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O bartender Marcelo Serrano volta à cena a bordo do Veríssimo Bar

Depois de um tempinho afastado do balcão, o mestre de alquimias sutis cuida das cartas de bebidas do grupo Cia. De Gastronomia e Cultura, comandado pelo chef Marcos Livi. No Veríssimo, você pode conferir a primeira carta completa

Por Sergio Crusco / Fotos: Luna Garcia/Divulgação

Drink Verissimo _ Luna Garcia Catalão

Catalão: jeitão de Sangria com vinho tinto, Aperol, gengibre, tônica e xarope

Os fãs dos bons coquetéis ficaram acabrunhados quando o bartender Marcelo Serrano anunciou sua saída do Brasserie des Arts, há alguns meses. Era uma senhora baixa no “time A” de mixologistas da cidade, pelo menos para quem gosta de fincar os cotovelos no balcão e apreciar o balé das coqueteleiras. Após a partida, o plano imediato de Serrano foi tornar-se embaixador dos xaropes franceses Monin (cargo que ainda ocupa), mas não demorou muito para que ele fosse fisgado de volta para dentro do bar. Continuar lendo

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O Clericot de Iemanjá: leve, cítrico, refrescante e perfumado

O mixologista Rodolfo Bob criou um Clericot especial para a Mãe do Mar, com frutas e flores brancas, perfume de sabugueiro, mel e aroma de alfazema – tudo como manda a tradição. O drinque perfeito para aquela tarde de verão que a gente nunca quer que acabe

Por Sergio Crusco / Fotos: Marcos Muzi

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Espumante brut, aromas, frutas e flores claras são a essência do Clericot de Iemanjá

A fagulha da inspiração cintila dos jeitos menos esperados, até de uma conversa digna de esquete da Praça da Alegria. Estávamos Rodolfo Bob e eu batendo papo num bar, música tuntz-tuntz vibrando no ar, à espera de saborear os drinques de uma nova carta na cidade. Foi quando eu disse:

– O bartender vai fazer um Clericot de Limoncello, estou doido pra provar.

– Clericot de Iemanjá? – ele perguntou.

– Não. Li-mon-ce-llo!

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Bebendo White Russian com Jeff Bridges

O White Russian, coquetel com vodca, licor de café e creme de leite, ficou famoso por causa do filme O Grande Lebowski, em que Jeff Bridges o beberica sem parar. Mas a receita que aparece na tela não tem nada a ver com o preparo clássico – aqui você aprende a fazer do jeito certo

Por Walterson Sardenberg Sº

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Jeff Bridges com o White Russian zoado: na verdade, o drinque tem duas camadas de cor

Tinha tudo para dar errado. Quando O Grande Lebowski (The Big Lebowski) foi lançado, em 1998, quase ninguém se importou. Embora dirigido por dois cineastas em ascensão – os irmãos Coen –, o filme causou repulsa nos críticos e permaneceu só seis semanas em cartaz nos Estados Unidos. Fracasso? Com o passar dos anos, o protagonista Lebowski, um outsider que gasta os dias jogando boliche com outros desocupados em Los Angeles, tornou-se um cult; o filme começou a vender DVDs às pencas e até foi contemplado com copiosos estudos acadêmicos. A Universidade de Indiana lançou um catatau de ensaios com mais de 500 páginas, examinando o filme à luz de Freud e até do grupo de arte conceitual Fluxus. Há mais de uma década, milhares de fãs comemoram o Lebowski Festival, a cada ano realizado em uma cidade americana. Na ocasião, ao longo de dias seguidos, celebra-se tudo o que envolve o personagem, o vagabundo riponga vivido com maestria por Jeff Bridges, incluindo aí, claro, seu drinque predileto, o White Russian.

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Nova carta de Laércio Zulu no Anexo São Bento conta histórias com coquetéis

Depois de um ano viajando pelo Brasil e pelo mundo, o bartender Laércio Zulu ancora no Anexo São Bento e mostra alquimias com ingredientes como jabuticaba, folha de laranjeira, mutamba – num diálogo com a coquetelaria clássica que rende muitos casos, aroma e sabor

Por Sergio Crusco / Fotos: Rodrigo Marrano/Divulgação

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Laércio Zulu brinca com as frutas no balcão do Anexo São Bento, em São Paulo

“Minha avó costumava tomar chá de folha de laranjeira. Dizia que era bom para acalmar. Acho que ela não precisava daquilo – minha avó sempre foi calminha –, mas eu adorava tomar o chá junto com ela, todas as tardes”.

Com esse caso pessoal, o bartender Laércio Zulu começa a apresentar a nova carta que preparou para o Anexo São Bento, em São Paulo. Dividida em cinco partes – ou cinco capítulos – é um “livrinho” que conta muitas histórias. As reminiscências da infância na Bahia, os fogos da adolescência, os muitos giros que fez pelo país em busca de ingredientes “simples, autênticos, mas pouco usuais e surpreendentes” e o olho na modernidade e nas últimas tendências da mixologia – fruto de suas viagens por algumas das cidades mais sambadas do planeta, onde mostra o jeito brasileiro de fazer coquetéis e divulga nosso orgulho etílico: a cachaça.

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Bebendo champanhe com Marlene Dietrich

Ela era boa de bico, mas não tinha frescura: ia do champanhe ao vinho baratinho francês, passando por destilados fogo na goela como o Calvados e a vodca russa. Para sentir-se Marlene, damos o ranking dos melhores champanhes do ano (para quem tá podendo) e a lista dos grandes espumantes nacionais (para quem caiu no real)

Por Sergio Crusco

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Marlene Dietrich e o champanhe: promessa de um eterno domingo

“Como símbolo, o champanhe tem poderes extraordinários. Ele lhe dá a sensação de um domingo e de que dias melhores estão se aproximando. Se você pode arcar com um Dom Pérignon bem gelado numa linda taça, no terraço de um restaurante em Paris, olhando para as árvores ao sol numa tarde de outono, vai sentir-se o adulto mais sensual do mundo, mesmo se estiver acostumado a tomar champanhe”.

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Bebendo cerveja Pilsen com Freddie Mercury

Chega ao Brasil a cerveja Queen Bohemian Rhapsody, que comemora os 40 anos do maior hit da banda inglesa liderada por Freddie Mercury e Brian May. É uma pilsen tcheca que o cantor aprovaria, garante o guitarrista. Freddie tinha paixão por esse estilo de bebida, por vodca, champanhe e outras transas e tal

Por Sergio Crusco

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Copinhos e xícaras não são mais mistério para os fãs de Freddie Mercury: ele gostava de cerveja, vodca e champanhe

Ainda hoje, 24 anos após sua morte, os fãs discutem, além de outras substâncias, que líquido misterioso havia dentro dos copinhos que Freddie Mercury deixava sobre o piano durante os shows do Queen. Entre um Love of My Life e um We Will Rock You, lá ia ele dar uma bicadinha. Há fóruns na internet sobre o assunto, o mexerico corre solto e, como em toda discussão de internet ou mesa de bar, todo mundo quer ter mais razão: “Tenho certeza de que era cerveja, era um líquido amarelado”, diz um fã. “Era champanhe, Freddie era louco por champanhe”, opina mais um. Continuar lendo

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O dia em que a Porradinha me fez virar na Linda Blair

O primeiro porre, quem não esquece? Basta um jerico vir com a ideia — e outro asno acatar. Se a pedida for Porradinha, as chances de precisar chamar um exorcista são grandes. Mas há um jeito mais fino de saboreá-la, como ensina o chefe de bar do restaurante paulistano Tuju

Por Sergio Crusco

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Virei na Linda Blair, jurei que aquilo não mais me pegava, mas quem nunca descumpriu a promessa?

— É. Esse tapete vamos ter de jogar fora.

Foi a primeira frase que ouvi pela manhã, a voz de Zuleica, dona da pensão, dando ordens à empregada de como colocar tudo em ordem depois do vexame da noite anterior. Uma dor de cabeça miserável, a sensação de atropelo por uma jamanta, a vergonha de ter sido responsável pela perda total do tapetinho que guarnecia a entrada do banheiro comunitário e pelo trabalho quintuplicado e infame causado à pobre faxineira.

Foi a primeira ressaca e pela primeira vez a promessa de nunca mais chegar àquele ponto. Devidamente não cumprida. Quem nunca fez a promessa?

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