um com seu toque pessoal

Por Sergio Crusco

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Spencer Jr., Alê D’Agostino e Jean Ponce na barra do Guarita em noite de Rabo de Galo

Já provou um Rabo de Galo em que o kick da cachaça esteja balanceado dentro de uma harmonia perfeita de ingredientes? Essa é a promessa – cumprida – do bartender Spencer Jr. ao criar sua versão do coquetel mais popular do Brasil, no lançamento do Projeto Rabo de Galo, que rolou no Guarita Bar no começo da semana. Esse kick, o “chute” aromático da cachaça, continua lá, porém com suas notas de acidez bem tabeladas com a doçura de dois tipos de vermute, o leve amargor das gotas de Angostura e o aroma cítrico da rodela de limão siciliano desidratada. Já gostei da explicação porque lembrou Cole Porter na hora e nada como beber um bom dringue cantarolando I Get a Kick Out of You.

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Bebendo Dry Martini com Bette Davis

O Gibson, variação do Dry Martini, é personagem de A Malvada, um dos filmes mais célebres de Bette Davis. Os puristas do Martini acham um horror a cebolinha que decora o drinque, mas quem há de discordar do bom gosto da estrela?

Por Walterson Sardenberg Sº

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Bette Davis, ao lado de Thelma Ritter, começa sua noite bem sacudida bebendo um Gibson – entorna outros tantos ao longo de A Malvada (1950)

Permissivo e ruidoso em seus filmes, o cineasta espanhol Luis Buñuel era um purista quando se tratava de seu drinque favorito, o Dry Martini. Ele derramava alguma gotas de vermute Noilly-Prat e meia colher de Angostura sobre o gelo. Sacudia tudo em uma coqueteleira e, depois, conservava apenas o gelo, que mantinha vestígios dos dois perfumes e nada mais. Sobre o cubo, em uma taça previamente gelada, depositava a dose generosa de gim. Buñuel chegou a levar em consideração a opinião de extremistas, apreciadores de um Martini tão seco a ponto de sustentar que bastava um raio de sol atravessando uma garrafa de Noilly-Prat, antes de atingir o drinque. Certa vez, o diretor do Museu de Arte de Nova York, na sua frente, substituiu a Angostura pelo Pernod. A Buñuel, a troca pareceu abominável.

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Mulher, Futebol, Boteco e Rabo de Galo

Boteco/ homem/ futebol combinam com rabo de galo, a bebida tradicional dos balcões de fórmica, que hoje tá virando chique. Aqui ela acompanha a narrativa de jogo com final romântico

Por Cristina Ramalho

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Futebol e amor no traço de Ziraldo

O sujeito sentado no banco alto arregaça as mangas da camisa, puxa um pouquinho as calças para cima, dá uma geral no bar. Batuca de leve a mão no balcão de fórmica vermelha.

– Ô campeão, vê aí dois rabos de galo! Ao lado dele, no balcão, o amigo sorridente, bonachão, uma cara de gordinho da escola, é o ouvinte. O primeiro se apruma no banco, copo na mão, dá um trago na bebida – ahhh – arranha a garganta e começa.

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