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Jean Ponce, Spencer Jr. e Alê D’Agostino ensinam a fazer o Rabo de Galo perfeito – ou melhor, três

O Projeto Rabo de Galo foi lançado essa semana, para promover o drinque-símbolo dos balcões de fórmica e tentar uma vaga na lista da International Bartenders Association. 30 bares e restaurantes participam do movimento até 1º de outubro, cada um com seu toque pessoal

Por Sergio Crusco

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Spencer Jr., Alê D’Agostino e Jean Ponce na barra do Guarita em noite de Rabo de Galo

Já provou um Rabo de Galo em que o kick da cachaça esteja balanceado dentro de uma harmonia perfeita de ingredientes? Essa é a promessa – cumprida – do bartender Spencer Jr. ao criar sua versão do coquetel mais popular do Brasil, no lançamento do Projeto Rabo de Galo, que rolou no Guarita Bar no começo da semana. Esse kick, o “chute” aromático da cachaça, continua lá, porém com suas notas de acidez bem tabeladas com a doçura de dois tipos de vermute, o leve amargor das gotas de Angostura e o aroma cítrico da rodela de limão siciliano desidratada. Já gostei da explicação porque lembrou Cole Porter na hora e nada como beber um bom dringue cantarolando I Get a Kick Out of You.

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A incrível origem da palavra cocktail

Quem inventou o coquetel? O americano? Errou! Tudo indica que foram os ingleses, a partir do estranho hábito de animar seus cavalos enfiando gengibre… Bem, leia essa história cheia de detalhes nem sempre muito elegantes

Por Sergio Crusco

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“Aica, meu! Esse dringue tá porreta!”

De tão bonitinha, dá vontade de acreditar na história. Lá pelo começo do século 19, quando as forças armadas dos estados americanos do sul tentavam conquistar terras mexicanas (como de fato fizeram, garfando os territórios da Califórnia, do Texas e do Novo México), houve uma longa negociação de trégua entre as tropas e o rei asteca Axolotl VIII. Ao fim da conversa, acordada a trégua, o rei propôs um brinde. Sua filha, a linda princesa Xochitl (linda é por minha conta, já que é lenda mesmo e eu conto do meu jeito), encarregada de cuidar da mixologia no reino, veio apenas com uma taça na mão. Estabeleceu-se a saia justa: se o rei bebesse primeiro, seria desrespeito com o general. Se o general tomasse, poderia insultar o rei. Xochitl não teve dúvida: ela mesma bebeu, de uma só golada, a dose de pulque, fermentado do agave. A princesa, esperta, quebrou o clima de impasse e logo mandou ver uma rodada das boas para a tropa, que, à certa altura, língua enrolada pelo álcool, já não conseguiria pronunciar nada direito, ainda mais no idioma nativo:

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– Meu, que drinque da hora! Quem inventou a parada?

– Foi a princesinha, filha do rei, a Cocktail.

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O Picapau que encheu a cara de Bombeirinho

Clara era a única que caberia naquela roupa de Picapau. Sofreu como o diabo, ouviu cantada insana e terminou o dia incendiando as mágoas bebendo Bombeirinho (pinga com groselha). Olha só a sua história e experimente o Pompieri, a versão chique da bebida feita pelo Isola Bar

Por Cristina Ramalho

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Picapau vê estrelas, depois de três doses do inflamável Bombeirinho

– Mas por que eu?

– Meu bem, você é a única que cabe nessa roupa. E adora crianças.

Clara olhava desolada para a fantasia de Picapau sobre a cadeira. O inferno era a cabeça – um imenso cabeção de feltro, pesado, quente como o diabo, com penas vermelhas, medonho de feio. Os olhos eram também de feltro, grudados na cara. Para enxergar lá de dentro Clara tinha de olhar pelo bico. O restante do figurino não colaborava: um macacãozinho bem curto, azulão, com rabo de penas, meia calça e sapatilhas no mesmo tom.

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Um dringue com Kennedy Nascimento

Ele tem 22 anos, gerencia alguns dos bares mais sacudidos da cidade e atrai fãs onde quer que crie seus coquetéis. A história de Kennedy Nascimento – eleito o melhor bartender da América Latina no concurso Diageo World Class 2015 – começa no balcão do pai em Ribeirão Pires

Por Sergio Crusco

Kennedy Nascimento_créditos Henrique Peron (6)Você hoje gerencia o serviço de bar e cria cartas de drinques do Grupo Vegas, que inclui o Riviera, o Cine Joia, a Carniceria Z, o PanAm, o Lions Nightclub e o Yacht Club. Como dá conta de tanto trabalho e onde busca inspiração?

Essa parte de gerência e gestão eu sempre estudei na teoria e está sendo muito bom exercitar na prática. A criação acontece em dois pontos. Um é a inspiração, quando vou a uma feira, a um bar, provo um ingrediente que imagino que possa ter ligação com um drinque. O outro ponto é quando você precisa criar mesmo, colocar a mão na massa. É a hora de estudar não só as receitas dos coquetéis, mas o conceito do lugar para o qual você está criando, o público que frequenta. É preciso ter memória sensorial, treinar diariamente, conhecer os ingredientes destilados, fermentados, as frutas. Aí fica tudo mais fácil.

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Mulher, Futebol, Boteco e Rabo de Galo

Boteco/ homem/ futebol combinam com rabo de galo, a bebida tradicional dos balcões de fórmica, que hoje tá virando chique. Aqui ela acompanha a narrativa de jogo com final romântico

Por Cristina Ramalho

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Futebol e amor no traço de Ziraldo

O sujeito sentado no banco alto arregaça as mangas da camisa, puxa um pouquinho as calças para cima, dá uma geral no bar. Batuca de leve a mão no balcão de fórmica vermelha.

– Ô campeão, vê aí dois rabos de galo! Ao lado dele, no balcão, o amigo sorridente, bonachão, uma cara de gordinho da escola, é o ouvinte. O primeiro se apruma no banco, copo na mão, dá um trago na bebida – ahhh – arranha a garganta e começa.

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