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Você é pinguço?

A cachaça aparece em drinques cada vez mais chiques, que em nada lembram a não menos gostosa caipirinha. Aprenda a prepará-los com o bartender Kascão Oliveira e entenda um pouco sobre o preconceito histórico sofrido pela nossa boa e velha pinga – o que leva até hoje qualquer bebedor mais atirado a ser chamado de pinguço

Por Sergio Crusco

Cachaca Wiba Barman - Kascao Oliveira Wiba Wasabi

É de cachaça com wasabi, tá? E não digam que não é chique

O filho de uma amiga, em certa fase da infância, veio com a ideia engraçada de perguntar aos adultos, fazendo cara marota: “Você é pinguço?”

A mãe, vermelha como Bloody Mary (bebida que ama), explicava: “Filhinho, somos pessoas refinadas, bebemos bebidas de qualidade. Pinguço é quem bebe cachaça na esquina”.

À parte as conclusões sociológicas que se possa tirar da conversa, sempre me divertia com a pergunta e respondia: “Eu? Sou bem pinguço”. Ele morria de rir.

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O dia em que a Porradinha me fez virar na Linda Blair

O primeiro porre, quem não esquece? Basta um jerico vir com a ideia — e outro asno acatar. Se a pedida for Porradinha, as chances de precisar chamar um exorcista são grandes. Mas há um jeito mais fino de saboreá-la, como ensina o chefe de bar do restaurante paulistano Tuju

Por Sergio Crusco

linda_blair_exorcista

Virei na Linda Blair, jurei que aquilo não mais me pegava, mas quem nunca descumpriu a promessa?

— É. Esse tapete vamos ter de jogar fora.

Foi a primeira frase que ouvi pela manhã, a voz de Zuleica, dona da pensão, dando ordens à empregada de como colocar tudo em ordem depois do vexame da noite anterior. Uma dor de cabeça miserável, a sensação de atropelo por uma jamanta, a vergonha de ter sido responsável pela perda total do tapetinho que guarnecia a entrada do banheiro comunitário e pelo trabalho quintuplicado e infame causado à pobre faxineira.

Foi a primeira ressaca e pela primeira vez a promessa de nunca mais chegar àquele ponto. Devidamente não cumprida. Quem nunca fez a promessa?

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